Adicional de R$ 7,87 por 100 kWh consumidos reflete aumento dos custos marginais de geração com menor oferta hídrica e uso intensivo de térmicas
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) anunciou nesta sexta-feira, 25 de julho, o acionamento da Bandeira Vermelha – patamar 2 para o mês de agosto. Com isso, os consumidores pagarão um adicional de R$ 7,87 para cada 100 kWh consumidos, refletindo o aumento significativo dos custos de geração no Sistema Interligado Nacional (SIN).
A decisão ocorre em um momento de afluências abaixo da média histórica em praticamente todas as regiões hidrográficas do país, o que compromete a produção das usinas hidrelétricas – principal fonte da matriz elétrica brasileira. Para manter o equilíbrio entre oferta e demanda, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem recorrido ao despacho de usinas termelétricas, cuja energia possui maior custo variável.
“A adoção da bandeira mais onerosa é um reflexo direto das condições hidrológicas desfavoráveis que estamos enfrentando. A utilização intensiva de termelétricas, combinada à limitação de reservatórios estratégicos, impõe um custo adicional que precisa ser sinalizado ao consumidor para garantir a sustentabilidade do sistema”, explica fonte técnica ligada ao setor.
Mecanismo de sinalização e gestão da demanda
Criado em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias tem como objetivo informar aos consumidores sobre o custo real da geração de energia elétrica, promovendo maior transparência e permitindo uma reação mais consciente da demanda. Ao contrário do antigo modelo, em que os custos eram repassados apenas nos reajustes anuais das tarifas, o sistema atual permite ajustes mensais conforme a conjuntura de operação do sistema.
A Bandeira Vermelha patamar 2 representa o mais alto nível de custo no mecanismo, indicando que o Custo Marginal de Operação (CMO) ultrapassou os limites considerados adequados para a operação ordinária do SIN.
“Mais do que um recado econômico, o acionamento da bandeira vermelha é um sinal de alerta para o uso racional da energia elétrica. Reduzir o consumo neste momento contribui não apenas para aliviar o bolso do consumidor, mas também para preservar os recursos hídricos e a confiabilidade do sistema”, reforça a ANEEL.
Perspectivas e sustentabilidade
Especialistas do setor destacam que, embora o país conte com crescente participação de fontes renováveis como a solar e a eólica, a dependência estrutural da geração hidráulica em períodos secos ainda expõe o sistema a riscos tarifários e operacionais. A diversificação da matriz, aliada a políticas de gestão da demanda e expansão de armazenamento, será determinante para reduzir o impacto de futuros acionamentos de bandeiras tarifárias mais elevadas.
A ANEEL também ressalta a importância do consumo consciente como ferramenta de equilíbrio sistêmico. O momento atual, com preços pressionados e maior despachabilidade térmica, exige atenção não apenas das instituições, mas também dos consumidores e agentes do setor.


