Medida entra em vigor neste sábado (28) e vai permitir maior escoamento de energia eólica do Nordeste para outras regiões do país, reduzindo pressão sobre o uso de termelétricas
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) anunciou, nesta quinta-feira (26), um importante avanço para a confiabilidade e eficiência do Sistema Interligado Nacional (SIN): a ampliação de até 1,5 gigawatt (GW) nos limites de intercâmbio de transmissão entre subsistemas no período noturno. A medida passa a vigorar a partir de 00h deste sábado (28) e representa um passo estratégico para otimizar o aproveitamento da energia renovável gerada no Nordeste e fortalecer a segurança energética do país.
O incremento será possível graças à modificação no Sistema Especial de Proteção (SEP), permitindo um aumento da capacidade de exportação do Nordeste respeitando o critério de redundância dupla (N-2), o que garante segurança operacional mesmo diante de falhas em dois elementos críticos do sistema.
“O ONS esperava um ganho entre 500 MW e 1 GW, portanto, o resultado final, de até 1,5 GW, superou nossas expectativas para o período noturno”, afirmou Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS, durante a apresentação do Programa Mensal de Operação (PMO) realizada na sede do operador, no Rio de Janeiro.
Maior integração regional e uso eficiente da geração renovável
A medida permitirá escoar mais energia eólica gerada no Nordeste para o Norte (até 600 MW adicionais) e para o Sudeste e Centro-Oeste (até 900 MW adicionais). Parte dessa energia destinada ao Norte poderá ser redirecionada ao Sudeste por meio do linhão de Belo Monte, otimizando a malha de transmissão nacional.
Esse avanço representa um reforço na integração regional do SIN, garantindo que os excedentes de geração renovável do Nordeste possam atender à crescente demanda de outras regiões, especialmente durante o período seco e em contextos de temperaturas elevadas.
Impacto no uso de termelétricas
Embora a medida não altere a lógica do planejamento mensal ou a formação dos preços de energia – que são definidos por modelos que não captam o nível de granularidade desse tipo de alteração –, o ganho operacional é significativo no tempo real, aumentando a flexibilidade do despacho e o aproveitamento da energia limpa.
“Vamos ter a mesma formação de preços, mas, no tempo real, maior possibilidade de alocação”, explicou Zucarato.
O diretor do ONS ressaltou ainda que, embora a ampliação do limite de transmissão não anule a necessidade de uso de termelétricas, poderá contribuir para reduzir o volume de despacho térmico, sobretudo em momentos de pico de demanda.
“Aumentar o limite (de transmissão) significa reduzir a eventual necessidade de geração termelétrica. Vai anular? Não, porque a carga pode subir muito. Se tiver temperatura muito elevada no auge do período seco, vai demandar mais energia. Esses 1,5 GW a mais podem complementar”, destacou.
Restrição persiste no período diurno
Apesar do avanço, o aumento dos limites não será aplicado ao período diurno, que segue enfrentando restrições operativas específicas.
Atualmente, a exportação de energia do Nordeste durante o dia está limitada por perdas simples, que podem ocasionar falhas de comutação nos sistemas de corrente contínua que conectam as usinas do Madeira e Xingu ao Sudeste. Esse cenário exige cautela na operação para evitar interrupções na transmissão.



