Geração centralizada soma 6,8 GW adicionados até novembro, com destaque absoluto para usinas fotovoltaicas
A energia solar voltou a ocupar papel central na expansão da capacidade instalada do Brasil em novembro, consolidando mais um mês em que a fonte fotovoltaica se mantém como o principal vetor de crescimento do parque gerador. Dados do Relatório de Acompanhamento da Expansão da Oferta de Geração de Energia Elétrica (Ralie), mantido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), mostram que todas as usinas que entraram em operação comercial no mês são solares. Foram cinco novos empreendimentos: quatro em Minas Gerais, totalizando 176,4 MW, e um no Ceará, com 9,82 MW.
O desempenho reforça a tendência observada ao longo de 2025, período em que a fonte solar centralizada, somada à geração distribuída, que não entra na estatística do Ralie, segue ampliando sua representatividade na matriz elétrica e atraindo novos investimentos estruturais.
Crescimento consolidado: 6,8 GW adicionados em 11 meses
De janeiro a novembro, o Brasil acrescentou 6.751 MW em capacidade instalada, provenientes de 118 novos empreendimentos. O resultado reforça a trajetória consistente da expansão elétrica no país, sustentada pela diversificação de fontes e pelo ritmo acelerado de usinas solares e eólicas.
Segundo a ANEEL, as novas adições se distribuíram entre diferentes fontes: 2.493 MW de termelétricas, 2.464 MW de usinas fotovoltaicas, 1.537,9 MW de eólicas, 199,3 MW provenientes de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), além de 50 MW de uma hidrelétrica de maior porte e 6,7 MW de uma central geradora hidrelétrica.
Os dados também revelam que 17 estados registraram entrada de novas usinas em operação no período. Rio de Janeiro liderou o ranking, com 1.672,6 MW adicionados, seguido por Minas Gerais, que alcançou 1.214,75 MW impulsionado especialmente por grandes complexos solares, e pela Bahia, que somou 1.011,7 MW, impulsionada pela expansão eólica no semiárido.
Matriz elétrica brasileira mantém elevada participação renovável
Em 1º de dezembro, o Sistema de Informações de Geração da ANEEL (SIGA) registrou 215.576,6 MW de potência fiscalizada no país. O número reflete exclusivamente a geração centralizada, e não inclui a GD, que já passa de 28 GW.
Deste total, 84,45% correspondem a fontes renováveis, o que mantém o Brasil entre os países com maior participação de energia limpa do mundo. A combinação de hidrelétricas, eólicas, solares e biomassa tem sustentado a estratégia de diversificação e segurança elétrica em diferentes cenários hidrometeorológicos.
Especialistas do setor destacam que a forte entrada de solar e eólica reduz a dependência das hidrelétricas em anos de variabilidade climática e reforça o equilíbrio regional da matriz. O desempenho observado em 2025 indica que essa tendência deve se manter, especialmente diante do apetite contínuo de investidores por projetos híbridos, usinas de maior escala e sistemas de armazenamento associados.
Ferramentas de acompanhamento ampliam previsibilidade do setor
A ANEEL lembra que a evolução da expansão pode ser acompanhada em detalhe pelo painel RALIE, plataforma que reúne informações sobre o avanço físico das obras, datas previstas para entrada em operação, regiões de implantação e perfil das fontes. O painel permite cruzar filtros por ano, estado, tipo de usina, estágio de construção e outras variáveis relevantes para agentes, investidores e analistas.
As informações que alimentam o RALIE são atualizadas mensalmente a partir de inspeções em campo nas obras e dos dados apresentados no Relatório de Acompanhamento de Empreendimentos de Geração de Energia Elétrica (Rapeel). A combinação dos dois instrumentos permite à agência manter controle rigoroso sobre cronogramas, cumprimento de obrigações e projeções de entrega futura da expansão.
O uso crescente dessas ferramentas reforça a transparência regulatória do setor elétrico e oferece ao mercado uma visão mais precisa do pipeline de projetos que compõem a futura oferta de energia.
Perspectivas para os próximos meses
Com o desempenho acumulado até novembro, a expectativa de agentes do setor é de que 2025 se consolide como mais um ano de forte expansão da geração centralizada, especialmente nas fontes líquidas em carbono. A entrada de empreendimentos fotovoltaicos de grande porte deve continuar acelerando o crescimento da capacidade instalada, enquanto novos projetos eólicos, sobretudo offshore e híbridos, começam a avançar nas fases de licenciamento e contratação.
A combinação entre segurança regulatória, velocidade de implantação das plantas solares e maior competitividade tecnológica sustenta a projeção de que a energia solar continuará exercendo papel protagonista na expansão em 2026.



