Conta de luz entre as mais caras do mundo impulsiona geração compartilhada e redefine estratégia de economia no setor elétrico

Com energia elétrica pressionada por tarifas elevadas e aumento do consumo no verão, consumidores buscam alternativas à instalação de placas solares, como a geração distribuída compartilhada regulamentada pela Agência Nacional de Energia Elétrica

O aumento estrutural da conta de luz no Brasil voltou ao centro do debate energético após novos levantamentos indicarem que o país possui a segunda tarifa de energia elétrica mais cara entre 33 nações analisadas pela Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (ABRACE). Em um cenário de temperaturas recordes e maior uso de ar-condicionado, ventiladores e equipamentos elétricos, cresce a pressão sobre o orçamento das famílias e se intensifica a busca por alternativas de economia na fatura.

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) mostram que o verão 2024/2025 foi o sexto mais quente desde 1961. O impacto é direto sobre o consumo de energia elétrica, especialmente nos horários de pico, quando o sistema enfrenta maior carga e as tarifas podem ser pressionadas por bandeiras tarifárias.

Levantamento do Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, divulgado em janeiro, aponta que 77% dos brasileiros percebem aumento dos gastos no verão, sendo a conta de luz o principal fator. Cerca de 14% afirmam evitar o uso de equipamentos elétricos nos horários mais caros, enquanto 10% reduzem o uso do ar-condicionado para conter despesas, um indicativo de que o consumidor já internaliza o peso tarifário nas decisões cotidianas.

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Energia solar: popularização e desafios técnicos

Nos últimos anos, a micro e minigeração distribuída com placas solares se consolidou como alternativa relevante para reduzir custos com energia elétrica. O modelo, regulamentado pela Agência Nacional de Energia Elétrica, permite ao consumidor gerar a própria energia e compensar créditos na rede da distribuidora.

Entretanto, a expansão acelerada do segmento também revelou desafios técnicos e financeiros. Relatos em plataformas de avaliação de serviços indicam que falhas na vedação do telhado podem causar infiltrações, enquanto erros de dimensionamento, sombreamento inadequado e uso de materiais de baixa qualidade comprometem a performance e a durabilidade dos sistemas fotovoltaicos.

Além dos aspectos técnicos, o ambiente econômico passou a influenciar a decisão de investimento. O governo federal iniciou a retomada do Imposto de Importação sobre módulos fotovoltaicos, encerrando um ciclo de alíquota zero que vigorava desde 2015. As taxas, que chegaram a 0% em 2022, voltaram a subir e podem atingir 25% até 2026, encarecendo equipamentos majoritariamente importados e ampliando o prazo de retorno dos projetos.

Esse conjunto de fatores, custo inicial elevado, necessidade de capital ou crédito e riscos técnicos, tem levado parte dos consumidores a buscar alternativas dentro do próprio ambiente da geração distribuída.

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Geração compartilhada ganha espaço

Nesse contexto, o modelo de geração compartilhada avança como solução de menor barreira de entrada. A modalidade permite que consumidores participem de usinas solares remotas, recebendo créditos proporcionais à sua cota de energia injetada na rede, sem necessidade de instalação de placas no imóvel.

O acesso à geração própria ainda esbarra em obstáculos financeiros e na falta de informação, como observa o diretor comercial da NEX Energy, Bruno Marques. “Nem todo mundo tem capital ou crédito para bancar a instalação, e muitos desconhecem que é possível economizar com energia limpa sem obras ou manutenção”, afirma o executivo.

No modelo, a energia gerada é compensada diretamente na fatura da distribuidora, convertendo-se em desconto ao consumidor. A promessa de economia pode chegar a até 25%, dependendo do perfil de consumo e da estrutura contratual.

Bruno Marques destaca ainda um diferencial comercial adotado pela cooperativa. “Além disso, no formato trabalhado pela NEX existe a blindagem contra bandeiras tarifárias através de um modelo que acompanha essas variações. Quando a tarifa de energia sobe, o desconto também aumenta, o que ajuda a manter a economia mesmo em períodos mais caros”, afirma o diretor.

A modalidade é regulamentada pela ANEEL e pode ser contratada digitalmente, o que reduz fricções operacionais e amplia o acesso.

Conta de luz, transição energética e democratização do acesso

O debate sobre a conta de luz no Brasil não se limita à percepção de alto custo. Ele envolve encargos setoriais, subsídios cruzados, expansão da rede, políticas públicas e a própria transição energética. Em um sistema elétrico cada vez mais descentralizado e digitalizado, modelos como a geração compartilhada se inserem como instrumentos de democratização do acesso à energia renovável.

Para o consumidor residencial, a equação passa a considerar não apenas o valor da tarifa, mas previsibilidade, risco técnico, necessidade de investimento inicial e impacto regulatório futuro. Já para o setor elétrico, a expansão da geração distribuída, individual ou compartilhada, impõe desafios de planejamento, compensação financeira e equilíbrio econômico das distribuidoras.

Com a energia elétrica figurando entre as mais caras do mundo e com tendência de volatilidade associada a clima, bandeiras tarifárias e custos estruturais, a busca por alternativas deve permanecer no radar dos consumidores. A geração compartilhada surge, nesse cenário, como vetor relevante de expansão da energia limpa, sem a necessidade de obras, financiamento ou exposição a riscos de instalação.

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