Operação envolve participação societária e contrato de energia no Complexo Eólico Chafariz (471 MW), reforçando modelo de autoprodução por equiparação no mercado livre.
A Neoenergia informou, em fato relevante divulgado nesta quarta-feira (25), a conclusão da venda de participação econômica equivalente a 6,87% do capital social da Canoas 3 Energia Renovável S.A. à Nexus Manganês S.A.. A operação, realizada por meio da subsidiária Neoenergia Renováveis S.A., integra uma estrutura desenhada para viabilizar o modelo de autoprodução de energia.
Além da alienação societária, o acordo contempla a celebração de um contrato de compra e venda de energia elétrica com a Canoas 3. A estrutura permite à Nexus operar no regime de autoprodução por equiparação, utilizando a fonte eólica para otimizar custos regulatórios e garantir suprimento de longo prazo.
Autoprodução por equiparação e metas ESG
A transação reforça o avanço da autoprodução no Ambiente de Contratação Livre (ACL), estratégia cada vez mais utilizada por consumidores eletrointensivos que buscam previsibilidade e alinhamento a metas de descarbonização. Nesse formato, o consumidor adquire participação no ativo de geração e garante benefícios regulatórios e maior flexibilidade na gestão de portfólio.
No caso da Nexus, a energia será proveniente do Complexo Eólico Chafariz, localizado na Paraíba. Composto por 15 parques e somando 471 MW de capacidade instalada, o empreendimento é um dos principais ativos renováveis da Neoenergia no Nordeste. Do total da capacidade do complexo, 15 MW médios serão destinados à Nexus pelo prazo de dez anos.
Estratégia de portfólio e monetização
Segundo a Neoenergia, todas as condições precedentes previstas em contrato foram cumpridas, dando continuidade ao fato relevante divulgado em julho de 2025. O movimento está alinhado à estratégia da companhia de otimização de portfólio e monetização parcial de ativos, preservando o controle operacional enquanto amplia a base de parceiros industriais no mercado livre.
Para o setor elétrico, o movimento consolida o papel do Nordeste, e especificamente da Paraíba, como hub de geração competitiva. Beneficiada por regimes de ventos consistentes e alto fator de capacidade, a região segue como âncora para estruturas societárias que servem de instrumento de financiamento para novos projetos limpos.
Ao estruturar a venda parcial com contrato associado, a Neoenergia amplia a previsibilidade de receitas do ativo, enquanto a Nexus assegura um custo marginal de operação reduzido, refletindo a sofisticação crescente das negociações bilaterais no setor elétrico brasileiro.



