Operador aponta estabilidade no Sudeste e retração no Sul; revisão para baixo reflete temperaturas amenas e ritmo moderado da atividade econômica
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estima que o consumo de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN) alcance 81.984 megawatts médios (MWmed) em novembro de 2025, o que representa alta anual de 0,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A nova projeção, divulgada no Relatório da Programação Mensal da Operação (PMO), revisa para baixo a previsão anterior, que indicava aumento de 3,2% na comparação anual.
Segundo técnicos do ONS, o ajuste reflete a dinâmica recente da carga elétrica, influenciada por temperaturas mais amenas em boa parte do país nos últimos meses e pela atividade econômica ainda em ritmo moderado, o que reduziu o crescimento da demanda nas classes residencial e comercial.
“A revisão incorpora os efeitos climáticos observados ao longo do terceiro trimestre e o comportamento de consumo dos grandes centros, que apresentaram carga mais estável do que o projetado inicialmente”, explicou a equipe técnica do ONS durante a reunião de apresentação do PMO.
Sudeste e Centro-Oeste mantêm estabilidade, enquanto o Sul registra retração
Responsável por cerca de 55% da carga nacional, o submercado Sudeste/Centro-Oeste deve consumir 45.128 MWmed em novembro, volume praticamente estável em relação ao mesmo período de 2024. A estimativa anterior do ONS também previa crescimento de 3,2%, mas foi ajustada diante de um cenário de temperaturas mais baixas e menor demanda industrial em estados como São Paulo e Minas Gerais.
No Sul, a projeção aponta queda de 2,4%, com carga esperada de 13.917 MWmed. O número reverte a expectativa anterior de crescimento de 1,1%. Segundo o ONS, o recuo está associado às condições climáticas mais frias do que o habitual e à menor atividade em setores eletrointensivos, especialmente nas indústrias metalúrgica e de papel e celulose.
Norte e Nordeste sustentam crescimento do consumo
Em contrapartida, as regiões Norte e Nordeste seguem como principais vetores de crescimento da carga. No Nordeste, o consumo projetado é de 14.125 MWmed, representando aumento de 3,7% sobre novembro do ano passado. A região mantém a mesma taxa de expansão estimada no relatório anterior.
Já o Norte deve registrar a maior variação percentual do país, com previsão de 8.814 MWmed, alta anual de 7,1%. O ONS revisou para cima a projeção anterior, que era de 6,3%. A expansão reflete a expansão de novos empreendimentos industriais, sobretudo no Pará e em Rondônia, e o crescimento da geração distribuída solar, que altera o perfil de demanda horária, mas mantém a tendência de alta na carga total.
Dezembro deve marcar retomada mais forte da demanda
Para dezembro, o ONS projeta um cenário mais aquecido, com a expectativa de 82.656 MWmed de carga no SIN, alta anual de 3,3%. O aumento é sustentado por temperaturas mais elevadas e pelo tradicional incremento de consumo comercial e residencial no período de fim de ano.
A previsão regional para dezembro indica crescimento de 0,8% no Sudeste/Centro-Oeste (45.557 MWmed), 8,5% no Sul (14.529 MWmed), 2,5% no Nordeste (13.923 MWmed) e 9,8% no Norte (8.628 MWmed).
Os técnicos do ONS explicam que, diferentemente de novembro, as projeções para dezembro não contam ainda com premissas meteorológicas consolidadas, considerando principalmente a sazonalidade típica e tendências de carga observadas em anos anteriores.
Tendência para o fim do ano e impactos na operação
Com o leve desaquecimento da carga em novembro, o ONS avalia que o sistema elétrico segue operando em condições confortáveis, com reservatórios em níveis adequados e sem necessidade de despacho térmico adicional relevante. A tendência é de retomada gradual da demanda nos próximos meses, acompanhando a melhora das temperaturas e a retomada setorial.
A perspectiva reforça o desafio de equilibrar a expansão do consumo com a integração crescente de fontes renováveis variáveis, principalmente a geração solar distribuída, que continua alterando o perfil de carga diurna nos submercados Nordeste e Sudeste.



