Movimento reforça estratégia da companhia de alumínio de ampliar portfólio renovável e garantir competitividade com energia limpa e de longo prazo
A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) concluiu um passo estratégico em sua jornada de descarbonização e eficiência energética. A empresa anunciou, nesta segunda-feira (3), a finalização da aquisição de participação em ativos de autoprodução de energia eólica do Complexo Serra do Tigre, localizado no Rio Grande do Norte, detidos pela Casa dos Ventos, um dos principais desenvolvedores de projetos de energia renovável do país.
Com a conclusão da transação, aprovada sem restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), a CBA consolida sua posição entre as grandes indústrias brasileiras que estão fortalecendo seu portfólio energético com fontes limpas, de forma a reduzir custos, garantir previsibilidade e apoiar a transição energética nacional.
O acordo prevê o fornecimento de 60 megawatts médios (MWm), que serão destinados à Fábrica Alumínio (SP), com início antecipado de suprimento para ainda em 2025. A gestão da operação e manutenção dos ativos continuará sob responsabilidade da Casa dos Ventos, que também será a geradora da energia no complexo.
Energia eólica como pilar de competitividade industrial
A aposta da CBA na energia eólica reforça o papel da autoprodução como uma estratégia de longo prazo para o setor eletrointensivo. Além de reduzir a exposição à volatilidade do mercado livre e aos custos do sistema, a medida se alinha ao objetivo da companhia de construir um portfólio energético resiliente, diversificado e sustentável.
De acordo com a empresa, a operação no Complexo Serra do Tigre contribui diretamente para a competitividade da produção de alumínio primário, que depende fortemente da disponibilidade e do custo da eletricidade. A energia gerada será usada para abastecer parte da demanda da unidade industrial de Alumínio (SP), garantindo maior autonomia e previsibilidade de preços.
A iniciativa também reforça a posição da CBA como uma das empresas mais eficientes do setor. Fundada em 1955, a companhia mantém emissões de gases de efeito estufa cerca de quatro vezes menores que a média mundial da indústria do alumínio. Ainda assim, busca ir além: a meta é reduzir em 40% as emissões até 2030, abrangendo toda a cadeia produtiva, desde a mineração da bauxita até a fundição do alumínio.
Parceria estratégica com a Casa dos Ventos
A escolha da Casa dos Ventos como parceira na expansão da base renovável reflete a busca da CBA por projetos maduros, com alta performance operacional e impacto ambiental positivo. A desenvolvedora é referência nacional em geração eólica e solar, com portfólio robusto em operação e em construção em diversos estados do Nordeste.
O Complexo Eólico Serra do Tigre, localizado no Rio Grande do Norte, é considerado um dos empreendimentos mais promissores da região em termos de fator de capacidade e estabilidade de vento, características que garantem produção energética eficiente e previsível.
Com o fornecimento assegurado de 60 MWm, a CBA não apenas garante o abastecimento de suas operações industriais, mas também fortalece a cultura de parcerias sustentáveis que impulsionam o crescimento de toda a cadeia da transição energética brasileira.
Indústria de alumínio na vanguarda da descarbonização
O movimento da CBA ocorre em um momento em que o setor industrial intensifica sua busca por autossuficiência energética e redução da pegada de carbono. No caso do alumínio, um dos produtos mais intensivos em energia elétrica, a eficiência energética é determinante para manter competitividade em escala global.
Ao investir em autoprodução e firmar parcerias com geradores renováveis, a CBA se alinha às práticas de economia de baixo carbono e contribui para consolidar a liderança do Brasil em geração renovável, hoje responsável por mais de 80% da matriz elétrica nacional.
Além disso, o avanço de contratos bilaterais de longo prazo, como o firmado entre a CBA e a Casa dos Ventos, tem sido apontado por especialistas como um motor fundamental para o crescimento da matriz renovável brasileira. Com a redução dos leilões regulados, esses acordos privados se tornaram essenciais para sustentar novos investimentos e ampliar a participação de fontes limpas no sistema.



