Com base em ações integradas, monitoramento por inteligência artificial e uso de câmeras autônomas, companhias registram queda de 78% nos focos de calor na região em 2026.
O estado do Piauí registrou 3.321 focos de calor entre janeiro e setembro de 2026, conforme levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Do total contabilizado, 678 ocorrências concentraram-se nas proximidades de linhas de transmissão de energia elétrica. Para mitigar os riscos associados aos incêndios florestais e à integridade da infraestrutura de rede, a ISA Energia Brasil e a Taesa promoveram nesta quarta-feira (7) a segunda edição do evento “Juntos Contra as Queimadas”, realizado no município de Eliseu Martins (PI).
O encontro reuniu autoridades públicas, órgãos ambientais, brigadistas e lideranças locais com o objetivo de consolidar sinergias na prevenção e no combate a ocorrências que ameaçam o fornecimento de energia e a segurança das comunidades do entorno. A programação incluiu o reconhecimento oficial ao trabalho desempenhado pelas equipes de brigadistas, ressaltando a relevância da atuação coordenada entre a iniciativa privada e o poder público.
Ações conjuntas e responsabilidade compartilhada
A proteção da infraestrutura de transmissão frente ao avanço de queimadas exige o engrenamento contínuo de múltiplos elos da sociedade e das operações corporativas. A estratégia de prevenção proativa foi destacada por Adriano Martos, gerente regional de Expansão Nacional da ISA Energia Brasil, ao apontar que a articulação entre empresas, governos locais e brigadas especializadas amplia de maneira decisiva a capacidade de resposta rápida aos focos de incêndio, resguardando tanto os ativos do setor elétrico quanto o meio ambiente e as populações lindeiras.
Na mesma linha, Thiago Oliveira, coordenador de Manutenção da Taesa, enfatizou que a resiliência operacional do sistema elétrico passa obrigatoriamente pela gestão de riscos associados a incêndios, o que fundamenta os investimentos contínuos em limpeza de faixas de servidão, aceiros preventivos, suporte a brigadas locais e monitoramento tecnológico avançado.
Tecnologia e inteligência artificial no monitoramento de redes
Para mitigar a vulnerabilidade das linhas de transmissão e subestações na região, as companhias têm incorporado ferramentas de inovação e automação. A ISA Energia Brasil opera um sistema composto por câmeras autônomas alimentadas por energia solar e instaladas em torres da Interligação Elétrica Norte-Nordeste (IENNE). Os dispositivos cobrem um raio de até 25 quilômetros, permitindo a detecção precoce de focos de calor e otimizando o tempo de atuação das equipes a partir da base avançada localizada em Eliseu Martins.
Por sua vez, a Taesa utiliza um Centro de Monitoramento de Queimadas estruturado no município, equipado com 15 câmeras de alta precisão fixadas em estruturas de transmissão. O sistema opera em conjunto com algoritmos de inteligência preditiva integrados ao Centro de Operações da companhia, possibilitando a identificação imediata de anomalias, o isolamento ágil de trechos afetados e a preservação da estabilidade operativa do sistema interligado.
O reflexo prático desse conjunto de medidas preventivas e tecnológicas traduz-se na expressiva redução dos índices de ocorrências. Dados consolidados do INPE apontam uma retração de 78% nos focos de calor registrados nas imediações das linhas de transmissão no Piauí ao longo de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, validando a eficácia do modelo de gestão integrada adotado pelas transmissoras.



