Carlos Evangelista deixa presidência da ABGD após uma década à frente da consolidação da geração distribuída no Brasil

Fundador da associação, executivo encerra ciclo marcado pela construção do marco legal do setor, fortalecimento institucional e expansão da GD para mais de 44 GW instalados no país

A Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) inicia um novo capítulo em sua trajetória institucional. Após dez anos à frente da entidade, o fundador e presidente executivo Carlos Evangelista anunciou sua decisão de deixar o cargo, encerrando um ciclo que se confunde com a própria consolidação da geração distribuída como agenda estratégica do setor elétrico brasileiro.

Desde a criação da ABGD, em 2015, Evangelista liderou a estruturação da associação em um período de profundas transformações regulatórias, tecnológicas e de mercado. Ao longo dessa década, a geração distribuída deixou de ser um tema periférico para se tornar um dos vetores centrais da transição energética no país, com impacto direto sobre a expansão da matriz elétrica, a descentralização da oferta e o empoderamento do consumidor.

Uma década de protagonismo institucional

Sob a liderança de Carlos Evangelista, a ABGD se consolidou como uma das principais entidades representativas do setor elétrico nacional, com interlocução direta junto ao Congresso Nacional, à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), ao Ministério de Minas e Energia, além de diálogo permanente com outras associações, universidades e a imprensa especializada.

- Advertisement -

A atuação institucional da entidade foi particularmente relevante nos debates que resultaram na construção do marco legal da geração distribuída, estabelecido pela Lei nº 14.300/2022. Ao longo desse processo, a ABGD se destacou pela produção de estudos técnicos, pela participação em audiências públicas e pela defesa de um ambiente regulatório previsível e juridicamente seguro para investidores, consumidores e empresas do setor.

Crescimento do setor reflete amadurecimento regulatório

O desempenho da geração distribuída ao longo da última década traduz, na prática, o ambiente institucional construído nesse período. De acordo com dados do PowerBI da ANEEL, o segmento já soma mais de 44 GW de potência instalada, com cerca de 3,9 milhões de sistemas em operação e aproximadamente 21 milhões de brasileiros diretamente beneficiados.

Esse avanço posiciona a GD como um dos pilares da expansão da capacidade elétrica no Brasil, contribuindo para a diversificação da matriz, a redução de perdas, o alívio sobre o sistema de transmissão e a democratização do acesso à energia, especialmente por meio da fonte solar fotovoltaica.

A visão de Carlos Evangelista sobre sua saída

Ao comunicar oficialmente sua decisão, Carlos Evangelista fez questão de destacar o caráter coletivo da trajetória da ABGD e relativizar o protagonismo individual em um processo institucional de longo prazo.

- Advertisement -

“Nada do que foi construído é obra individual. A ABGD é resultado do trabalho conjunto de conselheiros, diretores, associados, equipes técnicas, parceiros institucionais e colaboradores que compartilharam a mesma visão ao longo desses dez anos”, afirmou.

Na sequência, ao contextualizar os motivos da transição, o executivo ressaltou que a mudança representa um movimento natural dentro da governança de entidades maduras.

“É o momento natural de transição, com serenidade, senso de missão cumprida e confiança de que a ABGD seguirá cumprindo seu papel com relevância e responsabilidade”, destacou.

Continuidade institucional e novos desafios

Mesmo com a saída de seu fundador da presidência executiva, a ABGD informou que dará continuidade às suas atividades institucionais sem alterações em sua agenda estratégica. A entidade seguirá atuando na defesa técnica, econômica e regulatória da geração distribuída, em um contexto que passa a exigir atenção redobrada a temas como modernização das tarifas, integração de armazenamento, eletromobilidade e digitalização do sistema elétrico.

Carlos Evangelista, por sua vez, permanecerá acompanhando o setor e se dedicará a novos projetos profissionais, com foco em inovação, iniciativa privada e transição energética. Sua saída ocorre em um momento de maturidade da GD, mas também de novos desafios regulatórios, especialmente diante da necessidade de reequilibrar incentivos, redesenhar sinais tarifários e integrar a geração descentralizada à operação do sistema de forma cada vez mais sofisticada.

Um legado para a transição energética

A saída de Carlos Evangelista da presidência da ABGD simboliza, ao mesmo tempo, o encerramento de um ciclo e a consolidação de um legado institucional. Ao longo de dez anos, a entidade ajudou a moldar o ambiente regulatório que viabilizou a expansão acelerada da geração distribuída no Brasil, transformando consumidores em agentes ativos do setor elétrico e reposicionando a GD como elemento central da transição energética.

Em um cenário de crescente complexidade do sistema elétrico, marcado por descentralização, digitalização e novas tecnologias, o desafio agora passa a ser garantir que esse legado se traduza em estabilidade institucional, previsibilidade regulatória e capacidade de inovação permanente.

Destaques da Semana

Petrobras define indicações para Conselhos de Administração e Fiscal de 2026

Governo propõe recondução de Magda Chambriard e Bruno Moretti...

O MW como Ativo Imobiliário: A Nova Fronteira dos Data Centers no Brasil

Especialistas da Capacity analisam por que o custo da...

Enel SP contesta processo de caducidade na ANEEL, aponta “vácuo normativo” e pede arquivamento

Distribuidora rebate Nota Técnica nº 9/2026-SFT, questiona uso de...

Artigos

Últimas Notícias