Brasil atinge recorde histórico na produção de gás natural com avanço do pré-sal

Produção total atinge 172,3 milhões de m³ por dia em maio e consolida o protagonismo do pré-sal, que responde por quase 80% do volume nacional; eficiência no aproveitamento chega a 97,5%

O Brasil bateu um novo recorde na produção de gás natural em maio de 2025, consolidando o crescimento acelerado do setor energético nacional. De acordo com dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta terça-feira (1º), o país produziu 172,3 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia — o maior volume mensal já registrado na história.

O avanço é impulsionado, principalmente, pelo desempenho do pré-sal, que segue como pilar da produção nacional. A camada respondeu por 79,8% do total produzido, com 136,75 milhões de metros cúbicos de gás extraídos diariamente a partir de 163 poços ativos, refletindo um crescimento de 1,8% em relação a abril e de 14,8% na comparação com maio de 2024.

Pré-sal impulsiona crescimento e reforça protagonismo

Desde que os campos do pré-sal passaram a operar de forma mais intensiva, o Brasil vem ampliando de forma contínua sua capacidade de produção. A estrutura geológica, localizada a profundidades superiores a 7 mil metros sob o nível do mar, tem se mostrado altamente produtiva, oferecendo alto fator de recuperação, maior estabilidade operacional e menores índices de declínio em comparação com campos convencionais.

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Esse avanço reforça o papel do Brasil como um player estratégico no mercado global de gás natural, sobretudo em um cenário internacional de reconfiguração da segurança energética e da busca por fontes de menor emissão de carbono — nas quais o gás natural tem se consolidado como combustível de transição.

Redução da queima e maior eficiência no aproveitamento

Um dos principais destaques do boletim da ANP foi o nível recorde de aproveitamento do gás produzido, que atingiu 97,5% em maio. O volume efetivamente disponibilizado ao mercado chegou a 55,41 milhões de metros cúbicos por dia, enquanto a queima do insumo — prática associada à falta de infraestrutura de escoamento ou demanda local — caiu para 4,29 milhões de m³/dia, representando uma redução de 13,9% em relação ao mês anterior.

Essa melhoria reflete os investimentos contínuos em infraestrutura de escoamento, processamento e transporte, especialmente nas regiões produtoras da Bacia de Santos. Também evidencia o compromisso do país em reduzir perdas, melhorar a eficiência energética e minimizar impactos ambientais, fatores essenciais em uma economia cada vez mais orientada para a sustentabilidade.

Perspectivas para o setor

O cenário positivo da produção de gás natural ocorre em um momento estratégico para o setor energético brasileiro. O governo federal tem sinalizado, por meio do Ministério de Minas e Energia (MME) e da própria ANP, uma série de medidas para estimular o desenvolvimento do mercado nacional de gás, com foco na diversificação da matriz energética, segurança de suprimento e atração de novos investimentos privados.

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Dentre as iniciativas em andamento, destacam-se o fortalecimento do Novo Mercado de Gás, que busca promover maior competitividade no segmento de transporte e distribuição, e a ampliação das redes de gasodutos para atender polos industriais e consumidores em regiões hoje desabastecidas.

Além disso, a demanda crescente por gás natural em setores como geração térmica, fertilizantes, indústria petroquímica e transporte cria um ambiente promissor para a consolidação de novos projetos e parcerias estratégicas — tanto domésticas quanto internacionais.

Papel estratégico do gás natural na transição energética

Considerado um combustível de transição, o gás natural desempenha papel central no processo de descarbonização da matriz energética. Em comparação ao carvão e ao óleo combustível, o gás emite menos CO₂ por unidade de energia gerada, sendo uma alternativa mais limpa e viável para a substituição de fontes fósseis intensivas.

Com o aumento da penetração de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, o gás também atua como fonte complementar de geração de energia, garantindo segurança e flexibilidade ao sistema elétrico nacional.

O marco alcançado em maio posiciona o Brasil de forma ainda mais competitiva para expandir seu mercado de gás, tanto no consumo interno quanto em futuras oportunidades de exportação para países vizinhos, com destaque para as regiões do Cone Sul.

Os números detalhados da produção podem ser consultados no Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural da ANP.

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