Equatorial Implanta DianE em Sete Distribuidoras e Acelera Rumo à Autonomia em Monitoramento de Ativos

Parceria com o Cepel Fortalece Gestão Preditiva e Visa Aumentar a Confiabilidade Operacional em um dos Maiores Parques de Ativos de Subtransmissão do Brasil

A digitalização dos sistemas elétricos avança em velocidade acelerada, mas seu impacto mais profundo talvez esteja em áreas menos visíveis ao consumidor, como a gestão de ativos, a manutenção preditiva e o monitoramento contínuo de equipamentos críticos. Nesse contexto, o Grupo Equatorial, que opera um dos maiores e mais heterogêneos parques de ativos de subtransmissão do país, deu um passo estratégico ao implementar o DianE, plataforma de diagnóstico avançado desenvolvida pelo Cepel e adotada simultaneamente nas sete distribuidoras do grupo.

O movimento marca o início de uma transformação estrutural na forma como a companhia monitora a condição de transformadores, reatores, disjuntores e demais equipamentos de alta criticidade. A padronização de diagnósticos, a integração de dados contínuos e periódicos e a construção de uma arquitetura tecnológica orientada à predição colocam a Equatorial em uma rota clara rumo ao seu próprio Centro de Monitoramento de Ativos (CiMA), projetado para consolidar análises em múltiplos níveis e ampliar a autonomia tecnológica da empresa.

A modernização ocorre em um momento em que distribuidoras enfrentam desafios crescentes de confiabilidade, pressão regulatória para melhoria de DEC e FEC, variações ambientais extremas e a necessidade de operar de forma integrada regiões que vão da Amazônia a grandes centros urbanos. O uso de modelos uniformes de envelhecimento, criticidade e degradação permite à companhia antecipar falhas, otimizar OPEX e migrar para uma manutenção verdadeiramente orientada à condição, um marco relevante para o setor elétrico.

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Para detalhar essa transição, os impactos imediatos do DianE e o roadmap para o novo centro de monitoramento, conversamos com Caio Huais, gerente de Manutenção de Alta Tensão do Grupo Equatorial. Ele explica como a tecnologia está sendo integrada à arquitetura corporativa, quais capacidades analíticas passam a ser possíveis, como a companhia está internalizando competências e de que forma a evolução digital deve transformar o perfil das equipes e a própria confiabilidade do sistema elétrico brasileiro nos próximos anos.

Cenário Energia: O Grupo Equatorial acaba de concluir a implementação do DianE em sete distribuidoras. Qual é o impacto imediato esperado dessa padronização tecnológica para o parque de ativos de subtransmissão do grupo?

Huais: A implantação do DianE em todas as sete distribuidoras traz padronização dos modelos de diagnóstico, da taxonomia de equipamentos e dos critérios de avaliação de condição. Isso permite comparar subestações e ativos em diferentes regiões usando métricas homogêneas, para priorização eficiente e direcionada de ações preventivas ou corretivas, impactando no aumento da confiabilidade de todo o parque elétrico.

Cenário Energia: A companhia afirma que o DianE é um passo crítico rumo a um Centro de Monitoramento próprio. Que arquitetura tecnológica está sendo construída para viabilizar esse centro e como ele se integrará aos sistemas atuais de supervisão e manutenção?

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Huais: Estamos construindo uma arquitetura em camadas, que envolve desde o DianE a uma depuração dos sistemas supervisórios e das próprias ferramentas SAP com foco no monitoramento do parque de ativos. A integração é feita por meio de interfaces padronizadas e protocolos seguros, garantindo que o Centro complemente, e não substitua, os sistemas atuais, sob gestão do COI, mas com uma ótica de Engenharia de equipamentos.

Cenário Energia: Considerando a transição para a gestão preditiva, qual é o atual grau de maturidade da Equatorial em manutenção preditiva e qual o salto esperado com o uso sistemático do DianE?

