PAR/PEL 2025 aponta expansão de linhas, subestações e intercâmbios regionais para acompanhar crescimento da carga e avanço das renováveis
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou nesta terça-feira (16) os resultados do Sumário Executivo do Plano da Operação Elétrica de Médio Prazo do Sistema Interligado Nacional (PAR/PEL 2025), que cobre o horizonte de 2026 a 2030. O estudo consolida um conjunto robusto de obras e ações operativas que totalizam investimentos estimados em R$ 28,1 bilhões, dos quais R$ 22,7 bilhões correspondem a empreendimentos indicados pela primeira vez.
O plano confirma a centralidade da transmissão e da expansão coordenada da infraestrutura elétrica para garantir segurança, confiabilidade e flexibilidade operativa em um sistema cada vez mais pressionado pelo crescimento da carga, pela alta penetração de fontes renováveis variáveis e pela complexidade crescente da operação do SIN.
Ao todo, o PAR/PEL prevê cerca de 5.301 quilômetros de novas linhas de transmissão e um acréscimo de 24.314 MVA de capacidade de transformação em subestações. Esses volumes representam uma expansão de 3% na malha de transmissão e de 5,7% na potência instalada de transformadores da Rede Básica e da Rede Básica de Fronteira em relação à infraestrutura atualmente existente.
Planejamento como eixo estruturante da segurança energética
Na avaliação do diretor-geral do ONS, Marcio Rea, os resultados do estudo reafirmam o papel do planejamento como instrumento central da política energética brasileira, especialmente em um cenário de profundas transformações na matriz elétrica.
“Os resultados do PAR/PEL reafirmam o planejamento como um instrumento estratégico do Estado brasileiro para garantir a segurança energética e a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional. O estudo aponta caminhos para que o SIN acompanhe, com solidez e previsibilidade, a expansão das fontes renováveis, a incorporação de novas tecnologias e os efeitos da evolução da carga e da geração no país. As ações e investimentos mapeados fortalecem a resiliência do sistema e criam as bases para uma operação mais segura, eficiente e integrada até 2030”, afirma Rea.
A fala sintetiza a lógica do plano, que vai além da simples indicação de obras, buscando antecipar gargalos operativos, reduzir riscos sistêmicos e criar condições para que a expansão da geração, especialmente renovável, ocorra de forma sustentável do ponto de vista elétrico.
Crescimento da carga e expansão da capacidade instalada
Um dos eixos centrais do PAR/PEL 2025 é a projeção de crescimento da demanda do SIN. Segundo o ONS, a carga máxima do sistema deve alcançar aproximadamente 129 GW em 2030, o que representa um aumento de 17% em relação ao pico registrado em 2025. Esse crescimento reflete tanto a retomada econômica quanto mudanças estruturais no consumo, como a eletrificação de processos industriais, mobilidade elétrica e maior digitalização da economia.
Para atender a esse cenário, a capacidade instalada total do SIN deverá atingir cerca de 269 GW ao final de 2030. Desse montante, aproximadamente 60 GW serão provenientes de usinas eólicas e fotovoltaicas centralizadas, reforçando o protagonismo das fontes renováveis variáveis na matriz elétrica brasileira.
Esse perfil de expansão, no entanto, impõe desafios adicionais à operação, exigindo maior flexibilidade, capacidade de intercâmbio entre regiões e reforços específicos na rede de transmissão.
Intercâmbios regionais ganham protagonismo
A ampliação dos limites de intercâmbio entre subsistemas aparece como um dos pontos de maior destaque do PAR/PEL 2025. O plano prevê um aumento de aproximadamente 20% na capacidade de recebimento da região Sul a partir do Sudeste/Centro-Oeste, passando de 11.400 MW em janeiro de 2026 para 13.500 MW em 2030, considerando o período de ponta de carga.
Também está prevista uma ampliação expressiva, da ordem de 25%, no limite de recebimento da região Sudeste/Centro-Oeste a partir das regiões Norte e Nordeste. Esse intercâmbio deve evoluir de 18.500 MW em janeiro de 2026 para 23.000 MW em janeiro de 2030, viabilizado por um conjunto de obras com entrada em operação prevista para julho de 2030.
Esses reforços são estratégicos para otimizar o aproveitamento da geração renovável do Norte e Nordeste, reduzir riscos de vertimento e aumentar a eficiência sistêmica do SIN.
Priorização de obras e foco estruturante
De acordo com o diretor de Planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, o PAR/PEL 2025 organiza suas análises sob duas óticas complementares: conjuntural e estruturante. Esse método permitiu classificar e definir ações de acompanhamento para cerca de 480 empreendimentos ao longo do horizonte de planejamento.
“As análises do PAR/PEL 2025, organizadas sob os enfoques conjuntural e estruturante, indicam a classificação de prioridade e ações de acompanhamento de 480 empreendimentos, entre outras ações, preparando o SIN para uma demanda de 129 GW no ano de 2030”, ressalta Zucarato.
A abordagem reforça a necessidade de coordenação entre planejamento, regulação e contratação, garantindo que as obras indicadas avancem dentro dos prazos compatíveis com a evolução do sistema.
Curtailment e geração distribuída entram no radar
O Sumário Executivo do PAR/PEL 2025 também aprofunda dois temas cada vez mais sensíveis para o setor elétrico. O primeiro é a projeção futura do curtailment da geração eólica e fotovoltaica. Segundo o ONS, a mitigação desses cortes exige não apenas a integração de novas cargas, mas um melhor alinhamento entre a expansão da geração renovável variável e a capacidade de absorção do sistema, especialmente em termos de transmissão e flexibilidade operativa.
Outro ponto relevante diz respeito aos impactos da geração distribuída na segurança da operação do SIN. O plano aponta a necessidade de uma nova coordenação institucional envolvendo ONS, distribuidoras, agentes setoriais e demais instituições, diante do crescimento acelerado da GD e de seus efeitos sobre o comportamento da carga e da rede.
Um plano para sustentar a transição energética
Ao consolidar obras, projeções e análises estruturantes, o PAR/PEL 2025 se afirma como um dos principais instrumentos para sustentar a transição energética brasileira no médio prazo. O plano evidencia que o avanço das renováveis, embora positivo, exige investimentos consistentes em transmissão, planejamento integrado e governança setorial para preservar a confiabilidade do sistema.
Em um contexto de expansão acelerada e maior complexidade operativa, o estudo do ONS deixa claro que a segurança elétrica do país até 2030 dependerá, cada vez mais, da capacidade de antecipar desafios e transformar planejamento em infraestrutura efetivamente entregue.



