Brasil será o hub de investimentos em transição energética na América Latina em 2026, diz RSM

Relatório aponta crescimento de 2% e destaca renováveis, legado da COP30 e maturidade regulatória como vetores de atração de investimentos sustentáveis

O Brasil deve consolidar, em 2026, sua posição como principal polo latino-americano de atração de investimentos em transição energética e descarbonização. A avaliação integra o estudo 2026 Latin America Economic Outlook, elaborado pela RSM, que coloca o país em destaque regional mesmo diante de uma projeção de crescimento moderado de 2% do PIB.

De acordo com o relatório, a liderança ambiental brasileira, impulsionada por uma matriz elétrica majoritariamente renovável, maturidade em projetos de energia solar, eólica e bioenergia e pelo legado da COP30 em Belém, diferencia o país em um cenário latino-americano de expansão média de 2,3%, conforme estimativas da Economic Commission for Latin America and the Caribbean (ECLAC).

Transição energética como ativo econômico

O relatório aponta que a sustentabilidade deixou de ser apenas uma agenda reputacional e passou a desempenhar papel central na competitividade econômica. A capacidade brasileira de estruturar projetos de energia renovável em escala e com arcabouço regulatório relativamente consolidado tem atraído capital estrangeiro, especialmente para o middle market.

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“A combinação entre matriz energética mais limpa, capacidade técnica e pressão regulatória cria um ambiente favorável para investimentos, especialmente no middle market, que precisa transformar ESG em eficiência, governança e acesso direto a capital”, comenta Marcelo Conti, sócio-líder de Consultoria e ESG da RSM.

O documento destaca que bioenergia, energia solar e energia eólica figuram como motores da inovação tecnológica e da captação de recursos internacionais, ampliando o protagonismo brasileiro na agenda climática.

COP30 e posicionamento internacional

O legado da COP30 em Belém é apontado como fator estruturante para o posicionamento do Brasil no cenário global de descarbonização. A visibilidade internacional do evento fortaleceu a imagem do país como destino prioritário para investimentos alinhados às metas climáticas.

Além da expansão da geração renovável, o relatório indica que empresas de médio e grande porte tendem a elevar seus padrões de eficiência operacional por meio da incorporação de práticas ESG, impulsionadas por exigências regulatórias e demandas de mercado.

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No setor financeiro, o Brasil também é citado como referência regional em inovação, com ecossistema de fintechs considerado laboratório de inclusão digital e modernização de serviços, o que reforça a capacidade de financiar projetos sustentáveis com maior sofisticação.

Crescimento moderado, mas com diferencial competitivo

A projeção de crescimento de 2% para o PIB brasileiro em 2026 acompanha o movimento de estabilização econômica regional. A América Latina deve registrar expansão média de 2,3%, segundo a ECLAC, mas com trajetórias distintas entre os países.

A Argentina aparece com expectativa de crescimento de 4%, impulsionada pelo agronegócio e pela adoção de tecnologias no campo (Agritech). O México projeta avanço de 1,3%, mantendo-se beneficiado pelo nearshoring, embora enfrente desafios relacionados à infraestrutura e à confiabilidade energética. Já a América Central deve crescer 3,6%.

O relatório ressalta que a previsibilidade regulatória e a solidez institucional serão determinantes para diferenciar os países na disputa por capital internacional.

“Em toda a América Latina, o capital está cada vez mais seletivo. Países e empresas que combinarem crescimento, previsibilidade regulatória e práticas ESG sólidas tendem a sair na frente. O Brasil tem vantagens claras, mas elas só se sustentam com execução, transparência e gestão de riscos”, conclui Conti.

Energia renovável e middle market no centro da estratégia

Para o setor elétrico brasileiro, o relatório reforça uma tendência clara: a transição energética passa a ser tratada como ativo estratégico de desenvolvimento econômico.

A combinação entre matriz limpa, avanço regulatório, projetos de geração solar e eólica em escala utility-scale, além da consolidação do mercado livre de energia, cria ambiente propício para atração de investimentos sustentáveis.

O desafio, segundo a análise da RSM, estará na capacidade de empresas e governos transformarem a agenda ESG em ganhos concretos de eficiência, governança e acesso a capital, em meio a reformas tributárias e novas exigências ambientais.

Em 2026, o Brasil entra no radar global não apenas como exportador de commodities, mas como plataforma estruturada de transição energética, diferencial competitivo em uma América Latina que busca estabilidade e crescimento sustentável.

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