Thymos avalia revisão dos preços-teto do LRCAP 2026 como passo decisivo para previsibilidade do leilão e segurança do SIN

Reajuste eleva teto para até R$ 2,9 milhões/MW.ano em térmicas novas e amplia atratividade para projetos despacháveis em um sistema cada vez mais dependente de fontes intermitentes.

A atualização dos preços-teto do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP) 2026, anunciada pelo Ministério de Minas e Energia (MME), foi avaliada de forma positiva pela Thymos Energia. A consultoria considera a medida fundamental para aumentar a viabilidade econômica do certame e fortalecer a contratação de capacidade firme no Sistema Interligado Nacional (SIN).

Para empreendimentos termelétricos novos, o teto foi reajustado de R$ 1,6 milhão/MW.ano para R$ 2,9 milhões/MW.ano. Já para as térmicas existentes, o valor passou de R$ 1,12 milhão/MW.ano para R$ 2,25 milhões/MW.ano. No caso das hidrelétricas, o preço-teto foi mantido em R$ 1,4 milhão/MW.ano. Um ponto crucial da nova estrutura é que o Custo Marginal de Referência (CMR) agora se iguala ao teto das térmicas novas (R$ 2,9 milhões/MW.ano), o que baliza todo o certame e define o limite superior para a competição.

Na avaliação da consultoria, a revisão corrige uma defasagem relevante em relação aos custos atuais de investimento e ao custo de capital no financiamento de projetos, fator que vinha comprometendo a atratividade do leilão e a capacidade de mobilizar novos investimentos no segmento de geração despachável.

- Advertisement -

Preço-teto mais aderente ao ambiente de custos

A Thymos destaca que o reajuste dos valores torna o desenho do leilão mais alinhado à realidade financeira enfrentada pelos agentes, especialmente em um contexto de juros elevados, maior percepção de risco regulatório e encarecimento de equipamentos e insumos.

Ao analisar a melhoria das condições de participação no certame, o CEO da Thymos Energia, João Carlos Mello, afirma: “O ajuste do preço-teto é um passo importante para garantir que o leilão aconteça com competitividade e possa atrair projetos capazes de entregar a capacidade firme que o sistema precisa. É um sinal positivo para o setor.”

Segundo a consultoria, sem uma atualização das premissas econômicas, haveria risco concreto de esvaziamento do leilão, com baixa participação de projetos e consequente fragilização do papel do LRCAP como instrumento estruturante da política de segurança energética.

Biodiesel e óleo ampliam espaço para soluções flexíveis

Outro ponto central da análise da Thymos é o impacto do novo preço-teto sobre empreendimentos a óleo e biodiesel, que passam a ter maior previsibilidade econômico-financeira dentro do desenho do certame. No LRCAP nº 03, o teto para esses produtos foi elevado para até R$ 1,75 milhão/MW.ano para o horizonte de 2030.

- Advertisement -

Para a consultoria, o biodiesel se consolida como uma alternativa estratégica para o Brasil, ao combinar atributos de geração firme, flexibilidade operativa e menor intensidade de carbono em relação a outras fontes fósseis.

Sobre a integração desse tipo de solução para acelerar a transição energética sem comprometer a segurança operativa, João Carlos Mello observa: “O país pode dar um salto ao integrar alternativas renováveis e firmes, como o biodiesel, de forma equilibrada, garantindo confiabilidade operativa enquanto a transição energética se aprofunda.”

LRCAP ganha protagonismo com avanço das renováveis

O LRCAP é considerado hoje um dos principais instrumentos para garantir a confiabilidade do SIN, especialmente diante da rápida expansão das fontes renováveis intermitentes, como eólica e solar. O crescimento dessas tecnologias aumenta a exposição do sistema a oscilações de oferta e exige uma base complementar de geração despachável.

A Thymos ressalta que, sem uma expansão coordenada da capacidade firme, o sistema pode enfrentar riscos crescentes de atendimento, especialmente em momentos de baixa hidrologia e elevação de fontes não controláveis.

Risco de descontratação reforça urgência da negociação

Além da necessidade estrutural de reforço da base despachável, o LRCAP 2026 também é visto como fundamental para evitar um processo de descontratação relevante de usinas existentes. De acordo com estimativas da consultoria, cerca de 14,3 GW de capacidade podem perder contratos até 2028.

Estudos de confiabilidade feitos pela Thymos indicam que será necessário contratar entre 23 GW e 30 GW adicionais de capacidade nos próximos anos para manter níveis adequados de segurança operacional, considerando o crescimento da carga e a expansão das renováveis.

Dinâmica competitiva definirá preço final

Apesar da elevação dos tetos, a Thymos enfatiza que o preço final da energia contratada dependerá da dinâmica concorrencial do leilão. O teto deve ser interpretado como um parâmetro de previsibilidade, e não como um indicativo de custo final para o consumidor.

Reforçando que o equilíbrio entre atratividade e competição é o que garante eficiência ao modelo, João Carlos Mello conclui: “O leilão é, por definição, um mecanismo de competição: é durante o processo que os agentes vão disputar e formar o preço final, garantindo eficiência econômica para o consumidor e segurança para o sistema.”

Destaques da Semana

Artigos

Últimas Notícias