BRT Rio inicia testes com ônibus elétrico 100% nacional da Eletra e reforça agenda de descarbonização

Veículo fabricado no Brasil começa a operar com passageiros nos corredores do sistema carioca; modelo tem autonomia de até 300 km e integra ciclo de testes da Secretaria Municipal de Transportes

O sistema BRT do Rio de Janeiro iniciou uma nova etapa em sua estratégia de modernização e descarbonização da frota com a entrada em operação de um ônibus elétrico desenvolvido integralmente no Brasil pela Eletra. O veículo começa a rodar em fase de testes com passageiros nos corredores do BRT carioca, dentro do programa estabelecido pela Secretaria Municipal de Transportes.

Produzido em São Bernardo do Campo (SP), o modelo e-Bus reforça a presença da indústria nacional na transição energética do transporte público urbano. A iniciativa ocorre em um dos sistemas de BRT mais exigentes do país, tanto em volume de passageiros quanto em condições operacionais, como altas temperaturas e longos trechos de operação contínua.

Tecnologia brasileira no centro da mobilidade elétrica

A entrada do ônibus elétrico nacional no BRT Rio representa mais do que um teste operacional: sinaliza o avanço da cadeia produtiva brasileira na eletrificação do transporte coletivo.

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Milena Braga Romano, presidente da Eletra, destaca o simbolismo da operação em um dos sistemas mais desafiadores do mundo. “O Rio de Janeiro possui um dos sistemas de BRT mais exigentes do mundo. Estar presente nesta operação com tecnologia 100% brasileira é a prova de que nossa indústria está pronta para liderar a descarbonização das grandes metrópoles com eficiência e orgulho nacional”.

O modelo foi desenvolvido com chassi da Mercedes-Benz, carroceria da Caio e motores e baterias fornecidos pela WEG, compondo uma solução com elevado índice de nacionalização. A proposta é oferecer alternativa competitiva frente a modelos importados, com foco em robustez operacional e suporte técnico local.

Autonomia, carregamento e desempenho no BRT carioca

O ônibus elétrico em teste possui autonomia de até 300 quilômetros e tempo de recarga estimado entre três e quatro horas. Esses parâmetros são considerados estratégicos para sistemas de alta demanda como o BRT Rio, onde a previsibilidade operacional é fator crítico.

Iêda Oliveira, diretora comercial da Eletra, detalha a adaptação técnica do modelo às condições específicas da capital fluminense. “Nosso diferencial no Rio é a customização. Por produzirmos no Brasil, entregamos um veículo perfeitamente calibrado para o clima e a topografia carioca, garantindo autonomia de até 300 km e o suporte técnico imediato que uma operação de alta densidade exige. Podemos ajustar desde a potência do ar-condicionado até o posicionamento das portas para atender exatamente ao que o passageiro carioca precisa”.

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A customização inclui ajustes para enfrentar temperaturas elevadas, variações topográficas e ciclos intensivos de aceleração e frenagem típicos dos corredores segregados.

Conforto ao passageiro e redução de emissões

Além do ganho ambiental, com zero emissão local de poluentes e redução de ruído, o modelo incorpora itens voltados à experiência do usuário. O veículo conta com piso baixo para acessibilidade, entradas USB para carregamento de dispositivos móveis e vidros com proteção UV.

Em termos energéticos, a substituição gradual de ônibus a diesel por modelos elétricos contribui diretamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa no setor de transporte, um dos principais responsáveis pela pegada de carbono nas grandes cidades brasileiras.

Financiamento e política pública de transição energética

Outro ponto relevante da operação é o potencial acesso a linhas de financiamento, como as oferecidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que priorizam conteúdo nacional. A nacionalização da cadeia produtiva amplia a elegibilidade a programas de crédito voltados à mobilidade elétrica e infraestrutura sustentável.

Os testes no Rio de Janeiro seguem até 30 de abril de 2026 e integram o plano de descarbonização da Secretaria Municipal de Transportes. O desempenho do veículo ao longo desse período será determinante para eventuais expansões da frota elétrica no sistema BRT.

Em um cenário de pressão por redução de emissões e modernização da mobilidade urbana, a iniciativa posiciona o Brasil não apenas como mercado consumidor, mas como protagonista tecnológico na eletrificação do transporte público.

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