Com 3,6 mil km em novas linhas, crescimento das renováveis e entregas estratégicas do Novo PAC, MME reforça modernização e segurança do SIN
O setor elétrico brasileiro encerra 2025 com uma série de avanços estruturais que consolidam um dos ciclos mais robustos de expansão da infraestrutura energética dos últimos anos. Os resultados, apresentados pelo Ministério de Minas e Energia (MME), apontam para o fortalecimento da transmissão, o aumento consistente da capacidade de geração e o avanço de empreendimentos estratégicos que elevam a segurança e a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).
A combinação entre obras de grande porte, ampliação do parque renovável e entregas do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) reforça a perspectiva de modernização e integração regional do setor, acompanhando a transição energética em curso no país e as novas demandas por eficiência, estabilidade e diversificação tecnológica.
Transmissão registra 3.646 km de novas linhas e completa interligação de todas as capitais
Até novembro, foram incorporados ao SIN 3.646 km de linhas de transmissão, marco que melhora o escoamento da energia, reduz restrições operativas e amplia a flexibilidade do sistema. A malha total do país alcançou 192.648 km, evidenciando a contínua evolução da infraestrutura elétrica nacional.
Entre as entregas mais significativas está o Linhão Manaus–Boa Vista, obra histórica que completou a interligação de todas as capitais brasileiras ao conectar Boa Vista, em Roraima, ao restante do sistema elétrico nacional, eliminando definitivamente a condição isolada do estado e proporcionando maior estabilidade energética para a região Norte.
Outros empreendimentos importantes reforçaram a capacidade de transmissão em áreas estratégicas para o crescimento da demanda e da geração:
- LT Arinos 2 / Paracatu (214 km)
- LT Poções III / Medeiros Neto II (329 km)
- LT Bom Jesus da Lapa / Gentio do Ouro III (271 km)
As novas linhas ampliaram a capacidade de intercâmbio entre regiões e fortalecem o atendimento ao mercado em cenários de hidrologia adversa, elevado despacho térmico ou expansão acelerada das renováveis.
Geração centralizada chega a 215,6 GW, com 84,4% renovável
O avanço da transmissão foi acompanhado por expressiva expansão da geração centralizada. Até novembro, o parque gerador atingiu 215,6 GW, dos quais 84,4% provenientes de fontes renováveis, uma das maiores participações do mundo.
Somente em 2025, foram acrescentados 6.564 MW em potência, distribuídos em 113 novas usinas. A adição por fonte foi:
- Térmicas: 37,98%
- Solar fotovoltaica: 34,69%
- Eólica: 23,43%
- Outras fontes renováveis (PCHs, hidrelétricas menores): parcela complementar
A tendência de descentralização também se intensificou com o crescimento da Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), que ultrapassou 43,38 GW, impulsionada pela expansão fotovoltaica em residências, comércios, agronegócio e pequenas indústrias.
A projeção do MME indica que o ano deve encerrar com 7.199 MW adicionados, e que 2026 incorporará mais 10.223 MW ao parque centralizado, ampliando a oferta e a competitividade para consumidores e supridores.
GNA II se destaca como entrega estratégica e maior usina a gás natural do país
Entre os empreendimentos de maior relevância entregues em 2025, destaca-se a Usina Termelétrica GNA II, em Porto do Açu (RJ). O projeto recebeu R$ 7 bilhões em investimentos e adicionou 1,7 GW ao SIN, tornando-se a maior usina a gás natural do Brasil.
Operando em ciclo combinado, com eficiência superior a 60%, a GNA II está preparada para utilizar até 50% de hidrogênio em sua operação futura. A planta utiliza quatro turbinas (três a gás e uma a vapor), além de consumir quase 100% de água do mar no processo, ampliando a sustentabilidade operacional.
A unidade integra o complexo que inclui a GNA I, totalizando 3 GW de capacidade instalada e consolidando Porto do Açu como um hub estratégico de geração, logística e integração energética no Sudeste.
Novo PAC acelera crescimento com 352 usinas entregues e R$ 65,9 bilhões investidos
O Novo PAC desempenhou papel decisivo na expansão da capacidade de geração ao longo de 2025. Até outubro, 352 usinas foram concluídas, adicionando 16.069 MW e movimentando R$ 65,9 bilhões em investimentos.
A expectativa do MME é encerrar o ano com 434 empreendimentos concluídos, totalizando 19.604 MW entregues, indicador que reforça o impulso do programa federal para ampliar a oferta energética, promover segurança de suprimento e estimular investimentos privados conectados à agenda de transição energética.



