MBRF estreia no ICO2 da B3 e reforça estratégia de descarbonização ancorada em energia renovável

Entrada no Índice Carbono Eficiente marca primeiro ano da companhia pós-fusão e sinaliza maturidade climática ao mercado financeiro

A estreia da MBRF na carteira 2026 do Índice Carbono Eficiente da B3 (ICO2) consolida a estratégia de descarbonização da companhia em seu primeiro ano de operação sob a nova estrutura corporativa, resultante da fusão entre Marfrig e BRF. A inclusão no indicador, que reúne empresas com elevado grau de transparência e eficiência na gestão de emissões de gases de efeito estufa (GEE), posiciona a gigante global de alimentos entre as companhias mais avançadas do mercado brasileiro em agenda climática e transição energética.

Das 94 empresas avaliadas pela B3 para o ciclo 2026, apenas 65 foram selecionadas para compor o índice, que exige inventários de emissões auditáveis, metas públicas e consistentes, além de governança climática integrada à estratégia corporativa. Para a MBRF, a entrada no ICO2 vai além do reconhecimento reputacional: funciona como um sinal claro ao investidor institucional de que a companhia incorpora risco climático, energia e sustentabilidade como vetores centrais de decisão.

Governança climática e alinhamento ao Acordo de Paris

A seleção para o Índice Carbono Eficiente reflete um conjunto de compromissos que já estavam presentes nas operações da Marfrig e da BRF, agora ampliados em escala e integração. Entre os critérios atendidos estão a vinculação de metas climáticas à remuneração variável da alta liderança, o reporte público e recorrente de emissões e a existência de um plano de transição alinhado ao objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C, conforme o Acordo de Paris.

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Esse arcabouço de governança ganhou ainda mais robustez com a validação das metas da companhia pela Science Based Targets initiative (SBTi), referência global na definição de trajetórias corporativas compatíveis com a ciência do clima. Em um ambiente de maior escrutínio por parte de fundos, bancos e seguradoras, esse alinhamento reduz a percepção de risco e amplia o acesso a capital.

Energia renovável como pilar da estratégia industrial

No campo da energia elétrica, a MBRF apresenta indicadores que dialogam diretamente com os critérios do ICO2. Atualmente, cerca de 50% da matriz elétrica utilizada em suas unidades industriais é composta por fontes renováveis, resultado de contratos de energia limpa, autoprodução e projetos de eficiência energética. Esse avanço é particularmente relevante em um setor intensivo em energia, como o de alimentos processados.

A estratégia também se estende à base produtiva. Aproximadamente 60% da criação de aves e suínos vinculada à companhia já utiliza energia solar, contribuindo para a redução das emissões dos escopos 2 e 3, que concentram os maiores desafios para empresas do agronegócio e da indústria de alimentos.

Ao analisar o posicionamento da companhia no ICO2, Paulo Pianez, diretor de Sustentabilidade da MBRF, pontuou que o reconhecimento é o resultado prático da unificação de metas ambiciosas no pós-fusão. Para o executivo, o ingresso na carteira da B3 coroa um processo de sinergia focado na resiliência climática.

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“A inclusão da MBRF na carteira do ICO2 B3 evidencia a robustez das práticas para mitigação e adaptação climáticas da companhia e reflete a consolidação de uma trajetória construída por Marfrig e BRF, já reconhecidas individualmente pela eficiência na gestão das emissões. Agora, ampliamos esse legado, com uma atuação integrada, em maior escala e com compromisso permanente com a agenda climática”, afirma..

Eficiência, inovação e monetização da agenda climática

Além da transição energética, a MBRF tem avançado em frentes que conectam sustentabilidade, eficiência operacional e inovação financeira. A companhia se destaca na geração de créditos de carbono certificados, com um modelo que prevê a repartição de resultados ao longo da cadeia produtiva, reforçando o engajamento de fornecedores e produtores integrados.

Outro eixo relevante é o desenvolvimento de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), em parceria com a Embrapa. A adoção desses sistemas contribui para o sequestro de carbono, a melhoria da produtividade do solo e a redução da pressão por abertura de novas áreas, um ponto sensível para investidores atentos ao risco de desmatamento.

A estratégia climática da holding está estruturada em quatro frentes principais: garantia de cadeia livre de desmatamento, fomento à agropecuária de baixo carbono, aceleração da transição energética e ganhos contínuos de eficiência operacional. Investimentos em melhoramento genético, que reduzem o tempo de ciclo dos animais e, consequentemente, as emissões de metano, e em manejo adequado de pastagens complementam esse ecossistema de soluções.

Sinalização ao mercado e conexão com o setor elétrico

A entrada da MBRF no ICO2 ocorre em um momento em que o mercado de capitais brasileiro intensifica a integração entre critérios ESG, risco climático e decisões de alocação. Para o setor elétrico, o movimento reforça a crescente demanda corporativa por energia renovável, contratos de longo prazo e soluções de autoprodução, especialmente entre grandes consumidores industriais.

Ao consolidar uma matriz elétrica mais limpa e metas climáticas validadas internacionalmente, a MBRF se posiciona como um agente relevante na transição energética do lado da demanda, reforçando o papel da indústria como vetor de escala para fontes renováveis no país.

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