CEO da Necta Gás Natural assume colegiado com prioridade para infraestrutura, conexão entre produtores e consumidores e expansão dos mercados de biometano
O Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás) elegeu o CEO da Necta Gás Natural, José Eduardo Moreira, para a presidência do Conselho de Administração. A nova gestão assume com a agenda de ampliar a escala comercial do biometano, aproximando a produção de biogás e biometano da infraestrutura de escoamento e dos mercados consumidores.
A mudança ocorre em um momento de expansão das discussões sobre combustíveis renováveis para substituição de fontes fósseis, especialmente em segmentos como indústria, transporte pesado e cogeração. Para o CIBiogás, o desafio passa por transformar o potencial de produção associado a resíduos agropecuários e industriais em projetos com escala, competitividade e acesso ao mercado.
Moreira tem mais de 25 anos de experiência nos setores de energia, infraestrutura e gás canalizado, com passagens por Comgás, Commit Gás e Necta, além de ter ocupado a vice-presidência da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (COGEN).
Infraestrutura é gargalo para expansão
A estratégia do novo presidente do Conselho coloca a conexão entre oferta e demanda no centro da agenda do biometano. A expansão dos projetos depende de infraestrutura capaz de transportar ou distribuir os volumes produzidos e de condições regulatórias que deem previsibilidade aos investimentos.
Ao assumir o cargo, Moreira destacou a necessidade de avançar da identificação do potencial brasileiro para a implantação de projetos em escala comercial: “O Brasil possui uma oportunidade extraordinária de transformar seu potencial de produção de biogás e biometano em uma verdadeira plataforma de desenvolvimento econômico, segurança energética e descarbonização. Nosso desafio agora é acelerar a conexão entre produção, infraestrutura e consumo, criando as condições para que esse mercado ganhe escala, competitividade e protagonismo na transição energética brasileira.”
O uso de redes de distribuição de gás canalizado aparece como uma das alternativas para viabilizar a expansão do mercado. Experiências de interiorização do gás e de injeção de biometano em redes locais, como as citadas pelo CIBiogás no noroeste paulista, indicam caminhos para integrar novos volumes à infraestrutura existente.
Agronegócio ganha peso na nova governança
A composição do Conselho também reforça a aproximação entre o setor energético e o agronegócio. Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), foi eleito vice-presidente do colegiado.
A integração é estratégica para o biogás porque resíduos de atividades agropecuárias constituem uma das bases para a produção do combustível renovável. A conexão entre unidades produtoras, infraestrutura de gás e consumidores pode ampliar as possibilidades de aproveitamento energético desses resíduos.
A nova estrutura também busca combinar competências técnicas, industriais e mercadológicas na condução do CIBiogás. O diretor-presidente da instituição, Felipe Marques, avalia que a mudança na composição do Conselho acompanha uma nova etapa de desenvolvimento do setor: “Contar com a experiência e visão mercadológica dos novos conselheiros vai fazer com que o CIBiogás entregue ao país maior robustez tecnológica e ganho de espaço no mercado nacional”.
Biometano mira indústria e transporte pesado
O biometano pode ser utilizado em aplicações que atualmente dependem de combustíveis fósseis, inclusive no transporte rodoviário pesado, na indústria e em sistemas de cogeração. A expansão desses mercados, entretanto, depende não apenas da disponibilidade do combustível, mas também de logística, infraestrutura, conexão e competitividade econômica.
A agenda ganha relevância diante da necessidade de reduzir o uso de combustíveis fósseis em setores de difícil eletrificação. No transporte pesado, por exemplo, o biometano pode ser empregado como combustível veicular, enquanto na indústria pode substituir parte do consumo de gás natural ou outros combustíveis, dependendo das características da aplicação.
Para o novo presidente do Conselho, a próxima etapa do setor exige uma mudança de foco, com maior ênfase na execução dos projetos e na conexão efetiva entre oferta e demanda: “Precisamos avançar de uma agenda predominantemente baseada no potencial para uma agenda de execução, investimentos e resultados. O biometano já demonstrou sua viabilidade tecnológica e ambiental. O próximo passo é ampliar sua competitividade e disponibilidade, conectando produtores e consumidores em diferentes regiões do Brasil. Essa transformação exige visão sistêmica, cooperação e capacidade de realização.”
Conselho terá foco em mercado e expansão
Para o próximo biênio, a agenda do Conselho deverá priorizar a redução de gargalos de infraestrutura e a abertura de novos mercados para o biometano. Entre os segmentos considerados estratégicos está o transporte rodoviário pesado, especialmente em aplicações relacionadas à substituição do diesel.
A nova governança também pretende ampliar a integração entre produção agropecuária, geração de biogás, upgrading para biometano, redes de distribuição e consumidores finais.
O movimento desloca o debate sobre o combustível renovável para uma etapa em que a capacidade de produção precisa ser acompanhada pela infraestrutura necessária para colocar o produto no mercado. Nesse contexto, escala, previsibilidade regulatória e conexão com consumidores passam a ser fatores determinantes para a expansão da cadeia.



