Carga de energia no Brasil tem queda em setembro, mas deve retomar crescimento em outubro, projeta ONS

ONS aponta que temperaturas mais amenas explicam recuo momentâneo; melhora no armazenamento hidrelétrico permite aumento de vazões em usinas estratégicas

O consumo de energia elétrica no Brasil deve registrar um leve recuo de 1% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2024, mas já há sinalização de recuperação para outubro, quando a carga deverá crescer 2,3%, segundo projeções divulgadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nesta quinta-feira (28).

De acordo com o ONS, o movimento reflete principalmente a influência das condições climáticas, que vinham se comportando de maneira atípica desde julho, e agora começam a retornar à normalidade.

“Em setembro, a carga começa a se aproximar de níveis de maior normalidade, para cerca de 80,5 gigawatts (GW) médios, após meses mais atípicos de agosto e julho, principalmente em função de temperaturas abaixo da média histórica pelo país”, explicaram técnicos do operador durante reunião de programação de operação.

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Clima como fator determinante

Os técnicos ressaltaram que a demanda de energia elétrica é diretamente impactada pela temperatura e pelos padrões de consumo da população. Em setembro de 2025, mesmo com expectativa de temperaturas próximas ou acima da média histórica em diversas capitais, haverá redução na comparação anual porque, em setembro de 2024, o país registrou um clima excepcionalmente quente. Essa base de comparação explica a queda momentânea de 1%.

Em outubro, contudo, o cenário se inverte. Com a chegada de um período mais quente e ainda sem a estabilidade das chuvas, a carga prevista sobe para 83,6 GW médios. Esse crescimento tende a acompanhar o aumento do uso de refrigeração e climatização em residências, comércios e indústrias.

Impactos na operação do sistema elétrico

A evolução da carga também influencia as decisões de despacho e operação do parque gerador brasileiro. Segundo o ONS, a partir de 1º de setembro será iniciado o processo de aumento das vazões defluentes em duas importantes hidrelétricas da bacia do Rio Paraná: Porto Primavera e Jupiá.

Atualmente, essas usinas operam com 3.900 m³/s e 3.300 m³/s, respectivamente. O volume havia sido reduzido ao longo de 2025 como medida preventiva para garantir o nível de armazenamento dos reservatórios, em meio ao período de estiagem.

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“A retomada das vazões a partir do próximo mês está associada a uma melhora das condições de armazenamento”, destacou o ONS.

Essa decisão reforça a importância da gestão hídrica na matriz elétrica brasileira, ainda majoritariamente dependente da geração hidrelétrica, embora as fontes renováveis — como eólica e solar — tenham ampliado sua participação.

Perspectivas para o setor elétrico

O acompanhamento da evolução da carga é considerado um dos indicadores-chave para projeções econômicas e para a segurança energética nacional. Apesar da leve queda em setembro, especialistas veem o movimento como pontual, sem impacto estrutural sobre o consumo no médio prazo.

A retomada em outubro, associada a temperaturas mais elevadas, tende a dar continuidade ao padrão histórico de maior demanda nos meses mais quentes do ano. Para o setor elétrico, o desafio será garantir que a entrada de novas fontes e a gestão dos reservatórios mantenham a estabilidade e a confiabilidade do sistema.

Nesse contexto, as medidas anunciadas pelo ONS reforçam o papel estratégico da operação integrada do sistema interligado nacional (SIN), especialmente em momentos de transição climática entre o período seco e o úmido.

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