Projeções reforçam atenção ao período úmido e indicam recuperação moderada dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou novas projeções para dezembro indicando aumento da carga de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN) e um cenário generalizado de chuvas abaixo da média histórica. As estimativas acendem um sinal de alerta para o comportamento hidrológico no início do período úmido e reforçam a necessidade de monitoramento contínuo das condições climáticas, especialmente no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, responsável pela maior parte da capacidade de armazenamento do país.
Segundo o operador, a carga consolidada prevista para o mês é de 82.225 MW médios, o que corresponde a uma alta de 2,8% em relação a dezembro de 2024. Já para as afluências hidrológicas, o ONS projeta desempenhos inferiores à Média de Longo Termo (MLT) em todas as regiões do SIN.
Chuvas abaixo da média ampliam incertezas do início do período úmido
De acordo com o ONS, as afluências devem se manter abaixo da MLT em todos os subsistemas:
- Sudeste/Centro-Oeste: 81% da MLT
- Sul: 62% da MLT
- Nordeste: 51% da MLT
- Norte: 75% da MLT
O cenário indica irregularidade no início da estação chuvosa, período que tradicionalmente impulsiona a recuperação dos reservatórios. No Sudeste/Centro-Oeste, a projeção de 81% da MLT reforça preocupações sobre o ritmo de recomposição dos volumes úteis, que historicamente determinam o nível de segurança energética para a transição ao período seco.
No Nordeste, o desempenho previsto de 51% da MLT reflete a continuidade de um regime climático influenciado por variabilidade no Atlântico tropical e efeitos residuais da transição pós-El Niño. O Sul, por sua vez, segue com possibilidade de restrições regionais diante da previsão de apenas 62% da MLT.
Reservatórios devem encerrar dezembro com 45,7% de armazenamento
Mesmo com afluências reduzidas, o ONS projeta que o subsistema Sudeste/Centro-Oeste encerrará dezembro com 45,7% de armazenamento, acima dos 41,9% registrados até esta sexta-feira.
A recuperação moderada esperada pelo operador considera uma estratégia baseada em três vetores: despacho mais otimizado das térmicas, preservando armazenamentos estratégicos, aproveitamento de afluências regionais, ainda que abaixo da MLT, mas suficientes para estancar quedas mais abruptas e Gestão operativa integrada, considerando intercâmbios energéticos entre subsistemas.
Embora o cenário indique estabilidade no curto prazo, o comportamento hidrológico das próximas semanas será determinante para indicar o nível de conforto para o início do período seco de 2026.
Alta na carga reflete dinâmica econômica e efeitos sazonais
O crescimento de 2,8% na carga do SIN também está associado a fatores econômicos e comportamentais típicos do final do ano. Entre os vetores destacados estão o aumento do consumo residencial impulsionado pelas altas temperaturas e uso intensivo de refrigeração, maior movimentação no comércio e serviços no período de festas, aceleração pontual da produção industrial em segmentos que concentram demandas no fechamento do ano e intensificação de uso de infraestrutura de TI e serviços digitais em grandes centros urbanos.
O ONS observa ainda que a expansão da geração distribuída continua influenciando a leitura da carga líquida, exigindo metodologias mais refinadas para projeções de curto prazo.
Impactos para a operação e para os agentes do mercado
O conjunto das projeções reforça um ambiente operacional equilibrado, porém sensível ao regime de chuvas. Entre os principais pontos de atenção para agentes do mercado regulado e livre estão:
- possível menor recuperação dos reservatórios caso o déficit de chuvas se mantenha;
- efeitos sobre o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) diante de eventuais despachos térmicos adicionais;
- necessidade de ajustes na estratégia hidrotérmica em momentos de maior carga;
- monitoramento contínuo das variáveis climáticas, que têm mostrado maior volatilidade.
Para o mercado, dezembro tende a servir como recorte relevante para projeções iniciais de 2026, em um contexto marcado pela expansão da matriz renovável, maior participação da geração distribuída e crescente complexidade climática.



