ANP aprova consulta sobre BRA com glosas de R$ 3,2 bi para transportadoras de gás

Diretoria aprova consulta pública de apenas 15 dias para NTS, TAG e TBG; decisão impacta tarifas de transporte e LRCAPs de março

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou, por unanimidade, a abertura de consulta pública sobre a Base Regulatória de Ativos (BRA) das principais transportadoras de gás natural do país, impondo glosas estimadas em aproximadamente R$ 3,2 bilhões nos pleitos apresentados para o ciclo tarifário 2026-2030.

O colegiado acompanhou o voto do relator Pietro Mendes e promoveu cortes relevantes nas propostas encaminhadas por Transportadora Associada de Gás (TAG), Nova Transportadora do Sudeste (NTS) e Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG). A decisão é considerada crítica para a formação das tarifas de transporte de gás natural e, por consequência, para o custo da geração termelétrica no Brasil.

O prazo de consulta pública será de apenas 15 dias, em razão do cronograma dos Leilões de Reserva de Capacidade (LRCAPs), previstos para meados de março.

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“Choque de realidade” na Base Regulatória de Ativos

O ponto central da deliberação está na diferença entre os valores pleiteados pelas transportadoras e os montantes considerados elegíveis pela área técnica da agência.

No caso da TAG, o pedido original de R$ 5,673 bilhões foi reduzido para R$ 4,125 bilhões. Já a NTS, que buscava o reconhecimento de R$ 5,319 bilhões, teve sua base preliminar fixada em R$ 3,626 bilhões.

Os cortes se fundamentam em correções metodológicas, revisão de premissas de depreciação e exclusão de investimentos (CAPEX) que não contaram com anuência prévia do regulador. A sinalização reforça uma postura mais rigorosa da ANP quanto ao reconhecimento de ativos para fins de remuneração via tarifa.

Para o mercado de gás natural, a decisão representa um movimento claro de contenção tarifária, ao limitar a incorporação de ativos considerados inadequados ou não autorizados.

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Valores definidos para demais transportadoras

Além de TAG e NTS, a diretoria estabeleceu os valores preliminares para outros elos da malha de transporte. A TBG teve sua BRA proposta em R$ 2,466 bilhões. A Gasoduto Oeste de Minas (GOM) ficou com R$ 418 milhões. Já a Transportadora Sulbrasileira (TSB) teve valores segmentados: R$ 35,2 milhões para o trecho 1 e R$ 20,8 milhões para o trecho 3.

O voto do relator também introduz o conceito de “aprovações condicionadas” e “projetos contingentes”, permitindo a inclusão futura de ativos na base regulatória apenas mediante comprovação de necessidade e execução técnica ao longo do ciclo tarifário 2026-2030. A medida cria uma espécie de filtro regulatório contínuo, vinculando remuneração à efetiva entrega de investimentos.

Prazo exíguo e impacto nos LRCAPs

A decisão da ANP está diretamente conectada ao calendário do setor elétrico. A definição da Base Regulatória de Ativos é insumo essencial para o cálculo das tarifas de transporte de gás natural, que influenciam o custo variável das usinas termelétricas e sua competitividade nos LRCAPs.

Ao apresentar seu voto, Pietro Mendes detalhou a urgência do cronograma. “Em voto lido na reunião da diretoria da ANP nesta sexta (27), Pietro Mendes sugeriu prazo improrrogável de 15 dias para a consulta pública sobre a BRA, tendo em vista os LRCAPs previstos para 18 e 20 março. Seguindo sugestão da área técnica, o diretor propôs cortes significativos nas propostas enviadas pelas transportadoras, com glosas em CAPEX não autorizado, correções metodológicas e reavaliação de premissas de depreciação.”

O prazo reduzido impõe forte mobilização às transportadoras, que precisarão apresentar argumentos técnicos consistentes para sustentar seus pleitos no curto espaço de tempo.

Sinal regulatório para o mercado de gás natural

A decisão consolida um sinal regulatório relevante: o reconhecimento de ativos na Base Regulatória de Ativos deve observar rigorosamente os princípios da modicidade tarifária e da eficiência.

Ao limitar o repasse de investimentos considerados inadequados às tarifas de transporte, a ANP reforça a preocupação com o impacto final sobre carregadores, consumidores industriais e, indiretamente, sobre o custo da energia elétrica.

O desfecho da consulta pública definirá o nível de atratividade econômica do transporte de gás natural no Brasil até 2030 e influenciará a competitividade do gás nacional frente ao importado. Para o setor elétrico, a equação é direta: tarifas de transporte mais elevadas pressionam o custo das térmicas; bases regulatórias mais enxutas podem contribuir para maior modicidade nos certames de reserva de capacidade.

A disputa técnica sobre a BRA, portanto, ultrapassa o âmbito do transporte e se posiciona como um dos principais vetores de equilíbrio entre regulação, investimento e competitividade energética no país.

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