Projeto-piloto em 20 torres de 230 kV em Alagoas combina dispositivos inibidores de pouso e ninhos artificiais para proteger carcarás e aumentar a confiabilidade operacional; iniciativa será ampliada no Nordeste.
A AXIA Energia iniciou a expansão de uma solução para reduzir interferências de aves silvestres na operação de linhas de transmissão. Testado desde 2024 em 20 torres de 230 kV em Alagoas, o projeto combina dispositivos para dificultar o pouso e a construção de ninhos em pontos críticos com plataformas artificiais que oferecem locais alternativos para a reprodução dos carcarás (Caracara plancus).
A iniciativa busca enfrentar um problema com impacto ambiental e operacional: a presença de aves nas estruturas de transmissão pode contribuir para desligamentos de energia. A estratégia foi desenvolvida conjuntamente pelas áreas de Meio Ambiente, Operação e Manutenção da companhia, com monitoramento periódico do comportamento dos animais e avaliação das intervenções.
Piloto compara torres com e sem intervenções
O projeto foi implantado na linha de transmissão Rio Largo II–Arapiraca III, em Alagoas. As 20 torres foram selecionadas com base na recorrência de desligamentos associados à presença de aves, na acessibilidade e na proximidade da Subestação Rio Largo. Metade das estruturas recebeu os dispositivos de inibição de pouso, espículas em pontos críticos e plataformas artificiais para nidificação. As demais foram mantidas como grupo de controle, permitindo comparar as condições observadas durante o acompanhamento.
O monitoramento mensal, apoiado por câmeras, permitiu observar a resposta dos carcarás às estruturas instaladas e ajustar as medidas adotadas. De acordo com Jader Fernandes de Jesus, diretor de Licenciamento Ambiental e Condicionantes da AXIA Energia, o projeto foi concebido para atender à demanda da operação por redução de danos ao sistema elétrico, preservando o ciclo de vida das aves. Diante dos resultados considerados positivos pela empresa, a iniciativa será replicada em outros ativos.
Ninhos artificiais permitem reprodução em local seguro
Um dos resultados relatados pela companhia foi a transferência de um ninho construído em posição crítica, muito próximo à linha de alta tensão, para uma plataforma artificial instalada na própria torre, em local considerado mais seguro. O casal de carcarás manteve o ciclo reprodutivo na nova estrutura, com postura, desenvolvimento do filhote e voo. Segundo a empresa, o processo ocorreu sem impactos à operação da linha e sem necessidade de interação direta com os animais durante a reprodução.
O manejo é realizado em momento planejado, quando as aves estão ausentes, com atuação rápida das equipes. A experiência também levou à adoção de vistorias regulares em conjunto com a manutenção, para identificar novos ninhos ainda no início da construção e permitir uma intervenção oportuna.
Cipó biodegradável é usado nas plataformas
As plataformas artificiais são cestos confeccionados em cipó, material natural e biodegradável escolhido por sua resistência mecânica, adaptação às condições climáticas e características semelhantes às estruturas utilizadas naturalmente pelas aves.
A companhia também adquiriu os cestos de fornecedores regionais, associando a solução ambiental à valorização do trabalho artesanal local.
AXIA prevê expansão para outros estados
Após o piloto, a AXIA Energia aprovou a ampliação do projeto para outros ativos no Nordeste, com prioridade para Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, além da continuidade das ações em Alagoas.
A empresa também prevê testar materiais alternativos, aperfeiçoar os dispositivos de inibição e ampliar o uso de tecnologias de monitoramento. A aplicação em outras espécies e regiões está entre as possibilidades futuras. A replicação dependerá da adaptação das medidas às características de cada ativo e às espécies presentes, mantendo como objetivos a redução de interferências na transmissão e a proteção da fauna.



