Fábrica do Café Pilão será a primeira do setor a operar com biometano no Brasil

Parceria entre JDE Peet’s Brasil e Ultragaz leva gás renovável à maior planta de café torrado e moído do mundo e marca avanço da indústria na agenda de descarbonização

A indústria brasileira de café dá um passo inédito na transição energética. A JDE Peet’s Brasil anunciou que sua fábrica de Jundiaí (SP), responsável pela produção de marcas como Pilão, L’OR, Café do Ponto e Caboclo, passará a operar com biometano a partir do primeiro semestre de 2026. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Ultragaz, torna a unidade a primeira do setor cafeeiro nacional a utilizar o combustível renovável em escala industrial.

O movimento posiciona o segmento de alimentos e bebidas dentro da agenda de descarbonização energética, tradicionalmente mais associada à indústria pesada. No caso da JDE Peet’s, a mudança ocorre justamente em sua maior planta de café torrado e moído no mundo, ampliando o impacto ambiental positivo da decisão e reforçando o papel do biometano como alternativa viável ao gás natural fóssil.

Biometano como vetor da economia circular

O biometano é produzido a partir da purificação do biogás gerado na decomposição de resíduos orgânicos em aterros sanitários, agroindústrias e atividades agrícolas. Ao ser utilizado como combustível industrial, ele permite não apenas substituir fontes fósseis, mas também evitar a liberação direta de metano na atmosfera, gás com potencial de aquecimento global significativamente superior ao do CO₂.

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Na avaliação da JDE Peet’s, a adoção do biometano representa um ganho ambiental mensurável. Segundo a diretora de Operações da companhia no Brasil, Marisa Penteado, a iniciativa terá impacto direto na redução das emissões regionais.

“Evitaremos a emissão de aproximadamente 2.500 toneladas de CO₂ por ano na região. Além disso, o uso do biometano reforça nosso compromisso com práticas industriais de menor impacto ambiental, transformando resíduos em energia, inovação e prosperidade para a comunidade de Jundiaí e região”, afirma Marisa.

O projeto também incorpora um modelo logístico alinhado à proposta de sustentabilidade: o biometano será transportado do aterro sanitário até a planta industrial por caminhões abastecidos com o próprio combustível, dispensando dutos e reduzindo emissões associadas ao transporte.

Sustentabilidade integrada à estratégia de negócios

A decisão de migrar parte da matriz energética da fábrica para o biometano está inserida na estratégia global de sustentabilidade da JDE Peet’s, estruturada por meio do programa Common Grounds. A iniciativa reúne compromissos relacionados à redução de emissões, eficiência logística, uso responsável de recursos naturais e apoio a projetos de agricultura regenerativa.

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O presidente da JDE Peet’s Brasil, André Maurino, destaca que a adoção do biometano vai além de um projeto energético pontual e dialoga com a identidade do café brasileiro.

“O café é parte da identidade do Brasil e entendemos nosso papel em liderar uma transformação que una tradição e futuro. Ao adotar o biometano, damos um passo concreto rumo a uma operação mais limpa, inovadora e alinhada aos compromissos globais de redução de carbono. Essa conquista não é apenas da nossa empresa, mas de toda a cadeia do café brasileiro. Nosso compromisso é com o futuro do café”, afirma o executivo.

Até 2030, a JDE Peet’s assumiu a meta de reduzir em 43,3% as emissões absolutas de Gases de Efeito Estufa dos escopos 1 e 2, em comparação com a base de 2020. A substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis é um dos pilares para alcançar esse objetivo.

Ultragaz aposta no biometano como alavanca da transição energética

Para a Ultragaz, parceira no projeto, a iniciativa reforça o papel do biometano como um dos principais vetores da transição energética no Brasil, especialmente em segmentos industriais que dependem do gás para processos térmicos.

O diretor de Gases Renováveis da companhia, Erik Trench, destaca que o avanço desse mercado depende da ampliação de projetos âncora capazes de demonstrar viabilidade técnica e ambiental.

“O biometano é uma das principais alavancas para avançar a transição energética do país. Na Ultragaz, trabalhamos para democratizar o acesso a esse combustível renovável e a colaboração com a JDE Peet’s Brasil reforça nosso compromisso em transformar a matriz energética das empresas e apoiar as metas de descarbonização dos nossos clientes”, afirma Trench.

A expectativa do setor é que projetos desse tipo contribuam para acelerar investimentos em produção, logística e regulação do biometano, ampliando sua competitividade frente ao gás natural convencional.

Impactos para a indústria e para o consumidor

Além dos ganhos ambientais diretos, a adoção do biometano fortalece a percepção de valor junto ao consumidor final, cada vez mais atento à origem da energia utilizada nos processos industriais. No caso do café, produto de alto valor simbólico e cultural, a rastreabilidade ambiental tende a se tornar um diferencial competitivo.

Ao integrar energia renovável, economia circular e eficiência operacional, o projeto da JDE Peet’s sinaliza um novo patamar de maturidade ambiental para a indústria de alimentos no Brasil e reforça o potencial do biometano como solução concreta para a descarbonização do setor produtivo.

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