Emissão de R$ 1 bilhão marca avanço das finanças sustentáveis e acelera modernização das redes de distribuição no Brasil
O mercado de capitais brasileiro deu um passo relevante na convergência entre finanças sustentáveis e transição energética com a realização da primeira emissão de Debêntures Verdes no âmbito do Programa Eco Invest aplicada ao setor elétrico. A operação, estruturada pelo Banco Bradesco em parceria com a Neoenergia, totalizou R$ 1 bilhão e foi direcionada às distribuidoras Neoenergia Coelba, na Bahia, e Neoenergia Elektro, que atua em São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Além de inédita no escopo do Eco Invest, a emissão também se destaca por ser a primeira do gênero no segmento de energia elétrica dentro do programa, consolidando um novo modelo de financiamento voltado a projetos com benefícios ambientais mensuráveis. O movimento reforça a crescente sofisticação do mercado brasileiro na estruturação de instrumentos financeiros alinhados à agenda ESG e às exigências da transição para uma economia de baixo carbono.
Capital direcionado à modernização e resiliência da infraestrutura elétrica
Os recursos captados serão destinados a um conjunto de projetos estratégicos voltados à modernização da infraestrutura de distribuição de energia. Entre as iniciativas previstas estão a implantação de redes inteligentes (smart grids), o aterramento de linhas em áreas mais vulneráveis a eventos climáticos extremos e a modernização de subestações, linhas de transmissão e redes de distribuição.
Esses investimentos têm impacto direto na eficiência operacional do sistema elétrico, ao reduzir perdas técnicas, melhorar a qualidade do fornecimento e aumentar a capacidade de resposta das redes diante de fenômenos climáticos cada vez mais frequentes. Do ponto de vista ambiental, a modernização da infraestrutura contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), ao tornar o sistema mais eficiente e menos intensivo em perdas energéticas.
Programa Eco Invest impõe critérios rigorosos de elegibilidade
A operação foi estruturada dentro dos parâmetros estabelecidos pelo Programa Eco Invest, que exige critérios rigorosos de elegibilidade para garantir que os recursos sejam efetivamente destinados a projetos com impacto ambiental positivo. O Bradesco BBI atuou como coordenador exclusivo e assessor ESG da emissão, apoiando a Neoenergia em todo o processo de estruturação, incluindo a obtenção do parecer independente da ERM.
O parecer confirmou a aderência da emissão tanto ao Protocolo de Emissão de Dívida Verde & ESG da Neoenergia quanto às diretrizes do Eco Invest, assegurando a rastreabilidade dos recursos e a conformidade com padrões internacionais de finanças sustentáveis.
Visão estratégica do Bradesco sobre a transição energética
Ao comentar a relevância da operação, a head de Sustentabilidade do Bradesco, Fabiana Costa, destacou que a emissão das Debêntures Verdes se alinha à estratégia do banco de estruturar soluções financeiras inovadoras que aceleram a transição energética. A executiva reforçou o compromisso da instituição em fomentar negócios sustentáveis
“A emissão de Debêntures Verdes da Neoenergia, primeira dentro do nosso Programa Eco Invest e pioneira no setor de energia, reforça nossa capacidade de estruturar soluções financeiras inovadoras que aceleram a transição energética no país. No Bradesco, temos o compromisso de apoiar nossos clientes na construção de negócios com impacto social, ambiental e climático positivo.”
A fala reflete a estratégia do banco de posicionar o Eco Invest como uma plataforma de mobilização de capital para setores-chave da economia, com destaque para energia, infraestrutura e indústria, considerados centrais para o cumprimento das metas climáticas brasileiras.
ESG como vetor de eficiência financeira e reputacional
Na avaliação do Bradesco BBI, a operação também demonstra que instrumentos sustentáveis podem gerar ganhos financeiros e estratégicos para as companhias emissoras. O head de ESG do Bradesco BBI, Caio Andrade Cesar, destaca que o alinhamento ao Eco Invest trouxe benefícios que vão além da captação de recursos.
“Alinhar o financiamento da Companhia ao Programa Eco Invest trouxe benefícios financeiros para a estratégia de captação de recursos, mas também reforça o comprometimento do banco em canalizar recursos para projetos que promovam a transição climática e gerem impactos socioambientais positivos, dado que o Programa Eco Invest possui diversos requisitos que precisam ser observados ao longo da operação.”
Esse modelo tende a ganhar escala à medida que investidores passam a precificar de forma mais consistente riscos climáticos, regulatórios e reputacionais associados aos ativos de infraestrutura.
Neoenergia reforça foco em digitalização e sustentabilidade
Do lado da emissora, a operação é vista como um reconhecimento do plano de investimentos da companhia e da sua estratégia de longo prazo. Ao avaliar a captação, o CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui, ressalta a convergência entre solidez financeira, modernização da rede e compromissos ambientais.
“Essa captação reconhece a solidez do nosso plano de investimentos, voltado à modernização, digitalização e à resiliência da rede. Os recursos financiarão projetos que aumentam a confiabilidade do sistema e reduzem as emissões de GEE, um dos pilares centrais da nossa estratégia de sustentabilidade.”
A declaração reforça o papel crescente das distribuidoras como agentes ativos da transição energética, especialmente na adaptação das redes à digitalização, à geração distribuída e à eletrificação de novos usos finais da energia.
Finanças sustentáveis como alavanca da descarbonização
Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o setor elétrico responde por cerca de 25% das emissões globais de gases de efeito estufa. Nesse contexto, a canalização de capital para projetos de eficiência, digitalização e resiliência das redes é considerada uma das formas mais eficazes de acelerar a descarbonização e reduzir riscos sistêmicos.
A emissão conjunta de Bradesco e Neoenergia sinaliza uma tendência que deve se intensificar nos próximos anos: o uso de instrumentos financeiros verdes não apenas como mecanismo de funding, mas como ferramenta estruturante da estratégia empresarial e da política climática do país.



