Eficiência energética ganha protagonismo na transição energética diante do avanço da digitalização e da demanda por eletricidade

Estudo da Schneider Electric mostra que 86% dos consumidores priorizam reduzir o consumo de energia; digitalização, automação e eletrificação emergem como pilares para sistemas elétricos mais eficientes e resilientes

O avanço da digitalização da economia, aliado ao crescimento da demanda por eletricidade e aos compromissos globais de descarbonização, está reposicionando a eficiência energética como um dos principais eixos estratégicos da transição energética. No contexto do Dia Mundial da Eficiência Energética, celebrado em 5 de março, especialistas e empresas do setor reforçam que o desafio atual não se limita a ampliar a oferta de energia, mas também a garantir que a eletricidade seja utilizada de forma mais inteligente, resiliente e sustentável.

No Brasil, onde aproximadamente 89% da matriz elétrica é composta por fontes renováveis, o debate sobre eficiência energética ganha contornos ainda mais relevantes. Apesar da elevada participação de renováveis, o país ocupa apenas a 20ª posição no Índice Internacional de Eficiência Energética, elaborado pela American Council for an Energy-Efficient Economy, que avalia as políticas e o desempenho de eficiência energética entre os 25 maiores consumidores de energia do mundo.

Esse cenário revela que o avanço da eficiência energética permanece como uma oportunidade estratégica para otimizar o uso da eletricidade, reduzir desperdícios e melhorar a competitividade econômica em um ambiente de crescente eletrificação das atividades produtivas.

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Crescimento da demanda elétrica pressiona sistemas energéticos

A pressão sobre os sistemas energéticos tende a se intensificar nas próximas décadas. Projeções da International Energy Agency indicam que a geração de eletricidade nas redes globais deverá crescer 61% entre 2023 e 2040 para atender ao aumento da demanda.

Esse movimento é impulsionado por fatores estruturais como a digitalização da economia, a eletrificação de processos industriais e o crescimento de infraestruturas intensivas em energia, especialmente data centers e plataformas digitais.

À medida que tecnologias digitais se tornam centrais para a economia global, a tendência é que a demanda energética continue a crescer, reforçando a necessidade de soluções que aumentem a eficiência do consumo.

Consumidores passam a priorizar eficiência energética

A mudança de comportamento dos consumidores também tem contribuído para acelerar essa agenda. Uma pesquisa global conduzida pela Schneider Electric revela que 86% dos consumidores consideram a eficiência energética uma prioridade em suas residências, enquanto 45% já adotaram medidas concretas para reduzir consumo e custos, como a substituição de lâmpadas convencionais por tecnologia LED.

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O levantamento indica que a eficiência energética deixou de ser apenas uma agenda técnica para se tornar um vetor de decisões práticas no cotidiano dos consumidores, impulsionando a demanda por tecnologias digitais de monitoramento e gestão do consumo.

Essa transformação amplia o espaço para soluções baseadas em dados, automação e inteligência aplicada à gestão energética.

Digitalização e automação ampliam eficiência no uso da energia

Nesse novo cenário, a integração entre eletrificação, automação e digitalização emerge como uma das principais estratégias para reduzir desperdícios e melhorar a gestão energética.

Empresas do setor vêm desenvolvendo soluções que permitem monitorar o consumo em tempo real, antecipar falhas operacionais e otimizar a performance energética de instalações industriais, comerciais e infraestruturas críticas.

Um exemplo dessa abordagem foi implementado pela Schneider Electric em parceria com a Cencosud Brasil. Utilizando a plataforma EcoStruxure Resource Advisor para gestão energética em lojas do grupo varejista, o projeto resultou em economia de 3.840 MWh de eletricidade e redução de 568 toneladas de emissões de CO₂.

A solução também permitiu reduzir em 98% o consumo de energia do sistema de climatização fora do horário de funcionamento, demonstrando o potencial das plataformas digitais para ampliar a eficiência energética das operações.

Eficiência energética acelera metas de descarbonização

Além de reduzir custos e melhorar a gestão da energia, a eficiência energética desempenha um papel central na agenda climática global. Executivos do setor destacam que a combinação entre tecnologia, inovação e colaboração entre empresas e consumidores será essencial para ampliar o impacto das iniciativas de eficiência energética.

Karolina Gutiez, gerente sênior de Comunicação, Relações Institucionais e Sustentabilidade da Schneider Electric na América do Sul, afirma que os esforços da companhia refletem a importância dessa agenda na transição energética global.

“Iniciativas globais da Schneider Electric mostram que a transição energética deve combinar tecnologia, inovação e colaboração para gerar impacto em escala. Globalmente, produtos, softwares e serviços da companhia já ajudaram clientes a evitar mais de 862 milhões de toneladas de emissões de CO₂. Como parte de sua estratégia global, a Schneider Electric estabeleceu a meta de economizar ou eletrificar 1,5 bilhão de MWh de energia por meio de suas soluções até 2030, evidenciando como tecnologias de eficiência energética podem contribuir de forma concreta para a agenda climática e econômica”, afirma Karolina Gutiez.

A executiva também destaca os resultados recentes do programa corporativo de sustentabilidade da companhia. “A eficiência energética é um dos caminhos mais rápidos para acelerar a descarbonização e construir sistemas energéticos mais resilientes e preparados para o futuro”, acrescenta.

Eficiência energética como eixo estruturante do setor elétrico

À medida que a demanda por eletricidade cresce e a digitalização se expande, a eficiência energética tende a assumir papel cada vez mais estratégico para o equilíbrio dos sistemas elétricos.

Além de reduzir custos para consumidores e empresas, iniciativas nessa área contribuem para evitar investimentos desnecessários em expansão de geração e infraestrutura, fortalecendo a sustentabilidade econômica e ambiental do setor.

Nesse contexto, especialistas apontam que tecnologias digitais, automação e gestão inteligente da energia serão determinantes para transformar a eficiência energética em um dos principais pilares da transição energética nas próximas décadas.

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