4º Ciclo de Partilha e 6º Ciclo de Concessão colocaram 56 áreas em disputa e reforçaram o interesse das empresas nas fronteiras exploratórias brasileiras
Os leilões realizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta quarta-feira (7), no Rio de Janeiro, movimentaram R$ 3,54 bilhões em bônus de assinatura nos modelos de partilha e concessão. O resultado reúne os R$ 530,5 milhões arrecadados no 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha (OPP4) e os R$ 3,01 bilhões do 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC6).
Na avaliação do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), o desempenho dos certames reforça a percepção de estabilidade regulatória e segurança jurídica no mercado brasileiro de óleo e gás, em um cenário internacional marcado por incertezas geopolíticas.
Concessão concentra maior parcela da arrecadação
O 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão respondeu pela maior parte da arrecadação. Foram R$ 3,005 bilhões em bônus de assinatura, com ágio médio de 3.511,27%, além de R$ 1,58 bilhão em investimentos mínimos previstos na fase de exploração. Dos 303 blocos e cinco áreas de acumulações marginais ofertados, 49 blocos foram arrematados. Outras três áreas de acumulações marginais também receberam ofertas, com bônus de R$ 1,594 milhão.
O resultado evidencia a disposição dos agentes em assumir compromissos exploratórios em diferentes bacias sedimentares brasileiras, ampliando a atividade de exploração tanto em áreas terrestres quanto marítimas.
Partilha tem sete blocos arrematados
No 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha, sete dos 13 blocos ofertados foram arrematados, resultado considerado recorde para o modelo de partilha.
O certame garantiu R$ 530,47 milhões em bônus de assinatura e prevê R$ 778,43 milhões em investimentos. As ofertas apresentaram diferentes níveis de ágio sobre o excedente em óleo destinado à União. O maior percentual de ágio foi registrado no bloco Rodocrosita, com 494,64%. O bloco Hematita teve ágio de 315,79%, seguido por Azurita, com 139,81%; Magnetita, com 132,79%; Jade, com 65,76%; Rubi, com 91,72%; e Cruzeiro do Sul, com 8,07%.
As propostas vencedoras também estabeleceram diferentes percentuais de excedente em óleo para a União, conforme as características e condições de cada área.
IBP vê sinal de confiança no setor
Para o presidente do IBP, Roberto Ardenghy, a realização simultânea dos dois ciclos representa uma sinalização relevante para os investidores, especialmente diante do ambiente internacional de maior instabilidade.
“Em um momento de instabilidades geopolíticas globais, o Brasil se mostra um ótimo porto de investimentos, com diversas fronteiras exploratórias offshore e onshore. O resultado dos leilões reflete a confiança das empresas no setor de óleo e gás brasileiro. Além disso, vale lembrar que a manutenção da oferta dos leilões pela ANP é fundamental para o processo de reposição de reservas e da segurança energética do país”, disse Roberto Ardenghy, presidente do IBP.
A avaliação do instituto é que a continuidade dos ciclos de oferta contribui para dar previsibilidade à indústria e manter uma carteira de áreas exploratórias capaz de sustentar a reposição de reservas no médio e longo prazo.
Investimentos exploratórios superam R$ 2,3 bilhões
Considerados os dois modelos, os certames estabeleceram mais de R$ 2,36 bilhões em investimentos mínimos previstos na fase exploratória, além dos bônus de assinatura. No regime de concessão, os compromissos chegam a R$ 1,58 bilhão. Na partilha, os investimentos previstos somam R$ 778,43 milhões.
O resultado amplia a carteira de projetos de exploração e cria novas frentes para empresas interessadas em ativos de óleo e gás no país. Para o setor, a manutenção da oferta permanente também funciona como mecanismo de continuidade na disponibilização de áreas, reduzindo a dependência de rodadas isoladas.
Resultado reforça estratégia de reposição de reservas
Os números dos dois ciclos ocorrem em um momento em que a reposição de reservas permanece entre os principais desafios estruturais da indústria brasileira de óleo e gás. A combinação de áreas offshore e onshore amplia a diversidade da carteira exploratória e mantém o Brasil como destino relevante para investimentos em exploração e produção.
Na leitura do IBP, o desempenho dos leilões confirma a atratividade do ambiente brasileiro para capital de longo prazo e reforça a importância da previsibilidade regulatória para a continuidade dos investimentos.


