Atualizações impactam consumidores residenciais e comerciais em 127 mil unidades do RS, PR e SP; aumentos chegam a 46% em algumas localidades, puxados por encargos setoriais e custos operacionais
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou os Reajustes Tarifários Anuais de 19 empresas responsáveis pela distribuição de energia elétrica em áreas urbanas e rurais dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. As novas tarifas passam a vigorar entre os dias 22 e 30 de julho de 2025, conforme o calendário estabelecido para permissionárias e concessionárias.
A decisão impacta diretamente cerca de 127 mil unidades consumidoras nos municípios atendidos e leva em consideração os critérios estabelecidos no módulo 8 dos Procedimentos de Regulação Tarifária (Proret), atualizado pela Resolução Normativa nº 1.058/2023. Os efeitos médios autorizados variam de -4,56% a até 43,91%, dependendo da estrutura de custos de cada distribuidora.
Altos custos com encargos e energia pressionam tarifas
De acordo com a ANEEL, os principais fatores que pressionaram os reajustes foram “os custos com pagamento de encargos setoriais, atividades de distribuição, compra de energia, transporte de energia e componentes financeiros”.
Nas permissionárias, o maior aumento foi registrado pela Cooperativa de Distribuição de Energia Entre Rios Ltda (Certhil), no Rio Grande do Sul, que terá um reajuste médio de 43,91%, com impacto de 46,83% nas tarifas da classe B1 (residencial). Outros reajustes expressivos incluem a Cooperluz (+14,50%) e a Castro Dis (+12,89%).
Entre as permissionárias com redução tarifária destacam-se a Ceral DIS (PR), com queda média de -4,55%, e a Celetro (RS), com -4,56%.
As 14 permissionárias com reajuste aprovado são a Ceral DIS (PR), Ceriluz (RS), Ceris (SP), Cermissões (RS), Cernhe (SP), Certaja (RS), Certel (RS), Cooperluz (RS), Coprel (RS), Creluz-D (RS), Creral (RS), Cerfox (RS), Certhil (RS), Castro Dis (PR), Celetro (RS)
Concessionárias do RS também terão novas tarifas a partir de julho
Além das cooperativas, outras cinco concessionárias do Rio Grande do Sul — Demei, Eletrocar, Hidropan, Mux Energia e Nova Palma Energia — também tiveram os reajustes anuais aprovados pela agência. Os novos índices já entraram em vigor no dia 22 de julho.
A Eletrocar foi a concessionária com maior impacto tarifário médio, com 20,94% de aumento, sendo 24,96% para consumidores de alta tensão. Na outra ponta, a Nova Palma Energia terá um reajuste mais moderado, com 1,58% de efeito médio.
Confira os efeitos médios de reajuste autorizados para as concessionárias:
Demei (Ijuí-RS): 8,54%
Eletrocar (Carazinho-RS): 20,94%
Hidropan (Panambi-RS): 13,49%
Mux Energia: 9,29%
Nova Palma Energia: 1,58%
Estrutura tarifária considera tensionamento por classe de consumo
A ANEEL destacou que o efeito médio da alta tensão abrange consumidores das classes A1 a A4, como indústrias e grandes serviços. Já os valores de baixa tensão consideram desde clientes residenciais (classe B1) até setores comerciais, rurais, iluminação pública e serviço público.
Na estrutura tarifária, as quotas anuais da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) também foram atualizadas. Esses encargos impactam diretamente o custo da energia, especialmente em distribuidoras de menor porte, que enfrentam desafios de escala e menor diluição de custos.
Regulação busca equilíbrio entre sustentabilidade econômica e modicidade tarifária
As decisões da ANEEL refletem os desafios de manter a sustentabilidade econômica das distribuidoras de menor porte, muitas delas operando em áreas rurais ou com baixa densidade populacional, e, ao mesmo tempo, preservar a modicidade tarifária para os consumidores.
Em nota, a agência reiterou que “os reajustes seguem critérios técnicos estabelecidos na regulação e visam garantir a continuidade do fornecimento com qualidade e segurança”.
A combinação entre elevação de custos setoriais e oscilações nos contratos de compra de energia continua sendo um fator crítico para as revisões tarifárias em um cenário de transição energética e transformação do setor elétrico brasileiro.



