Boletim da ANP aponta crescimento anual de dois dígitos, avanço do pré-sal na Bacia de Santos e impacto do comissionamento da P-78 no aumento da queima de gás
A produção brasileira de petróleo e gás natural iniciou 2026 em patamar elevado, consolidando o protagonismo do pré-sal na matriz energética nacional. Dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis indicam que o país produziu, em janeiro, 5,168 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), conforme o Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural.
O volume combina 3,953 milhões de barris por dia (bbl/d) de petróleo e 193,16 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) de gás natural, reforçando a trajetória de expansão estrutural da produção brasileira, especialmente nas áreas do pré-sal da Bacia de Santos.
Petróleo cresce 14,6% em base anual
A produção de petróleo em janeiro registrou queda de 1,5% na comparação com dezembro, movimento considerado típico diante de paradas programadas e ajustes operacionais. Em relação a janeiro de 2025, no entanto, houve crescimento expressivo de 14,6%, evidenciando a entrada de novos sistemas de produção e o avanço do ramp-up de plataformas em operação.
No caso do gás natural, a produção alcançou 193,16 milhões de m³/d, com retração de 0,6% frente ao mês anterior e aumento robusto de 20,2% na comparação anual. O desempenho reflete a ampliação da infraestrutura offshore e a maior integração entre sistemas de escoamento e processamento.
Pré-sal concentra 79,9% da produção nacional
O pré-sal manteve posição dominante na produção brasileira de petróleo e gás natural. Em janeiro, o volume total extraído na província atingiu 4,129 milhões de boe/d, o equivalente a 79,9% da produção nacional.
Apesar da redução de 1,8% frente a dezembro, o crescimento anual foi de 19%, consolidando o pré-sal como principal vetor de expansão do setor de óleo e gás no Brasil. Foram produzidos 3,167 milhões de bbl/d de petróleo e 152,98 milhões de m³/d de gás natural por meio de 177 poços.
A performance reforça o peso estratégico da Bacia de Santos no cenário energético nacional, com destaque para campos de grande porte e alto fator de produtividade por poço.
Aproveitamento de gás e impacto da P-78
O índice de aproveitamento de gás natural permaneceu elevado, alcançando 97,1% em janeiro. Do total produzido, 61,92 milhões de m³/d foram disponibilizados ao mercado, enquanto a queima somou 5,68 milhões de m³/d.
A queima apresentou aumento de 16,9% na comparação mensal e de 27% em relação a janeiro de 2025. O principal fator foi o comissionamento da plataforma P-78 no Campo de Búzios, cuja operação teve início em 31 de dezembro de 2025.
Localizado no pré-sal da Bacia de Santos, o Campo de Búzios segue como o maior produtor de petróleo do país, registrando 875,68 mil bbl/d em janeiro. Já o Campo de Tupi liderou a produção de gás natural, com 43,19 milhões de m³/d.
Entre as unidades de produção, o FPSO Almirante Tamandaré, em Búzios, foi a instalação com maior produção de petróleo, atingindo 241.608 bbl/d. No segmento de gás natural, o destaque foi o FPSO Marechal Duque de Caxias, no Campo de Mero, com 12,51 milhões de m³/d.
Predominância offshore e protagonismo da Petrobras
Os campos marítimos responderam por 97,9% da produção de petróleo e 87% da produção de gás natural no mês, confirmando a predominância do offshore na estrutura produtiva brasileira.
A produção teve origem em 6.080 poços, sendo 563 marítimos e 5.517 terrestres. Os campos operados pela Petrobras, de forma isolada ou em consórcio, foram responsáveis por 89,4% do total produzido, evidenciando o peso da companhia na cadeia de óleo e gás.
Variações operacionais e estabilidade do sistema
A ANP ressalta que variações mensais na produção são esperadas e decorrem de fatores como paradas programadas para manutenção, entrada em operação de novos poços, limpeza e ajustes técnicos, além do comissionamento de novas unidades. Essas ações fazem parte da dinâmica operacional do setor e visam assegurar estabilidade, segurança e crescimento sustentável da produção ao longo do tempo.
Com crescimento anual de dois dígitos, forte concentração no pré-sal e expansão contínua da infraestrutura offshore, os dados de janeiro reforçam a posição do Brasil como um dos principais polos globais de produção de petróleo em águas profundas, com impactos diretos sobre a oferta de gás natural, a segurança energética e o equilíbrio do mercado interno.



