Durante painel no Gás & Energy Week 2025, empresa defendeu a contratação de usinas que entreguem, de forma integrada, energia, potência, flexibilidade e segurança sistêmica frente aos novos desafios do setor
A transição energética brasileira exige não apenas a ampliação de fontes renováveis, mas também o fortalecimento da confiabilidade operacional do Sistema Interligado Nacional (SIN). Essa foi a principal mensagem defendida por Victor Gomes, Head de Relações Institucionais e Desenvolvimento de Negócios da Karpowership, durante o painel de encerramento “Tendências em Termelétricas pós-LRCAP” no Gás & Energy Week 2025, evento realizado entre os dias 5 e 7 de agosto, no Rio de Janeiro.
Ao abordar o papel estratégico das usinas termelétricas movidas a gás natural, Gomes alertou para os limites do atual planejamento energético, especialmente em cenários futuros marcados por maior carga e maior penetração de fontes intermitentes, como a solar e a eólica. Segundo ele, há um risco real de o sistema não atender plenamente aos critérios de potência e energia.
“O PEN [Plano Decenal de Expansão] mostra violações importantes no critério de potência e, curiosamente, também no critério de energia em alguns cenários. Isso reforça a necessidade de soluções mais robustas, capazes de garantir estabilidade ao sistema”, afirmou Gomes.
Ausência de critério formal de flexibilidade compromete equilíbrio do sistema
Durante sua participação, o executivo criticou a ausência de um critério formal de flexibilidade no planejamento energético nacional, elemento considerado vital em uma matriz elétrica cada vez mais dependente de fontes intermitentes. Para ele, a flexibilidade precisa ser incorporada como atributo estratégico, e não apenas operacional.
“Desde 2021, o sistema elétrico tem revelado sinais de estresse. As hidrelétricas já não conseguem responder sozinhas às rampas e variações diárias. Precisamos de térmicas flexíveis que possam complementar essa operação com eficiência”, explicou Gomes.
Segundo o executivo, a complexidade crescente do SIN, com inserção massiva de data centers e novas cargas, demanda uma revisão dos critérios técnicos utilizados para contratação de novos empreendimentos. Ele enfatizou que as decisões futuras precisam contemplar usinas capazes de oferecer atributos múltiplos, de forma simultânea.
“Precisamos de ativos que entreguem potência, energia, flexibilidade e segurança sistêmica de forma integrada. E, nesse cenário, a termelétrica a gás natural se mostra como a solução mais completa”, defendeu.
Karpowership amplia presença no Brasil com portfólio estruturado
Com atuação global na geração embarcada por meio de usinas flutuantes (powerships), a Karpowership já possui mais de 560 MW de capacidade instalada no Brasil e planeja ampliar sua atuação. A empresa tem buscado atender às necessidades específicas do sistema brasileiro com soluções tecnológicas de rápida implementação e alto desempenho.
“Temos projetos estruturados e prontos para atender às necessidades do sistema elétrico nacional, sempre com foco em soluções confiáveis e sustentáveis para o setor”, concluiu Gomes.
A fala do representante da Karpowership reflete um debate cada vez mais presente entre os formuladores de políticas energéticas, reguladores e investidores: como garantir segurança energética em meio à crescente descarbonização da matriz? Para Gomes, o gás natural segue como vetor de transição, oferecendo estabilidade operacional enquanto as fontes renováveis ganham escala e novos critérios de planejamento são consolidados.
Considerações finais: o papel do gás natural na transição energética brasileira
A participação da Karpowership no Gás & Energy Week 2025 reforça a necessidade de um debate técnico e realista sobre o papel das termelétricas na matriz energética nacional. Com a ampliação de demandas flexíveis, como mobilidade elétrica, produção de hidrogênio e serviços de nuvem, a previsibilidade e estabilidade do sistema se tornam ainda mais desafiadoras.
Nesse contexto, as usinas a gás natural ganham relevância não apenas como suporte emergencial, mas como parte essencial da estratégia energética nacional. A proposta da Karpowership é clara: investir em soluções que combinem confiabilidade, flexibilidade e sustentabilidade.