Huais: Hoje a Equatorial combina práticas corretivas, preventivas e algumas aplicações preditivas específicas. A entrada do DianE marca a transição para uma gestão preditiva estruturada, com modelos uniformes de envelhecimento, criticidade e degradação. O salto esperado é a migração de inspeções calendarizadas para intervenções orientadas a condição, reduzindo retrabalhos, aumentando o tempo entre falhas e permitindo planejamento de OPEX de forma mais precisa.

Cenário Energia: O Cepel foi responsável pela implantação técnica e pelo treinamento das equipes. Como a Equatorial pretende garantir que esse conhecimento seja internalizado e evolua ao longo do tempo, evitando dependência tecnológica externa?

Huais: Estamos estruturando um modelo de competência interna, com multiplicadores técnicos em cada distribuidora e uma área corporativa responsável por governança, atualização de modelos e capacitação contínua. Além do treinamento inicial do Cepel, criamos rotinas de revisão técnica, trilhas de capacitação, inclusive presenciais, e integração do DianE aos processos de manutenção. Isso reduz dependência externa e garante evolução contínua.

Cenário Energia: A utilização de dados contínuos e ensaios periódicos é um dos pilares do sistema. Quais tipos de análises e diagnósticos o DianE habilita que antes eram inviáveis ou menos precisos?

Huais: O sistema combina dados contínuos (monitoramento online) com ensaios periódicos e históricos. Isso permite a análises de tendência de falha incipiente, com destaque para o diagnóstico avançado de transformadores de potência, com integração de análises de óleo, termografia e outros parâmetros elétricos preditivos, modelos de saúde de disjuntores, baseados em assinaturas de manobra e desgaste mecânico e outros registros que permitir-nos-ão acompanhar de maneira mais regrada a degradação de ativos de alta criticidade para as nossas subestações em todo o Brasil. Antes, muitas dessas análises dependiam de avaliações isoladas, sem padronização, por cada uma das sete distribuidoras ou sem integração temporal consistente.

Cenário Energia: Do ponto de vista regulatório, especialmente no que diz respeito aos indicadores de continuidade (DEC e FEC), como a modernização da gestão de ativos pode contribuir para resultados mais competitivos nas concessões?

Huais: A modernização da gestão de ativos reduz falhas em equipamentos de distribuição, que normalmente têm impacto significativo nos indicadores de continuidade.

Com diagnósticos mais precisos, conseguimos intervir antes do ponto de falha, reduzir desligamentos fortuitos e melhorar a coordenação entre manutenção e operação. O resultado esperado é maior estabilidade do sistema e melhoria de indicadores de continuidade, contribuindo para o atingimento das metas regulatórias, garantindo maior qualidade nos serviços oferecidos aos nossos clientes finais.

Cenário Energia: O parque de ativos da Equatorial é um dos maiores do país, cobrindo desde regiões remotas na Amazônia até grandes centros urbanos. De que forma o sistema lida com realidades tão distintas de operação, carga e condições ambientais?

Huais: O DianE permite parametrizações locais para carga, regime térmico e condições ambientais, essenciais para áreas amazônicas, litorâneas ou de clima semiárido (realidade das nossas distribuidoras de Norte a Sul do Brasil). O modelo considera características de operação, perfis de envelhecimento e níveis de agressividade ambiental específicos de cada distribuidora, garantindo diagnósticos contextualizados e comparáveis, como poderoso apoio à tomada de decisão pelos engenheiros envolvidos.

Cenário Energia: Um dos pontos citados é a melhoria da confiabilidade operacional. Há alguma projeção de redução de falhas, indisponibilidade de equipamentos ou otimização de OPEX após a adoção plena do DianE?

Huais: Ainda estamos em fase de maturação do projeto, mas estimamos, com base em estudos internos e externos (dos parceiros envolvidos), ganhos expressivos, sobretudo com a redução de atendimentos emergenciais, que devem se consolidar à medida que o CiMA entrar em operação plena.

