Críticas de Tarcísio à Enel expõem debate sobre modelo de concessão em São Paulo

Governador questiona falta de investimentos; distribuidora rebate e anuncia aporte recorde de R$ 10,4 bilhões até 2027

A relação entre o governo paulista e a Enel Distribuição São Paulo, concessionária responsável pelo fornecimento de energia a mais de 8 milhões de clientes na capital e em 23 municípios, voltou ao centro do debate nesta segunda-feira (18). Durante o Fórum VEJA Infraestrutura, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, criticou o modelo de concessão e afirmou que a empresa não estaria realizando os investimentos necessários no sistema elétrico.

Segundo Tarcísio, o contrato atual não estimula aportes porque parte dos custos não é reconhecida pela tarifa regulada. “A empresa não faz CAPEX, não faz OPEX, porque aquilo não vai ser reconhecido na tarifa (devido ao modelo da concessão). E, como não é reconhecido na tarifa, não gera receita, a empresa não investe”, disse o governador, reforçando sua posição contrária à renovação da concessão.

Enel rebate e apresenta plano de investimentos

Em resposta, a Enel emitiu nota pública destacando o compromisso com os clientes paulistas e listando os principais projetos em andamento. A companhia informou que planeja investir R$ 10,4 bilhões entre 2025 e 2027, valor considerado recorde para a região de São Paulo. O foco será a modernização da rede, reforço estrutural e aumento da resiliência diante de eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes.

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“De 2025 a 2027, a companhia está investindo 10,4 bilhões de reais, montante recorde para a região (de São Paulo)”, destacou a distribuidora em nota oficial.

A empresa afirma que tem avançado na digitalização de sua rede elétrica. Em 2019, a Enel São Paulo contava com 6,5 mil dispositivos de automação instalados; atualmente, esse número já ultrapassa 10 mil. A meta é dobrar a quantidade até 2027, reduzindo falhas, agilizando manutenções e aumentando a confiabilidade do sistema.

Reforço operacional e melhoria nos indicadores

Outro ponto destacado pela concessionária é a ampliação do quadro operacional. Entre novembro e março, foram contratados 1.200 novos eletricistas para atuar na área de concessão. Essa medida, segundo a empresa, contribuiu diretamente para a melhoria nos serviços prestados.

Um dos exemplos apresentados foi a redução de 50% no Tempo Médio de Atendimento (TMA) durante o último verão, considerado o melhor indicador dos últimos anos. Esse resultado, afirma a Enel, demonstra que os investimentos em pessoal e tecnologia estão trazendo efeitos concretos para os consumidores.

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Contexto regulatório e impasse sobre concessão

Apesar dos anúncios da empresa, o futuro da concessão da Enel São Paulo ainda é incerto. O contrato atual tem validade até 2028 e, assim como ocorreu no caso da Enel Ceará, a renovação antecipada depende de avaliação do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

As críticas do governador paulista dão peso político ao debate e ampliam a pressão sobre a distribuidora, que tem sido alvo de reclamações em momentos de interrupções no fornecimento, especialmente após fortes tempestades na região metropolitana.

Especialistas do setor apontam que a discussão vai além do desempenho da empresa e expõe fragilidades no modelo regulatório de concessões, que precisa equilibrar tarifas justas para os consumidores e estímulo adequado para investimentos.

Energia e desenvolvimento em pauta

Com a crescente demanda por energia elétrica e a necessidade de modernizar a infraestrutura para resistir a eventos climáticos extremos, o setor de distribuição se torna peça-chave no planejamento energético de São Paulo.

Se por um lado a Enel tenta mostrar números que comprovam sua capacidade de investimento e compromisso com a melhoria dos serviços, por outro, a pressão política liderada pelo governo estadual pode influenciar diretamente na decisão sobre o futuro da concessão.

O embate entre Tarcísio e Enel promete se intensificar e terá impacto direto não apenas no setor elétrico, mas também no ambiente de negócios e no cotidiano de milhões de paulistas que dependem de um fornecimento estável e confiável de energia.

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