Acordo de 10 anos prevê fornecimento de 60 GWh anuais de gás renovável e redução de mais de 10,9 mil toneladas de CO₂ por ano a partir de 2027
ENGIE e PepsiCo assinam contrato de 10 anos para biometano e consolidam modelo de “gás verde” na indústriaA ENGIE deu mais um passo relevante na consolidação do biometano como vetor estratégico da transição energética europeia ao assinar um contrato de fornecimento de longo prazo com a PepsiCo UK. O Acordo de Compra de Biometano (BPA, na sigla em inglês), com duração de dez anos, é considerado inédito para a indústria de alimentos e bebidas no Reino Unido e marca também a primeira iniciativa desse porte da PepsiCo na região EMEA (Europa, Oriente Médio e África).
O contrato prevê a construção, pela ENGIE, de uma nova planta de digestão anaeróbica, que passará a fornecer 60 GWh de biometano por ano à cadeia de suprimentos da PepsiCo UK – volume equivalente ao consumo anual de gás de aproximadamente 5.000 residências. A expectativa é que a unidade entre em operação em 2027, contribuindo diretamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa da multinacional.
De acordo com as estimativas do projeto, o uso do biometano deverá evitar a emissão de mais de 10.900 toneladas de CO₂ por ano, reforçando o papel do gás renovável como solução concreta para a descarbonização de processos industriais intensivos em energia.
Biometano como alavanca da transição energética
No Reino Unido, a ENGIE já opera quatro usinas de biogás localizadas no sudoeste da Inglaterra e injeta mais de 210 GWh de biometano anualmente na rede de gás do país. Essa produção local tem sido apontada como um elemento-chave para o fortalecimento da soberania energética britânica e para a redução da dependência de combustíveis fósseis importados.
O novo contrato com a PepsiCo se insere nesse contexto de expansão da oferta de gás renovável e de consolidação de modelos de negócios baseados em contratos de longo prazo, que garantem previsibilidade de receita e viabilizam investimentos em infraestrutura.
A iniciativa está diretamente alinhada ao plano de expansão da ENGIE, que enxerga no biometano um pilar fundamental para a resiliência do sistema energético. Ao comentar o novo contrato, a vice-presidente executiva de Infraestruturas do grupo, Cécile Prévieu, ressaltou que parcerias de longo prazo são o motor para a autonomia do continente.
“Este novo projeto ilustra a estratégia da ENGIE de acelerar o desenvolvimento do biometano para a indústria por meio de contratos de fornecimento de longo prazo, essenciais para a soberania energética europeia e a descarbonização da sua economia. Confirma também a posição do Grupo como um dos principais produtores de biometano no Reino Unido, um mercado europeu particularmente promissor. Esta nova unidade contribuirá para a nossa ambição de atingir 10 TWh de capacidade de produção anual de biometano na Europa”, destacou.
Atualmente, a ENGIE opera 1,2 TWh de capacidade anual de produção de biometano distribuídos em 42 unidades na França, Inglaterra, Bélgica e Holanda. O grupo também fornece mais de 7 TWh de gás verde aos seus clientes e tem como meta alcançar 30 TWh até 2030.
Descarbonização na indústria de alimentos
Para a PepsiCo UK, o contrato representa um avanço relevante dentro da estratégia global de sustentabilidade da companhia, batizada de PepsiCo Positive (pep+). A empresa tem metas de redução de emissões em toda a sua cadeia de valor e vem priorizando soluções energéticas de baixo carbono para suas operações industriais.
Ao detalhar a importância do biometano para as metas de net zero, a gerente sênior de sustentabilidade da PepsiCo UK, Sian Hamson, reforçou que o combustível renovável é a solução ideal para a escala industrial.
“Como parte de nossas ambições PepsiCo Positive (pep+), a redução de nossas emissões de gases de efeito estufa continua sendo uma prioridade fundamental para nossas operações no Reino Unido. Como uma fonte de energia de baixo carbono produzida localmente, o biometano será um fator-chave em nossa estratégia de descarbonização, e temos orgulho de sermos parceiros da ENGIE, que está construindo esta instalação e ajudará a injetar mais biogás na rede do Reino Unido”, ressaltou.
O acordo também sinaliza uma tendência mais ampla de eletrificação e substituição de combustíveis fósseis na indústria de alimentos e bebidas, setor tradicionalmente dependente de gás natural para processos térmicos e que enfrenta crescente pressão regulatória e de consumidores para reduzir sua pegada de carbono.
Investimento e política energética
O aporte de 70 milhões de libras conta com o respaldo direto de Londres, que enxerga no biometano um pilar para a soberania energética e o fortalecimento regional. O ministro de Estado para Segurança Energética e Net Zero, Alan Whitehead, ressalta que o impacto do projeto transcende a agenda climática e impulsiona a economia real.
“Este investimento de 70 milhões de libras em energia renovável impulsionará o crescimento no norte da Inglaterra. A produção de biometano e as parcerias entre empresas como a ENGIE e a PepsiCo demonstram que a indústria apoia a missão do governo de promover energia limpa e produzida localmente”, detalhou.
O posicionamento do governo reforça o papel do biometano dentro das políticas públicas britânicas de transição energética, especialmente em um contexto de volatilidade geopolítica, aumento dos preços da energia e necessidade de reduzir a dependência de gás natural importado.
O papel estratégico do biometano
O biometano é uma alternativa 100% renovável ao gás natural fóssil, produzido a partir da digestão anaeróbica de resíduos orgânicos, como restos agrícolas, resíduos industriais e efluentes urbanos. O processo resulta em uma molécula quimicamente idêntica ao gás natural, o que permite sua injeção direta nas redes existentes, sem necessidade de adaptações técnicas em dutos, instalações industriais ou equipamentos.
Do ponto de vista ambiental, o biometano reduz as emissões de carbono em pelo menos 80% ao longo do ciclo de vida, em comparação ao gás natural, além de contribuir para a gestão de resíduos e para a melhoria da qualidade do ar.
Nesse sentido, contratos como o firmado entre ENGIE e PepsiCo ilustram como o gás renovável vem se consolidando como um dos pilares da transição energética para setores industriais de difícil eletrificação, funcionando como solução complementar à expansão das fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica.
Ao integrar sustentabilidade, segurança energética e competitividade industrial, o projeto reforça a percepção de que o biometano tende a ocupar papel cada vez mais relevante no mix energético europeu ao longo da próxima década.



