Segundo workshop reuniu distribuidoras, consumidores e associações setoriais para discutir impactos operacionais, geração distribuída e comportamento do consumo
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) deu mais um passo no processo de modernização da estrutura tarifária do setor elétrico brasileiro ao realizar, nesta quarta-feira (28), o segundo workshop da série de debates sobre a Nova Tarifa Branca. O encontro, transmitido pelo canal oficial da Agência no YouTube, reuniu representantes de distribuidoras, consumidores, associações setoriais e agentes da geração distribuída, consolidando um espaço institucional de diálogo técnico sobre os impactos e desafios da proposta.
A iniciativa faz parte da agenda regulatória da ANEEL voltada à adaptação do modelo tarifário às transformações estruturais do setor, marcadas pelo avanço da geração distribuída, digitalização das redes, inserção de recursos energéticos distribuídos e maior protagonismo do consumidor no sistema elétrico.
Regulação participativa e construção de consensos
Na abertura do evento, o diretor-relator do processo, Fernando Mosna, destacou o caráter plural e colaborativo do debate em torno da Nova Tarifa Branca, enfatizando que o tema envolve múltiplas visões técnicas, econômicas e regulatórias.
“Ninguém vai ter como apontar uma única direção num tema como Tarifa Branca, mas todo mundo vai ter a possibilidade de apresentar seus encaminhamentos, suas preocupações e fazer com que o regulador ouça, analise e, de modo informado, forme sua convicção”, afirmou Mosna.
A fala reflete a estratégia da ANEEL de adotar um modelo de regulação participativa, especialmente em temas estruturantes, como a tarifação horária, que impacta diretamente o comportamento de consumo, a sinalização econômica do sistema e a sustentabilidade econômico-financeira das distribuidoras.
Impactos no consumo e desafios operacionais
Ao longo do workshop, foram discutidos os efeitos esperados da Nova Tarifa Branca sobre o perfil de consumo das unidades de baixa tensão, especialmente a capacidade do modelo de induzir a migração da demanda para horários fora de ponta, contribuindo para a redução de custos sistêmicos e maior eficiência operacional.
Entre os principais pontos debatidos estiveram a necessidade de estratégias integradas de comunicação com os consumidores, a complexidade operacional para as distribuidoras, os investimentos em medição e sistemas, além dos possíveis efeitos locacionais e distributivos da nova estrutura tarifária.
A proposta da ANEEL busca reforçar sinais econômicos mais aderentes à realidade do sistema, em um contexto de crescente penetração de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, e maior descentralização da geração.
Geração distribuída no centro do debate
A Nova Tarifa Branca também foi analisada sob a ótica da geração distribuída, especialmente no que diz respeito à interação entre consumidores-produtores, autoconsumo, armazenamento e uso mais eficiente da energia ao longo do dia.
Participaram do encontro representantes da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), além de entidades que representam consumidores e distribuidoras.
O debate reforçou que a modernização tarifária tende a impactar diretamente a atratividade econômica de projetos de geração distribuída, sobretudo no segmento residencial e comercial, ao alterar os incentivos associados ao horário de injeção e consumo da energia.
Consulta Pública e mudança estrutural no modelo tarifário
O ciclo de workshops está diretamente relacionado à Consulta Pública nº 46/2025, que avalia a adoção automática da Tarifa Horária para unidades consumidoras de baixa tensão com consumo mensal igual ou superior a 1.000 kWh.
A proposta da ANEEL tem como objetivos centrais estimular o consumo em horários de menor custo marginal, reduzir picos de demanda, aumentar a eficiência do sistema elétrico e alinhar a estrutura tarifária às transformações tecnológicas e econômicas em curso no setor.
Na prática, a Nova Tarifa Branca se insere em um movimento mais amplo de modernização regulatória, que inclui temas como tarifação locacional, digitalização da distribuição, resposta da demanda e integração de recursos energéticos distribuídos.
Comunicação e engajamento social como pilares
Um dos pontos recorrentes do debate foi a importância da comunicação com a sociedade. Especialistas destacaram que a eficácia da Nova Tarifa Branca dependerá não apenas do desenho regulatório, mas da capacidade de informar e educar os consumidores sobre os benefícios e riscos da adesão ao modelo.
Nesse contexto, a ANEEL aposta em um processo gradual, transparente e participativo, no qual a previsibilidade regulatória e o engajamento dos agentes serão fundamentais para o sucesso da política.
O terceiro e último workshop da série está marcado para a próxima quarta-feira (3 de fevereiro) e terá como foco a importância estratégica da Tarifa Branca, além das estratégias de divulgação e comunicação junto à sociedade.



