ABDAN vê avanço estratégico em projeto de incentivo a data centers (Redata) e reforça papel da energia nuclear na expansão digital

Associação destaca reconhecimento da fonte nuclear como energia limpa e aponta regulamentação como etapa decisiva para garantir segurança energética e competitividade do Brasil

A Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Atividades Nucleares (ABDAN) avaliou de forma positiva a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto de lei que cria incentivos para a atração de data centers (Redata) ao Brasil. A entidade considera que o texto aprovado sinaliza maturidade regulatória ao reconhecer a importância de fontes limpas e de baixa emissão para sustentar a expansão da infraestrutura digital no país.

O posicionamento ocorre em um momento de crescente debate sobre a segurança energética necessária para suportar a instalação de grandes data centers, ativos intensivos em consumo de energia elétrica, com demanda contínua, elevada confiabilidade e baixa tolerância a interrupções. A discussão envolve diretamente o planejamento da matriz elétrica brasileira, a expansão da geração firme e a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Energia nuclear no centro da discussão sobre infraestrutura digital

Na avaliação da ABDAN, o texto aprovado já contempla a energia nuclear ao reconhecer o papel das fontes limpas e de baixa emissão na sustentação da expansão da infraestrutura digital do país. Desde a versão original da proposta, o enquadramento da nuclear como fonte limpa esteve presente e foi, inclusive, reconhecido pelo próprio governo federal à época da apresentação do projeto.

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O reconhecimento da energia nuclear como fonte limpa é considerado estratégico para o Brasil, especialmente diante da necessidade de ampliar a oferta de geração despachável e de base, característica essencial para operações de data centers, que demandam fornecimento estável 24 horas por dia.

Com a digitalização acelerada da economia, a expansão de inteligência artificial, computação em nuvem e armazenamento de dados, cresce a pressão sobre sistemas elétricos globais. Países que conseguem oferecer energia competitiva, segura e com baixa pegada de carbono tornam-se mais atrativos para investimentos bilionários nesse segmento.

Regulamentação será decisiva para tecnologias nucleares avançadas

A entidade entende que eventuais ajustes mais específicos, como o detalhamento do papel de tecnologias nucleares avançadas, a exemplo dos pequenos reatores modulares (SMRs), poderão e deverão ser tratados na etapa de regulamentação da lei.

Essa fase será determinante para definir critérios técnicos, operacionais e de planejamento que orientem a política pública de atração de data centers. A regulamentação poderá estabelecer parâmetros relacionados a segurança energética, requisitos de fornecimento, estabilidade do sistema elétrico e integração com o planejamento energético de longo prazo.

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A discussão sobre SMRs ganha relevância internacional como alternativa para suprimento energético dedicado a polos industriais e digitais, devido à sua flexibilidade, menor porte e potencial de implantação escalonada.

Segurança energética e competitividade internacional

Na avaliação da ABDAN, a política pública voltada à atração de data centers precisa estar alinhada ao planejamento energético nacional, evitando riscos sistêmicos e assegurando previsibilidade aos investidores.

A associação destaca que poderá contribuir tecnicamente na fase de regulamentação para que a política pública assegure segurança energética, estabilidade do sistema elétrico e competitividade para o Brasil na disputa global por grandes investimentos em infraestrutura digital.

O diálogo com órgãos estratégicos de formulação e planejamento, como o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), é apontado como essencial para garantir que a transição digital ocorra de forma coordenada com a transição energética.

Data centers e a pressão sobre o setor elétrico

A atração de data centers para o Brasil tem potencial de gerar empregos, arrecadação e desenvolvimento tecnológico. No entanto, o crescimento acelerado desse segmento exige planejamento robusto da infraestrutura elétrica, incluindo expansão da geração firme, reforço da transmissão de energia e soluções de confiabilidade.

No contexto brasileiro, caracterizado por alta participação de fontes renováveis intermitentes como solar e eólica, a presença de fontes de base e baixa emissão, como a nuclear, passa a integrar o debate estratégico sobre equilíbrio da matriz.

A consolidação de um ambiente regulatório claro, tecnicamente fundamentado e alinhado ao planejamento energético de longo prazo será determinante para que o país combine competitividade digital com segurança elétrica e sustentabilidade.

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