ONS aloca 228 MW para data centers em SP no primeiro processo competitivo da PNAST

Três projetos arremataram toda a capacidade remanescente disponibilizada pelo ONS; temporada recebeu 367 pedidos de acesso que somaram mais de 20 GW no SIN

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) encerrou nesta quarta-feira (7) a primeira Temporada de Acesso de 2026 da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST) com a alocação integral de 228 MW de margem de escoamento para três projetos de data centers em São Paulo. O resultado marca a primeira aplicação prática do mecanismo competitivo criado para distribuir capacidade remanescente da Rede Básica.

O processo, realizado na terça-feira (6), disponibilizou a capacidade em quatro pontos de conexão no estado. Sete empreendimentos foram habilitados, com demanda conjunta de 451 MW. Ao final, os projetos vinculados às empresas Pahlavan One, Pahlavan Three e Digital DC Brasil arremataram toda a capacidade ofertada.

A primeira temporada também evidenciou a pressão crescente sobre a infraestrutura de transmissão. Ao todo, 367 empreendimentos de geração e consumo foram cadastrados no ciclo, com solicitações que ultrapassaram 20 GW distribuídas por 64 barramentos do Sistema Interligado Nacional (SIN).

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Processo competitivo inaugura novo modelo de acesso

O processo realizado em São Paulo representa uma mudança na forma de alocação da capacidade de transmissão. A PNAST foi instituída pelo Decreto nº 12.772/2025 com o objetivo de substituir a dinâmica anterior de acesso por critérios associados à capacidade disponível, maturidade dos projetos e competição.

Na avaliação do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a política busca alterar a lógica de espera por conexão e aproximar a expansão da transmissão das necessidades de desenvolvimento do país: “Quando desenhamos essa política, tivemos como objetivo superar uma lógica de espera e construir uma política de estado, baseada em planejamento, critérios técnicos e processos competitivos. Com a PNAST, damos mais previsibilidade aos agentes, aumentamos a eficiência dos investimentos e garantimos que a expansão da transmissão esteja alinhada às necessidades do desenvolvimento do país. É uma mudança que fortalece o planejamento do setor elétrico, amplia a segurança do sistema e cria as condições para que o Brasil avance com infraestrutura adequada e visão de longo prazo.”

A mudança ganha relevância diante do aumento da demanda de grandes consumidores por conexão ao SIN, especialmente em segmentos intensivos em eletricidade, como data centers.

Mais de 43 GW analisados na transição

O balanço apresentado pelo ONS mostra que o movimento de demanda por acesso à Rede Básica começou antes da primeira temporada formal da PNAST. Considerando o período de transição e o ciclo encerrado nesta quarta-feira, o Operador analisou mais de 43 GW em solicitações de acesso, dos quais aproximadamente 30,7 GW foram viabilizados ou habilitados.

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O volume reforça o desafio de compatibilizar a entrada de novos empreendimentos com a capacidade efetivamente disponível na infraestrutura de transmissão, especialmente em regiões que concentram investimentos de grande porte.

ONS avalia primeiro ciclo como teste do novo modelo

Para o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, o resultado do primeiro ciclo demonstra a aplicação prática da nova metodologia e cria referências para as próximas rodadas: “Encerramos este primeiro ciclo com resultados que demonstram a efetividade do novo modelo de acesso à transmissão. Além dos volumes expressivos de capacidade analisada e viabilizada, realizamos com sucesso o primeiro Processo Competitivo da PNAST, consolidando um ambiente mais previsível, transparente e eficiente para investidores, consumidores e para o planejamento da expansão do sistema elétrico brasileiro.”

A realização do processo competitivo também estabelece uma nova referência para situações em que a demanda habilitada supera a margem disponível em determinados pontos da Rede Básica.

PNAST terá duas temporadas por ano a partir de 2027

O cronograma da política prevê uma ampliação da frequência dos processos. A partir de 2027, serão realizadas duas Temporadas de Acesso por ano, criando novas janelas para empreendimentos interessados em conexão ao sistema de transmissão.

Para Maurício de Souza, diretor de TI, Relacionamento com Agentes e Assuntos Regulatórios do ONS, a participação dos agentes e a realização do primeiro processo competitivo fornecem elementos para o aperfeiçoamento da política: “A elevada participação dos agentes e a realização bem-sucedida do primeiro Processo Competitivo demonstram a maturidade do setor para esse novo modelo. Os aprendizados deste ciclo fornecerão subsídios importantes para os aperfeiçoamentos previstos nas próximas edições da Política.”

A próxima etapa da PNAST, portanto, deverá incorporar os resultados do primeiro ciclo e os aprendizados obtidos na alocação competitiva de capacidade, em um cenário de expansão da demanda por acesso à Rede Básica.

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