ONS projeta pico do CMO em R$ 4.870/MWh com calor no Sul e queda dos ventos no Nordeste

Modelo DESSEM indica pressão simultânea sobre carga e oferta renovável, exigindo maior despacho hídrico e térmico em todos os submercados

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) projeta para esta terça-feira, 4 de fevereiro de 2026, um dos maiores patamares recentes do Custo Marginal de Operação (CMO) do Sistema Interligado Nacional (SIN). De acordo com a Programação Diária definida pelo modelo DESSEM, o CMO deve atingir um pico entre 21h e 21h30, com valores máximos na ordem de R$ 4.870/MWh em todos os submercados.

A elevação reflete uma combinação crítica de fatores meteorológicos que afetam simultaneamente a demanda e a oferta de energia no país, com impactos diretos sobre o despacho de usinas hidráulicas e térmicas e sobre o equilíbrio operativo do sistema.

Calor no Sul impulsiona carga em horário de ponta

Segundo o ONS, o cenário de estresse do sistema é impulsionado principalmente pelo aumento da carga bruta, estimado em cerca de 1,3 GW em relação ao dia anterior. O crescimento do consumo está associado às condições climáticas adversas na região Sul do país.

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O operador atribui esse comportamento ao bloqueio atmosférico que impede o avanço de frentes frias, resultando em elevação significativa das temperaturas. Esse padrão climático intensifica o uso de sistemas de refrigeração, especialmente no período noturno, quando tradicionalmente ocorre o pico de carga no SIN.

Queda dos ventos reduz geração eólica no Nordeste

Ao mesmo tempo em que a demanda cresce, o sistema enfrenta uma redução relevante da oferta renovável. Para o mesmo intervalo de horário, o ONS estima uma queda de aproximadamente 2,9 GW na geração eólica, na comparação com o dia 3 de fevereiro.

A redução ocorre em função da presença de um sistema de baixa pressão atmosférica que afeta os ventos alísios no Nordeste, subsistema responsável pela maior parcela da produção eólica nacional. A diminuição da intensidade dos ventos compromete diretamente a capacidade de geração dos parques eólicos, que hoje exercem papel central na matriz elétrica brasileira.

Hidrelétricas e térmicas são acionadas para garantir equilíbrio

Diante do descompasso entre aumento de carga e queda da geração eólica, o ONS precisou intensificar o uso de fontes despacháveis. Para manter o atendimento ao sistema, foi necessária a maximização da geração hidráulica e o acionamento de uma geração térmica adicional em torno de 4,2 GW no horário crítico.

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Esse movimento reforça a dependência estrutural do sistema brasileiro de usinas térmicas como mecanismo de segurança energética, especialmente em situações de estresse climático e redução da disponibilidade de fontes renováveis intermitentes.

CMO elevado sinaliza escassez e pressiona custos

O patamar projetado de R$ 4.870/MWh para o CMO representa um sinal econômico extremo de escassez no sistema. O indicador reflete o custo da última unidade de energia necessária para atender a demanda e é utilizado como referência para a formação de preços no mercado de curto prazo.

Na prática, valores elevados de CMO tendem a impactar diretamente os custos de liquidação no mercado livre, a exposição financeira de agentes e a sinalização econômica para o despacho térmico, além de influenciar decisões operativas e comerciais dos participantes do setor elétrico.

Clima reforça vulnerabilidade operativa do SIN

O episódio reforça a crescente influência das variáveis climáticas sobre a operação do sistema elétrico brasileiro. A combinação entre ondas de calor persistentes e redução da disponibilidade de recursos eólicos evidencia a necessidade de maior flexibilidade operacional, diversificação de fontes e expansão de soluções como armazenamento de energia, resposta da demanda e integração de recursos distribuídos.

Do ponto de vista estrutural, o cenário também amplia o debate sobre a modernização dos modelos de planejamento e operação do SIN, cada vez mais exposto à volatilidade climática e à intermitência das fontes renováveis.

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