Com alta de mais de 40% nos contratos fechados, setor registra crescimento expressivo na migração para o Ambiente de Contratação Livre; medida permite reduzir custos e viabilizar uso de energia limpa sem investimento inicial
A busca por soluções energéticas mais econômicas, sustentáveis e previsíveis tem levado condomínios residenciais e comerciais a migrarem, em ritmo acelerado, para o Mercado Livre de Energia. Somente nos últimos 12 meses, o consumo médio registrado por esse segmento ultrapassou 131,57 MWh, segundo dados divulgados pela Prime Energy, comercializadora exclusiva da Shell Energy no Brasil para consumidores empresariais.
A mudança de perfil reflete uma transformação estrutural no setor elétrico nacional. Estimulados por mudanças regulatórias recentes, como a Portaria nº 50/2022, os empreendimentos conectados à média e alta tensão — conhecidos como Grupo A — passaram a ter liberdade para escolher seus fornecedores de energia a partir de janeiro de 2024. A tendência é que, até 2028, essa possibilidade se estenda também para os consumidores do Grupo B (baixa tensão), incluindo residências e pequenos comércios.
Com isso, mais de 106 mil unidades podem migrar para o Ambiente de Contratação Livre (ACL) nos próximos anos, o que representa um crescimento potencial de 350% no número de consumidores no Mercado Livre, conforme estimativa da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Regiões metropolitanas lideram expansão
Segundo a Prime Energy, os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná concentram os maiores índices de adesão de condomínios residenciais. O crescimento nos contratos fechados já ultrapassa 40%, reflexo da combinação entre benefícios econômicos e operacionais.
“Observamos um crescimento expressivo no número de condomínios em busca de soluções voltadas à eficiência energética e à adoção de práticas que visam redução de custos e menor impacto ambiental. Nesse contexto, o Mercado Livre de Energia tem se destacado como uma alternativa não apenas viável, mas atrativa”, explica Luiz Sigiliano, Diretor Comercial da Prime Energy.
Economia, previsibilidade e sustentabilidade
Entre os principais atrativos para os condomínios estão:
- Redução de custos mensais: É possível obter descontos significativos na fatura de energia, em comparação ao mercado regulado.
- Previsibilidade orçamentária: Os contratos firmados no ACL oferecem estabilidade de preços por prazos maiores, protegendo contra variações tarifárias.
- Energia limpa e rastreável: Os consumidores podem optar por fontes renováveis, como solar e eólica, sem precisar investir em infraestrutura própria.
- Flexibilidade contratual: É possível customizar os contratos conforme o perfil de consumo do condomínio.
- Agilidade na adesão: Diferente da instalação de painéis solares, que envolve obras e custos elevados, a entrada no Mercado Livre ocorre com logística reduzida e sem necessidade de obras civis.
Alternativa à energia solar residencial
Apesar do crescente interesse por soluções de geração distribuída, o custo inicial da instalação de sistemas solares ainda representa uma barreira significativa. Segundo o Censo SíndicoNet 2024, 31% dos moradores estariam dispostos a pagar mais por projetos solares, mas muitos condomínios acabam desistindo por conta do investimento necessário.
Nesse contexto, o Mercado Livre surge como alternativa estratégica, permitindo ao condomínio obter os benefícios da energia renovável sem desembolsar valores com a construção de usinas ou aquisição de placas solares.
Perspectiva de longo prazo
Com a ampliação gradual do acesso ao ACL e o avanço das políticas públicas de descarbonização, a expectativa é de que o número de consumidores — especialmente no segmento de condomínios — continue em forte expansão nos próximos anos. A entrada de novos players e o crescimento da competição entre fornecedores devem tornar as tarifas ainda mais atrativas.
Além dos ganhos econômicos, a migração para o Mercado Livre de Energia contribui diretamente para a redução da pegada de carbono, gerando impacto positivo nas políticas de ESG (Environmental, Social and Governance) dos empreendimentos e agregando valor ambiental e reputacional às edificações.



