Iniciativa do MIDR em parceria com o Banco do Brasil apoia empreendimentos na criação de projetos voltados à conservação ambiental e uso de biodigestores, com foco no mercado de carbono e na redução das desigualdades regionais
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) deu início a uma importante iniciativa voltada ao fortalecimento do mercado de carbono e ao incentivo ao desenvolvimento regional sustentável no Brasil. Em parceria com o Banco do Brasil (BB), a pasta lançará uma capacitação técnica voltada aos empreendimentos beneficiários dos Fundos de Desenvolvimento Regional, com o objetivo de habilitá-los a estruturar projetos geradores de créditos de carbono.
A nova etapa de qualificação integra a agenda estratégica da Secretaria Nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros (SNFI), ligada ao MIDR, e prevê o apoio a projetos que promovam a conservação de florestas nativas, reflorestamento, uso de biodigestores em atividades agropecuárias e práticas agrícolas que aumentem o sequestro de carbono, como o plantio direto e a recuperação de pastagens.
A iniciativa ganha relevância no cenário nacional e internacional, especialmente diante do avanço do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), regulamentado em 2024, e da preparação do país para sediar a COP30, em novembro de 2025, na cidade de Belém (PA). A proposta também está alinhada com as diretrizes da nova política industrial brasileira, que registrou crescimento de 3,1% no último ano, segundo dados do IBGE.
Capacitação com foco na geração de valor ambiental e econômico
A capacitação será realizada em conjunto com o Banco do Brasil, parceiro estratégico da SNFI, e incluirá trocas de experiências, estudos de caso, mapeamento de boas práticas e orientação técnica sobre as tipologias de projetos passíveis de gerar créditos de carbono. O conteúdo será voltado especialmente para empreendedores do Centro-Oeste e de regiões com maior potencial agroambiental.
“Fazer um laboratório com o Banco do Brasil, aprofundar conhecimentos e testar possibilidades com um parceiro que já atua no financiamento de operações com créditos de carbono é essencial para destravar o potencial das regiões brasileiras”, afirmou o secretário nacional Eduardo Tavares.
Segundo ele, a articulação com o BB abre caminho para o uso dos Fundos Constitucionais de Desenvolvimento (como o FCO) na estruturação de empreendimentos que, além de retorno econômico, entreguem benefícios climáticos e sociais.
Já o vice-presidente de Negócios, Governo e Sustentabilidade Empresarial do BB, José Ricardo Sasseron, destacou que os créditos de carbono representam uma oportunidade estratégica para o país, especialmente com a nova regulamentação permitindo a geração de créditos em áreas de preservação ambiental e territórios indígenas.
“A nova economia verde vai movimentar bilhões em investimentos nos próximos anos. O Brasil tem condições naturais e institucionais para ser líder nesse processo”, pontuou Sasseron.
Tipologias de projetos incentivados
O protocolo de intenções assinado entre o MIDR e o BB prioriza quatro categorias de projetos geradores de crédito de carbono:
- REDD+ (conservação florestal): voltado à preservação de vegetação nativa em áreas da Amazônia e do Cerrado, incluindo reservas legais e excedentes;
- ALM (carbono no solo): promove práticas sustentáveis de uso do solo como plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e sistemas agroflorestais (SAFs);
- Biogás: incentiva a implantação de biodigestores em granjas suinícolas e bovinas, contribuindo para o aproveitamento energético de resíduos orgânicos;
- ARR (reflorestamento): destina-se à recomposição florestal de áreas com déficit de reserva legal ou de preservação permanente.
Além disso, o protocolo prevê a possibilidade de inclusão de outras temáticas no futuro, de acordo com as diretrizes do SBCE e da evolução do mercado regulado e voluntário de carbono no Brasil.
Alianças internacionais e financiamento climático
A iniciativa também conta com o apoio da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), representada no evento de lançamento pelo especialista financeiro Alejandro Barreneche. Segundo ele, a cooperação internacional será fundamental para apoiar a transição verde nos países em desenvolvimento e criar mecanismos de rastreabilidade e certificação de resultados ambientais.
“A AFD tem experiência na mensuração de impacto climático e na captação de recursos internacionais para projetos sustentáveis. Acreditamos que o mercado de carbono brasileiro tem um papel fundamental no cumprimento das metas globais de mitigação”, afirmou Barreneche.
Perspectivas para o futuro
Com a regulamentação do SBCE, o Brasil dá passos importantes para consolidar um mercado de carbono transparente, regulado e com credibilidade internacional. Ao mesmo tempo, iniciativas como a do MIDR contribuem para inserir pequenos e médios empreendimentos na nova economia verde, gerando renda, emprego e valorização de ativos ambientais nas regiões mais vulneráveis do país.
Cada crédito de carbono corresponde à redução ou remoção de uma tonelada de dióxido de carbono equivalente da atmosfera, e pode ser comercializado por empresas e governos como forma de compensar emissões. O mercado já movimenta bilhões globalmente e tende a crescer com a intensificação dos compromissos climáticos no âmbito do Acordo de Paris.



