Minas Gerais verticaliza cadeia do lítio com investimento indiano de R$ 220 milhões focado em baterias

Aporte da Altmin na CBL triplicará capacidade de refinaria em Divisa Alegre; movimento fortalece o ‘Vale do Lítio’ como hub global de insumos para transição energética e armazenamento de carga.

O cenário da transição energética no Brasil recebeu um impulso financeiro e tecnológico estratégico nesta quinta-feira (12/2). A empresa indiana Altmin anunciou um investimento de US$ 40 milhões (aproximadamente R$ 220 milhões) na Companhia Brasileira de Lítio (CBL). O aporte garante à indiana 33% de participação na unidade de refino químico de Divisa Alegre, no Norte de Minas Gerais, e será integralmente destinado à expansão da planta para a produção de hidróxido de carbonato de lítio.

O movimento marca uma transição fundamental para a economia mineira: a passagem da exportação do minério bruto para a produção de compostos químicos de alto valor agregado. Este processo, conhecido como downstream, é o elo que conecta a mineração à fabricação de células de baterias para veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia em larga escala (BESS), essenciais para a estabilidade de redes elétricas com alta penetração de fontes renováveis.

Triplicação da capacidade e foco em “Grau Bateria”

Com o aporte, a refinaria da CBL passará por um upscaling produtivo agressivo, saltando de 2 mil toneladas anuais para 6 mil toneladas/ano. O foco é a produção de carbonato de lítio “grau bateria”, um insumo de altíssima pureza exigido pelos fabricantes de cátodos em todo o mundo.

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A verticalização da produção em solo mineiro reduz a dependência de processamento externo e posiciona o estado como um dos poucos players globais capazes de entregar o ciclo completo do mineral estratégico.

Ao avaliar o impacto desse novo ciclo de investimentos, a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico (SEDE-MG), Mila Corrêa da Costa, destaca a relevância para o futuro da matriz energética. “Esse investimento da Altmin na CBL mostra, na prática, a força do Vale do Lítio e o quanto Minas está conectada ao futuro da transição energética. Estamos falando de mais valor agregado, mais empregos e mais protagonismo internacional para o estado. É desenvolvimento que chega ao território, gera oportunidades reais e posiciona Minas no centro da nova economia global”.

O papel do Vale do Jequitinhonha na Vitrine Global

A parceria entre a CBL e a Altmin é fruto de um esforço de diplomacia corporativa iniciado durante o Brazil Lithium Summit de 2024. O projeto Vale do Lítio, lançado em 2023, tem conseguido converter o potencial geológico do Norte e Nordeste de Minas em projetos bancáveis, atraindo capital intensivo para uma região historicamente carente de infraestrutura industrial.

Ao analisar a maturidade do ambiente de negócios no estado, o diretor de Atração de Investimentos da Invest Minas, Ronaldo Barquette, observa o sucesso da estratégia de fomento: “O investimento internacional na CBL demonstra como o trabalho estruturado do Governo de Minas tem transformado o Vale do Jequitinhonha em uma vitrine global de oportunidades. A conexão iniciada em eventos estratégicos como o Brazil Lithium Summit mostra que, quando o estado promove o ambiente certo e aproxima parceiros internacionais, os negócios acontecem”.

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Soberania Tecnológica e Competitividade Internacional

O Brasil já responde por mais de 90% das exportações nacionais da cadeia de lítio através de Minas Gerais. Contudo, o diferencial da CBL reside em sua capacidade técnica proprietária de refino, que agora ganha escala global. A empresa se posiciona como um fornecedor crítico para a indústria de mobilidade elétrica, que busca alternativas às cadeias de suprimento excessivamente concentradas na Ásia.

Celebrando o reconhecimento da tecnologia desenvolvida localmente, o CEO da CBL, Vinícius Alvarenga, ressalta a vanguarda técnica da companhia: “Temos orgulho de ser a primeira empresa fora da China com capacidade industrial para a produção de compostos de carbonato de lítio grau bateria. Somos os únicos, aliás, já plenamente qualificados. Esse know-how foi desenvolvido com pesquisa e com o talento de nossa equipe. Isso chamou a atenção de empresas internacionais dispostas a participar desta cadeia de suprimentos conosco. Seguiremos firmes no desenvolvimento da empresa e em outras expansões”.

Com a entrada da Altmin, o estado de Minas Gerais não apenas consolida sua reserva mineral, mas garante competitividade na fronteira tecnológica da nova economia de baixo carbono, assegurando que o valor gerado pelo “ouro branco” permaneça e se multiplique no território nacional.

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