Reservatórios do SE/CO devem fechar março com 64,5% e acendem alerta para a operação do sistema elétrico

ONS projeta afluências abaixo da média na maior parte do país e aponta Sul como novo ponto de atenção, enquanto carga cresce 1,5%

Os principais reservatórios de usinas hidrelétricas do país, concentrados no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, devem encerrar o mês de março com 64,5% da capacidade armazenada. A estimativa foi divulgada nesta sexta-feira pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e indica um patamar ainda considerado confortável para o período, embora com sinais de desaceleração no ritmo de recomposição hídrica.

O subsistema SE/CO é estratégico para a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN), por concentrar a maior parte da capacidade de armazenamento do país e exercer papel central na definição do despacho hidrotérmico e dos custos marginais de operação.

Chuvas abaixo da média predominam no país

No boletim mais recente, o ONS projetou afluências abaixo da média histórica em praticamente todo o território nacional. A única exceção é o Nordeste, onde a previsão aponta para volumes equivalentes a 104% da média de longo termo, cenário que contribui para maior segurança energética na região.

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Para o Sudeste/Centro-Oeste, a expectativa é de afluências em torno de 80% da média histórica, enquanto no Norte a projeção é de 83%. O quadro mais crítico aparece no Sul, onde as chuvas devem alcançar apenas 40% da média, reforçando o risco hidrológico no subsistema.

Sul entra no radar da operação

Na véspera da divulgação do boletim, o ONS já havia sinalizado que o subsistema Sul passou a ser um ponto de atenção para a operação do sistema elétrico. A avaliação decorre da escassez de chuvas registrada em fevereiro, que provocou um rápido deplecionamento dos reservatórios da região em um curto intervalo de tempo.

A deterioração das condições hidrológicas no Sul tende a exigir maior intercâmbio de energia com outros subsistemas e pode pressionar o despacho de usinas térmicas, especialmente se o cenário de afluências abaixo da média persistir ao longo do outono.

Crescimento da carga adiciona complexidade ao cenário

Além do comportamento hidrológico, o ONS também revisou suas projeções para a carga de energia no país. Para março, a expectativa é de crescimento de 1,5% em relação ao mesmo mês de 2025, com a carga atingindo 87.447 megawatts médios.

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O avanço do consumo, combinado com a redução das afluências em regiões-chave, amplia o desafio operacional do sistema elétrico e reforça a importância de uma gestão cautelosa dos recursos hídricos, especialmente no Sudeste/Centro-Oeste, que segue como o principal pilar de sustentação do SIN.

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