Mobilidade elétrica acelera no Brasil: frota de eletrificados cresce 64% em um ano e supera 613 mil unidades

Levantamento da NeoCharge baseado em dados da Senatran aponta salto na adesão aos veículos 100% elétricos e híbridos; BYD, Toyota e GWM lideram o mercado nacional.

A eletrificação dos transportes no Brasil deixou de ser uma tendência de longo prazo para se tornar uma realidade de crescimento exponencial. Um levantamento inédito realizado pela NeoCharge, fundamentado em dados da Secretaria Nacional de Trânsito (SENATRAN), revela que a frota de veículos eletrificados em circulação no país registrou um salto de 63,86% entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025.

Em números absolutos, o parque circulante saltou de 374.333 unidades para 613.389 em apenas 12 meses. O avanço evidencia a aceleração da mobilidade sustentável e impõe novos desafios ao setor elétrico, especialmente no que diz respeito à infraestrutura de recarga e à gestão do impacto desses ativos na rede de distribuição.

Composição da frota e diversificação tecnológica

O estudo da NeoCharge detalha a segmentação dessa frota, evidenciando que o mercado brasileiro amadurece em diferentes frentes tecnológicas. Dos mais de 613 mil veículos registrados até o final de 2025, a divisão por tecnologia apresenta o seguinte cenário:

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  • 100% Elétricos (BEV): 154.085 unidades.
  • Híbridos Plug-in (PHEV): 200.244 unidades.
  • Híbridos Convencionais (HEV): 259.060 unidades.

A presença robusta de modelos plug-in (BEV e PHEV), que totalizam mais de 354 mil veículos, sinaliza uma demanda crescente por pontos de recarga privada e pública, pressionando o desenvolvimento de corredores elétricos e soluções de smart charging.

Liderança de mercado e o domínio das montadoras asiáticas

O levantamento também consolida o ranking das fabricantes que estão moldando o novo perfil da frota nacional. A gigante chinesa BYD isolou-se na liderança, com 203.651 veículos eletrificados em circulação. A Toyota, pioneira nos híbridos no país, ocupa a segunda posição com 130.724 unidades, seguida pela GWM, que registra 72.643 veículos.

Essa concentração de mercado em grandes players globais acelera a padronização de protocolos de recarga e fomenta parcerias estratégicas entre montadoras e comercializadoras de energia para o fornecimento de soluções integradas aos consumidores finais.

Impactos no setor elétrico e infraestrutura

Os dados compilados reforçam a urgência de discussões sobre a expansão da infraestrutura de recarga. A rápida transformação do setor automotivo brasileiro não impacta apenas o transporte, mas redefine o papel das empresas de energia. Com o aumento da frota, temas como a regulamentação do provimento de serviços de recarga, a tarifa horária e o uso de baterias de veículos para estabilização da rede (V2G – Vehicle-to-Grid) ganham protagonismo na agenda regulatória.

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A NeoCharge aponta que esse crescimento abre espaço para discussões fundamentais sobre a robustez do sistema, uma vez que a concentração de recargas em horários de pico pode exigir investimentos adicionais em reforços de rede pelas concessionárias de distribuição.

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