Afluências seguem acima de 80% da MLT no Sudeste/Centro-Oeste e Sul, aponta ONS

Boletim do PMO indica projeções favoráveis de ENA e avanço da carga em três subsistemas, enquanto reservatórios mantêm tendência de recuperação com a entrada do período úmido

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prevê um cenário hidrológico mais favorável para o fechamento de novembro, especialmente nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO) e Sul, que devem registrar Energia Natural Afluente (ENA) acima de 80% da Média de Longo Termo (MLT). Os dados constam no boletim do Programa Mensal da Operação (PMO) para a semana operativa de 22 a 28 de novembro, divulgado pelo órgão.

Com a aproximação do período úmido, as condições de afluências se mostram mais positivas para parte do território nacional, ainda que Norte e Nordeste permaneçam em patamar mais baixo. As projeções hidrológicas, combinadas com o comportamento dos reservatórios e o avanço da carga em três dos quatro subsistemas, reforçam o momento de estabilidade operativa do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Afluências acima da média histórica no SE/CO e Sul

No relatório semanal, o ONS estima que os subsistemas Sul e Sudeste/Centro-Oeste encerrem novembro com 93% e 81% da MLT, respectivamente, os maiores índices do país. O comportamento hidrológico nessas regiões é central para a operação, já que, juntas, elas concentram mais de 70% da capacidade de armazenamento do SIN e exercem forte influência na formação do Custo Marginal de Operação (CMO).

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Nas demais regiões, o quadro permanece menos favorável: 58% da MLT no Norte e 29% da MLT no Nordeste. Embora abaixo da média, o número do Norte mostra leve melhora em relação às semanas anteriores, alinhada à tendência de transição para o período chuvoso na bacia amazônica.

Reservatórios apresentam tendência de recuperação

Além das afluências, o boletim traz projeções para a Energia Armazenada (EAR), indicador que reflete diretamente o nível dos reservatórios. O subsistema Sul novamente lidera, com projeção de 89,6%, seguido pelo Norte, com 57,9%.

Já o Nordeste deve fechar o período com 45,6%, enquanto o Sudeste/Centro-Oeste aparece com 43,4%, uma recuperação gradual, mas ainda aquém dos patamares ideais para o período úmido.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) destacou a estratégia de gerenciamento dos recursos hídricos, adotada para assegurar a continuidade do suprimento energético. Embora o momento exija atenção, o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, afirma que a situação está dentro da normalidade operativa.

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“Com o avanço do período úmido, a tendência é que as previsões de ENA e EAR possam aumentar ao longo dos próximos meses. Continuamos otimizando os recursos, com uma política operativa de preservação dos reservatórios, garantindo a segurança e o pleno atendimento das demandas de carga e potência”, destaca Rea.

Carga deve avançar em três subsistemas em 2025

As projeções de demanda seguem indicando crescimento no longo prazo. De acordo com o PMO, o Sistema Interligado Nacional deve registrar expansão de 0,9%, alcançando 81.970 MWmed em novembro de 2025, na comparação com igual período de 2024.

O maior avanço percentual é esperado para o Norte, que deve crescer 9,3% (8.997 MWmed), impulsionado pelo dinamismo econômico regional, expansão industrial e aumento da população atendida. O Nordeste aparece na sequência, com alta prevista de 3,5% (14.105 MWmed), influenciada pela consolidação de polos industriais e crescimento da geração distribuída.

No Sudeste/Centro-Oeste, a estimativa aponta evolução mais modesta, de 0,2% (45.215 MWmed), reflexo da maturidade do mercado e do comportamento da demanda em centros urbanos. Já o Sul é o único subsistema com projeção de retração, estimada em 4,1% (13.653 MWmed), influenciada por temperaturas mais amenas, maior participação da geração distribuída e variações no consumo industrial.

CMO permanece equalizado em todo o país

O boletim também confirma que o Custo Marginal de Operação permanece equalizado entre todos os subsistemas, no valor de R$ 324,17/MWh. A equalização do CMO reflete a atual estabilidade hidrotérmica e a menor necessidade de despacho fora da ordem de mérito, cenário que tende a se manter com a continuidade das chuvas.

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