Sindicom alerta Governo para risco de desabastecimento e cobra leilões da Petrobras

Em carta enviada aos ministérios da Fazenda e de Minas e Energia, sindicato denuncia cortes em cotas de diesel pela estatal e pede previsibilidade diante do cenário de guerra no Oriente Médio.

O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) formalizou, nesta terça-feira (18), um alerta crítico às principais instâncias do Governo Federal e à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O documento endereçado aos ministros Alexandre Silveira (MME), Fernando Haddad (Fazenda), Geraldo Alckmin (MDIC) e Rui Costa (Casa Civil) expõe a crescente instabilidade no suprimento nacional e o impacto das incertezas logísticas sobre o planejamento das distribuidoras.

A manifestação ocorre em um momento de extrema sensibilidade para a matriz energética brasileira, pressionada pelo choque de preços internacionais e pela intensificação da disputa global por derivados. Segundo o sindicato, a combinação entre a falta de diretrizes claras na política de preços doméstica e a insegurança no atendimento integral dos pedidos pela Petrobras coloca em xeque a continuidade do fluxo regular de produtos para a sociedade.

Gargalos logísticos e o aumento da dependência de importação

Um dos pontos mais sensíveis destacados pelo setor de distribuição é o estresse na cadeia logística, provocado pela necessidade abrupta de recorrer ao mercado externo para suprir a demanda interna. O Sindicom aponta que o volume importado de Diesel S-10 tem registrado crescimento anual constante, mas o cenário atual exige uma aceleração desse processo para a qual a infraestrutura portuária pode não estar plenamente preparada.

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A Diretoria Executiva do Sindicom manifestou o posicionamento oficial da entidade sobre os desafios operacionais enfrentados pelas associadas: “O segmento de distribuição envida seus melhores esforços para garantir a manutenção do abastecimento nacional, porém observa-se um acúmulo de incertezas que prejudicam o planejamento operacional e logístico das empresas, especialmente no que se refere às decisões sobre aquisição de produto no mercado doméstico ou internacional.”

Cortes nas cotas da Petrobras estressam o mercado

A denúncia mais grave contida na carta refere-se à postura da Petrobras nos meses de março e abril de 2026. As distribuidoras relatam que, apesar do aumento relevante na busca por combustíveis, a estatal tem aplicado cortes nas cotas de fornecimento e negado pedidos adicionais de volume.

Para o sindicato, o cancelamento intempestivo de certames e a instabilidade no calendário de leilões comprometem severamente a previsibilidade estratégica. A entidade defende que a Petrobras retome a realização de leilões em volumes condizentes com a realidade do consumo brasileiro.

Ao detalhar as dificuldades no relacionamento comercial com a petroleira nacional, o documento reitera a gravidade do momento: “As distribuidoras associadas ao SINDICOM têm observado um aumento relevante da demanda por produtos, porém relatam cortes nas cotas de fornecimento e negativa de pedidos adicionais nos meses de março e abril por parte da Petrobras, o que estressa o fluxo regular de produtos.”

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Pressão por medidas emergenciais

O pedido de providências imediatas visa evitar que a disrupção logística nos portos e a negativa de fornecimento doméstico resultem em falta de combustível nos postos de serviço. O Sindicom reforça que as empresas seguem cumprindo seu papel de supridoras estruturais, mas que a sustentabilidade do abastecimento depende de uma coordenação governamental mais robusta e de uma sinalização clara da Petrobras.

O setor agora aguarda uma resposta oficial do Ministério de Minas e Energia e da ANP sobre a possibilidade de abertura de novos leilões extraordinários para garantir que o estoque regulatório e comercial seja mantido em níveis seguros para o país.

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