Bloco aprova agenda 2025-2026 com foco em minerais críticos, integração regulatória e cooperação em pesquisa
O Mercosul deu um passo estratégico na consolidação de uma agenda comum para a mineração de minerais críticos e seu papel central na transição energética. Representantes do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai participaram, em 29 de agosto, da XXXII Reunião Ordinária do Subgrupo de Trabalho de Mineração e Geologia (SGT-15), que marcou a aprovação do Plano de Trabalho 2025-2026.
O encontro, realizado em meio ao crescente protagonismo dos minerais estratégicos na descarbonização global, reforçou o alinhamento entre os países do bloco no desenvolvimento de políticas públicas e iniciativas de cooperação técnica. O plano aprovado está estruturado em cinco blocos de ação, voltados para mapeamento mineral, projeção de demanda global, pesquisa e desenvolvimento, regulação e políticas públicas, além da definição de projetos estratégicos de impacto regional.
Plano de Trabalho 2025-2026: eixos estratégicos
A agenda aprovada prevê a intensificação do mapeamento do potencial mineral do Mercosul, identificando áreas de interesse para exploração sustentável. Também contempla estudos prospectivos sobre a demanda global de longo prazo por minerais estratégicos — como lítio, níquel, cobre e terras raras — fundamentais para a fabricação de baterias, turbinas eólicas, painéis solares e veículos elétricos.
Outro eixo é o fortalecimento da cooperação regional em pesquisa, inovação tecnológica e desenvolvimento de cadeias produtivas de valor agregado, com destaque para o intercâmbio de experiências entre instituições de pesquisa, universidades e setor privado.
Na frente regulatória, os países se comprometeram a analisar harmonização de normas e políticas públicas, de modo a reduzir barreiras e tornar a região mais competitiva diante da crescente demanda internacional. Por fim, a agenda contempla a seleção e implementação de projetos estratégicos conjuntos, capazes de gerar impacto direto na integração energética e mineral do bloco.
Visão integrada para o futuro
Segundo Gustavo Santos Masili, coordenador-Geral de Minerais Estratégicos e Transição Energética no Setor Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME), o encontro foi mais do que uma etapa burocrática.
“Hoje estamos aprovando os rumos e cronogramas dos trabalhos para que possamos dar continuidade aos projetos de modo coeso entre os países. Essa união de esforços é fundamental para que o Mercosul avance com uma visão integrada, capaz de responder às demandas globais e, ao mesmo tempo, valorizar o potencial mineral da nossa região”, destacou.
A fala de Masili reflete o entendimento de que a segurança energética e a competitividade industrial dependem diretamente da capacidade dos países latino-americanos de aproveitar seus recursos naturais de forma sustentável e articulada.
Apoio internacional e financiamento
Outro destaque do encontro foi a aprovação da estruturação de um estudo técnico sobre minerais estratégicos, que contará com apoio da Organização Latino-Americana de Energia (Olade) e financiamento do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).
Esse estudo aprofundará a análise das potencialidades regionais, oferecendo subsídios técnicos para orientar investimentos, políticas públicas e parcerias internacionais. A expectativa é que os resultados consolidem o papel do Mercosul como fornecedor estratégico global de minerais críticos, em um cenário onde a demanda por insumos da transição energética cresce de forma exponencial.
Compromisso regional e posicionamento global
O encontro foi encerrado com o compromisso das delegações de manter o diálogo ativo e permanente, assegurando que as próximas etapas da agenda sejam conduzidas de forma técnica, estratégica e integrada.
O movimento ocorre em um momento em que os blocos econômicos ampliam esforços para garantir acesso seguro e sustentável a minerais críticos, diante da concentração geográfica de reservas e da competição entre grandes economias.
Com a agenda aprovada, o Mercosul busca se posicionar como um ator relevante na geopolítica da transição energética, promovendo integração regional, segurança de suprimentos e valorização de sua base mineral.