Cenário Energia: O Cepel também vê esse projeto como estratégico para expandir suas soluções tecnológicas. Como a Equatorial avalia o papel do Cepel no futuro da modernização da infraestrutura elétrica brasileira?

Huais: O Cepel desempenha papel estratégico como instituição de pesquisa aplicada do setor elétrico. Para a Equatorial, sua atuação fortalece o desenvolvimento de soluções nacionais, aderentes às necessidades do sistema elétrico de potência brasileiro, e fomenta a modernização tecnológica de forma coordenada entre empresas, instituições acadêmicas e órgãos reguladores.

Cenário Energia: A implementação do DianE é descrita como a “primeira etapa” rumo à autonomia tecnológica. Quais são os próximos passos dessa jornada? Existe um roadmap para que o Centro de Monitoramento se torne totalmente integrado, automatizado e capaz de gerar insights preditivos de alta precisão?

Huais: No curto prazo, o roadmap do projeto foca em fortalecer o ecossistema tecnológico do DIANE por meio da integração com sistemas corporativos, bases de dados estratégicas e plataformas de análise já utilizadas no grupo, com destaque para o desenvolvimento de plug-ins de análises personalizadas e implantação do módulo térmico. A médio e longo prazo, o DianE se integra a um conjunto ampliado de soluções que darão suporte às ações do CiMA.

Cenário Energia: Em termos de cibersegurança, quais protocolos estão sendo adotados para garantir integridade e proteção dos dados provenientes do monitoramento contínuo dos ativos?

Huais: Estão contempladas todas as práticas de cibersegurança (autenticação, autorização, criptografia, etc) padrões do Grupo Equatorial, bem como atendimento às normas internas de compliance e LGPD.

Cenário Energia: A longo prazo, a Equatorial vê a possibilidade de incorporar inteligência artificial ou modelos analíticos avançados (como machine learning) ao Centro de Monitoramento para acelerar diagnósticos e prever padrões de falhas com maior antecedência?

Huais: Sim. O Centro de Monitoramento está sendo concebido para receber, posteriormente, modelos de aprendizado de máquina, que irão depurar ainda mais todos os diagnósticos que se espera obter. Entretanto, esse processo é paulatino e tende a ocorrer após a efetiva entrada em operação do CiMA

Cenário Energia: Na visão da companhia, qual será o impacto desse movimento de digitalização sobre o perfil das equipes de manutenção? O processo exige novas competências técnicas ou mudanças estruturais no modelo de operação?

Huais: A digitalização exige novas competências, como análise de dados, interpretação de diagnósticos avançados e domínio de ferramentas digitais de manutenção. Isso não substitui as competências tradicionais e muito menos a necessidade de engenheiros com base técnica sólida para as tomadas de decisão. Na verdade, potencializa o trabalho desses profissionais, ao propiciar que orientem os times táticos das distribuidoras com intervenções preditivas mais eficientes e direcionadas.

Cenário Energia: O projeto foi apresentado simultaneamente para todas as distribuidoras. Como será a governança desse sistema dentro do grupo? Haverá um núcleo centralizado ou cada distribuidora manterá autonomia operacional?

Huais: Sim. A governança será compartilhada entre a Gerência Corporativa de Manutenção, que gerenciará a operação do CiMA em Goiás, e pontos focais dos táticos das distribuidoras, que implementarão as intervenções solicitadas com base nas grandezas sob monitoramento.

Cenário Energia: Por fim, qual é a visão da Equatorial sobre o futuro da gestão de ativos no Brasil? A digitalização será capaz de transformar a confiabilidade do setor elétrico em escala nacional?

Huais: Temos a visão de que a digitalização é um vetor essencial para transformar a confiabilidade do sistema elétrico brasileiro. Dessarte, ferramentas como monitoramento contínuo, análises automatizadas, inteligência artificial aplicada e gestão integrada de ativos devem levar as empresas que investem nesse tipo de tecnologia a um novo patamar de previsibilidade, eficiência e segurança operativa, com impactos positivos diretos aos consumidores finais.

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