ABSAE lança o Projeto Visão 2030 para integrar o armazenamento de energia ao setor elétrico brasileiro

Estudo apresentado na Intersolar South America 2026 propõe coordenação estratégica pelo CNPE, aprimoramento de marcos regulatórios e novos sinais econômicos para consolidar sistemas BESS e fontes de flexibilidade até o final da década.

O mercado brasileiro de armazenamento de energia elétrica ganha um novo marco de planejamento com o lançamento do Projeto Visão 2030 pela Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE). Apresentada durante a Intersolar South America 2026, a iniciativa estabelece uma agenda integrada voltada a alinhar regulação, incentivos econômicos, planejamento energético e diretrizes industriais, com o propósito de inserir o armazenamento de forma recorrente na expansão e na operação do sistema elétrico nacional.

A formulação da estratégia fundamenta-se nas transformações estruturais decorrentes da alta penetração de fontes renováveis variáveis na matriz elétrica, cuja integração intensifica a demanda por atributos como potência instantânea, flexibilidade operativa, controle de frequência e resiliência sistêmica. Nesse horizonte, a utilização de sistemas de baterias (BESS) e outras tecnologias de armazenamento sobressai como alternativa para otimizar o uso da infraestrutura de rede, deslocar blocos de energia no atendimento às pontas de consumo e mitigar restrições operacionais.

O avanço desse mercado reflete-se diretamente nos instrumentos de planejamento oficial do setor. As projeções indicam que a indicação de BESS centralizado nos ciclos do Plano Decenal de Expansão (PDE) saltou de 800 MW para 6.631 MW, evidenciando tanto a robustez técnica das soluções quanto a sensibilidade regulatória na atração de investimentos para o segmento.

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Crescimento descentralizado e avanço dos leilões de capacidade

A consolidação da tecnologia no país manifesta-se em duas frentes simultâneas: os grandes empreendimentos voltados à prestação de serviços sistêmicos e a expansão descentralizada em instalações comerciais e industriais. O dinamismo do setor é ilustrado pela expressiva adesão ao primeiro Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) dedicado ao armazenamento por baterias, cujo certame está programado para dezembro de 2026 e registrou o cadastramento de 6.091 empreendimentos, somando 297 GW em potencial ofertado.

Paralelamente à infraestrutura centralizada, o segmento distribuído acumula cerca de 1,9 GWh em vendas de sistemas BESS no mercado nacional, com a comercialização de aproximadamente 730 MWh concentrada ao longo de 2025. Para as lideranças industriais, a expansão simultânea em frentes centralizadas e distribuídas aponta para a urgência de convergir marcos regulatórios que sustentem a permanência da atividade sem dependência de mecanismos excepcionais.

A estruturação dessa nova fase exige que o marco regulatório evolua para remunerar adequadamente a pluralidade de serviços prestados pelos ativos de armazenamento, que abrangem desde a provisão de energia e potência até serviços ancilares, suporte de tensão e otimização das redes de distribuição e transmissão.

Governança estratégica e coordenação interministerial

Para superar os entraves regulatórios e institucionais que fragmentam o desenvolvimento do setor, a Visão 2030 propõe que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) assuma a coordenação estratégica de uma Política Nacional de Armazenamento. A medida prevê a criação de um Grupo de Trabalho Interministerial encarregado de articular pautas como o acesso a instrumentos de financiamento e incentivos fiscais, a modernização de tarifas, o aprimoramento de regras de segurança e o licenciamento ambiental.

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O direcionamento técnico do plano apoia-se em premissas de neutralidade tecnológica, permitindo que BESS, usinas hidrelétricas reversíveis e soluções correlatas compitam com base em desempenho, localização, duração e eficiência econômica. O objetivo central é estabelecer um ambiente normativo em que o armazenamento seja avaliado de forma natural sempre que representar a alternativa mais competitiva para a segurança e a flexibilidade do sistema elétrico brasileiro.

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