EPE e ONS recomendam reforço de R$ 52 milhões na Subestação Boa Vista para garantir segurança energética em Roraima

Estudo técnico conjunto propõe expansão da capacidade de transformação elétrica para atender crescimento da demanda com a chegada do estado ao Sistema Interligado Nacional

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) publicaram, em 23 de junho, uma Nota Técnica conjunta que propõe investimentos estruturantes na Subestação (SE) Boa Vista, localizada na capital de Roraima. A medida visa reforçar a confiabilidade do sistema elétrico no estado após sua conexão ao Sistema Interligado Nacional (SIN) — processo que deve ser concluído nos próximos meses, encerrando o isolamento energético da única unidade federativa ainda desconectada da malha nacional.

Com um aumento natural no consumo de energia elétrica previsto para os próximos anos, motivado pela conexão ao SIN e pelo dinamismo econômico regional, o estudo propõe ações voltadas à expansão da capacidade de transformação na principal subestação da região. Entre as recomendações, estão a instalação de dois novos transformadores 230/69 kV de 150 MVA, além da manutenção de um equipamento existente como reserva fria, proporcionando maior resiliência frente a eventuais contingências operativas.

O investimento estimado é de R$ 52 milhões, com horizonte de atendimento adequado até 2036, contribuindo para a segurança do suprimento energético no extremo norte do Brasil e reduzindo a dependência da geração térmica local, historicamente mais cara e poluente.

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Transição histórica para o SIN

O estado de Roraima vive um momento decisivo em sua trajetória energética. Desde a década de 1990, a região depende majoritariamente de termelétricas movidas a óleo diesel e de importações da Venezuela, com altos custos operacionais e instabilidade frequente no fornecimento. A esperada conexão com o SIN, via linhão de Tucuruí, representa uma mudança de paradigma no abastecimento energético da região.

Nesse novo contexto, o estudo técnico da EPE e do ONS destaca a necessidade de ampliar a capacidade da infraestrutura de transmissão em Boa Vista. A instalação dos novos transformadores possibilitará um aumento significativo na energia recebida do sistema nacional, viabilizando uma redução substancial do despacho térmico e elevando a qualidade do fornecimento.

Além disso, a proposta traz maior flexibilidade operativa e capacidade de resposta rápida a falhas, ao manter um dos transformadores atuais como reserva estratégica, prática alinhada aos padrões internacionais de confiabilidade elétrica.

Planejamento para o futuro energético de Roraima

A iniciativa se insere na política nacional de planejamento integrado da expansão do setor elétrico, conduzida pela EPE em articulação com o ONS e o Ministério de Minas e Energia. O reforço na SE Boa Vista faz parte de um esforço mais amplo para promover a universalização do acesso à energia de qualidade, especialmente em áreas historicamente negligenciadas pela infraestrutura central.

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A EPE também anunciou que, no segundo semestre de 2025, iniciará um novo estudo para identificar alternativas estruturais adicionais que assegurem o atendimento pleno ao estado de Roraima nas próximas décadas. A meta é antecipar demandas futuras, inclusive em função da transição energética, digitalização da economia e políticas de desenvolvimento regional.

Ganhos ambientais e econômicos

Além da confiabilidade, os investimentos previstos geram impactos ambientais positivos, ao reduzir o uso de fontes fósseis. Roraima registra um dos maiores custos de geração do país, com a energia térmica representando uma parcela expressiva do custo repassado aos consumidores. Com o reforço na subestação e o recebimento mais robusto de energia do SIN — majoritariamente oriunda de fontes hidráulicas e renováveis —, espera-se uma melhora nos indicadores de modicidade tarifária e redução de emissões de gases de efeito estufa.

O projeto está alinhado com as diretrizes do Plano Decenal de Expansão de Energia e integra a agenda estratégica para inclusão energética, sustentabilidade e integração regional da Amazônia Legal.

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