Ministro de Minas e Energia confirma portaria para ainda este ano e reforça que o país entrará definitivamente na era do armazenamento em larga escala
O Brasil dará um passo histórico em direção à modernização do seu sistema elétrico com a realização do primeiro leilão de baterias de energia. A informação foi confirmada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante audiência na Comissão de Relações Exteriores, nesta quarta-feira (15). Segundo o ministro, a portaria que regulamentará o processo será publicada até o final de 2025, abrindo caminho para a contratação de projetos de armazenamento de energia elétrica em larga escala.
“Vamos fazer o primeiro leilão de bateria em dezembro”, afirmou Silveira, destacando que o Brasil precisa estar preparado para lidar com a intermitência das fontes renováveis e garantir segurança energética diante do avanço da geração solar e eólica.
Armazenamento de energia: novo pilar da transição energética
O anúncio marca um divisor de águas para o setor elétrico nacional. Até hoje, o Brasil avançou significativamente na expansão da geração renovável, especialmente solar e eólica, que juntas já representam mais de 25% da matriz elétrica brasileira. No entanto, o país ainda carece de mecanismos eficientes de armazenamento que permitam equilibrar a oferta e demanda em momentos de baixa geração ou alta carga.
O leilão de dezembro será o primeiro passo concreto do governo federal para inserir a tecnologia de baterias na matriz energética. A iniciativa está alinhada às políticas de transição energética e segurança do sistema interligado nacional (SIN), fortalecendo o papel do Brasil como referência em sustentabilidade e inovação no setor.
Segurança energética e estabilidade do sistema
Especialistas vêm alertando que o crescimento acelerado da geração distribuída e da energia renovável variável exige novas soluções para manter a estabilidade da rede elétrica. As baterias de grande porte, já amplamente utilizadas em países como Estados Unidos, China e Austrália, permitem armazenar energia nos horários de sobra e liberá-la nos momentos de pico, reduzindo a necessidade de despacho térmico e o custo global da energia.
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o novo modelo de contratação buscará integrar sistemas de armazenamento às redes de transmissão e distribuição, priorizando regiões estratégicas onde há forte presença de renováveis. O foco inicial deve estar no Nordeste, onde a expansão solar e eólica cresce em ritmo acelerado e já provoca desafios operacionais.
Leilão de baterias: como vai funcionar
A portaria a ser publicada definirá as regras e diretrizes do leilão, incluindo os critérios técnicos, prazos de implantação e modelo de remuneração dos projetos. A expectativa é de que o formato siga a lógica dos leilões tradicionais de energia, com contratos de longo prazo, mas adaptado à natureza dos sistemas de armazenamento.
De acordo com fontes do setor, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) têm colaborado com o MME na elaboração dos parâmetros técnicos. O objetivo é garantir que os sistemas de baterias contribuam de forma efetiva para a estabilidade da frequência, controle de tensão e alívio de congestionamentos na rede.
Brasil se alinha às tendências globais
A decisão do governo brasileiro segue a tendência de outros países que enxergam o armazenamento de energia como elemento central da transição energética e da modernização do setor elétrico. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a capacidade global de armazenamento deve triplicar até 2030, impulsionada pela queda nos custos das baterias e pela necessidade de integrar fontes renováveis intermitentes.
Com o leilão, o Brasil busca atrair novos investimentos e criar uma base sólida para a indústria nacional de baterias, abrindo oportunidades para empresas de tecnologia, engenharia e serviços especializados.



