Lucro da Copel cai 68,5% no 3º trimestre, mas Ebitda cresce com avanço operacional

Resultado líquido é impactado por efeitos não recorrentes, enquanto receita e eficiência operacional sustentam desempenho positivo no trimestre

A Companhia Paranaense de Energia (Copel) registrou lucro líquido de R$ 383,1 milhões no terceiro trimestre de 2025, uma queda de 68,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme balanço divulgado nesta quarta-feira (12). Apesar da retração expressiva no resultado líquido, o desempenho operacional da companhia apresentou evolução consistente, refletida no Ebitda recorrente de R$ 1,3 bilhão, crescimento de 7,8% frente ao 3º trimestre de 2024.

O resultado reforça o movimento da empresa em consolidar ganhos de eficiência após a privatização e avançar na transição de portfólio para ativos mais rentáveis, mesmo diante de um cenário de pressão nos custos e volatilidade hidrológica.

Ebitda recorrente cresce 7,8% e receita avança quase 19%

De julho a setembro, a receita operacional líquida da Copel somou R$ 6,8 bilhões, um aumento de 18,7% sobre o mesmo intervalo do ano passado. Esse desempenho foi impulsionado principalmente pelo crescimento do mercado cativo, maiores volumes de energia distribuída e reajustes tarifários aplicados no ciclo 2024/2025.

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A melhora do Ebitda recorrente, que desconsidera efeitos não recorrentes, reflete o avanço da eficiência operacional e o controle de despesas. Com isso, o indicador atingiu R$ 1,3 bilhão, mostrando robustez no desempenho das operações mesmo em um trimestre de menor resultado líquido.

O recuo no lucro líquido, segundo analistas do setor, decorre sobretudo de efeitos extraordinários registrados em 2024, como reversões contábeis e ganhos não recorrentes, o que torna a base de comparação menos favorável.

Estrutura financeira sólida e alavancagem controlada

De acordo com o balanço, a alavancagem financeira da Copel, medida pela relação dívida líquida/Ebitda, ficou em 2,8 vezes, excluindo os efeitos da aquisição da UHE Baixo Iguaçu. O índice segue dentro de patamares considerados saudáveis pelo mercado e demonstra que a companhia mantém capacidade de investimento e resiliência financeira.

A estratégia de desalavancagem e gestão ativa do endividamento tem sido uma das prioridades da Copel desde sua privatização. A empresa vem buscando otimizar o portfólio de ativos, reforçando a disciplina de capital e a alocação seletiva em projetos de geração e transmissão com maior retorno ajustado ao risco.

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O controle sobre o endividamento também é visto como essencial para sustentar o rating de crédito corporativo e garantir competitividade nos leilões do setor elétrico, sobretudo diante das oportunidades abertas pela expansão das energias renováveis e dos investimentos em infraestrutura elétrica no país.

Impactos conjunturais e perspectivas para o quarto trimestre

Embora o desempenho líquido tenha sido pressionado por efeitos contábeis e comparativos, os fundamentos operacionais da Copel permanecem sólidos. O avanço de quase 19% na receita e a elevação do Ebitda indicam resiliência operacional em meio a desafios macroeconômicos e climáticos.

Entre os fatores que podem influenciar os resultados dos próximos trimestres estão a evolução do regime de chuvas, com impacto direto sobre o custo da energia no mercado de curto prazo, e a gestão da carteira de contratos livres, que vem ganhando relevância com o avanço da abertura do mercado.

Copel mira consolidação após privatização

Desde a conclusão do processo de privatização, em 2023, a Copel tem se reposicionado como uma holding integrada de energia, com foco em geração, transmissão e distribuição, além de novas oportunidades em energia renovável e comercialização no mercado livre.

O desempenho do trimestre mostra que a empresa mantém base operacional eficiente e estrutura de capital sólida, o que reforça sua competitividade em um ambiente de transformação energética no Brasil.

Mesmo com a queda expressiva do lucro líquido, o avanço do Ebitda recorrente e da receita indica que a empresa segue fortalecendo suas operações principais, preparando-se para capturar oportunidades em um setor cada vez mais dinâmico e competitivo.

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