Processo digital marca avanço na governança e amplia liquidez dos certificados de energia renovável no Brasil, com dupla certificação e foco em metas ESG
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e a Itaipu Binacional deram um passo relevante para o amadurecimento do mercado voluntário de atributos ambientais no Brasil ao anunciar a abertura do edital para venda de Certificados Internacionais de Energia Renovável (I-RECs) lastreados na geração da usina em 2025. A iniciativa inaugura um modelo estruturado e transparente de comercialização desses ativos, com regras claras, cronograma definido e participação integralmente digital.
O movimento ocorre em um contexto de crescente demanda corporativa por certificados de energia renovável, impulsionada por compromissos de descarbonização, metas ESG e necessidade de comprovação de consumo de energia limpa. Ao estruturar um mecanismo concorrencial formal para venda de I-RECs, as instituições elevam o padrão de governança e previsibilidade desse segmento.
Processo competitivo 100% digital e regras definidas
O edital estabelece critérios objetivos de habilitação, prazos e condições para participação no processo competitivo, que será realizado entre os dias 23 e 25 de fevereiro de 2026, das 10h às 18h (horário de Brasília), em formato integralmente digital.
A adoção do modelo online amplia o acesso de participantes de diferentes regiões do país, assegura isonomia entre os interessados e fortalece a rastreabilidade das etapas do certame. Em um mercado historicamente marcado por negociações bilaterais e baixa padronização, o desenho estruturado tende a reduzir assimetrias de informação e ampliar a confiança dos agentes.
Além disso, o detalhamento de critérios para apresentação de propostas e definição de vencedores contribui para maior segurança jurídica, ponto sensível em operações envolvendo atributos ambientais e relatórios corporativos de sustentabilidade.
Dupla certificação e reforço de integridade
Os I-RECs ofertados estarão vinculados à geração de energia renovável da usina de Itaipu referente ao ano de 2025. Os certificados contarão com dupla certificação: o reconhecimento internacional do padrão I-REC e o Selo CCEE Origem.
O padrão I-REC é amplamente aceito em inventários corporativos de emissões e relatórios alinhados a protocolos internacionais, enquanto o Selo CCEE Origem funciona como mecanismo adicional de rastreabilidade e integridade das informações no contexto brasileiro. A combinação dos dois instrumentos busca mitigar riscos reputacionais e garantir aderência às melhores práticas de mercado.
Para empresas que operam sob metas de neutralidade de carbono ou que integram cadeias globais de suprimento, a robustez na comprovação de origem da energia renovável tornou-se fator estratégico. Nesse sentido, a associação dos certificados à geração de uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo agrega relevância ao produto ofertado.
Novo marco para o mercado voluntário de energia renovável
A chamada pública inédita sinaliza uma nova fase para o mercado voluntário de energia renovável no Brasil. A parceria entre CCEE e Itaipu combina a expertise técnica da Câmara na operacionalização de mecanismos de mercado e certificação com a relevância estratégica de Itaipu como ativo central da matriz elétrica brasileira.
O lançamento do edital também dialoga com o crescimento do mercado de certificados de energia renovável no país, que acompanha a expansão das agendas ESG e a pressão por transparência nas cadeias produtivas. Empresas dos setores industrial, financeiro, varejista e de tecnologia têm ampliado a busca por I-RECs como instrumento para redução de emissões indiretas (Escopo 2).
Ao estruturar um mecanismo concorrencial transparente, as instituições contribuem para ampliar a liquidez do mercado, estabelecer referência de preço e criar parâmetros mais claros para futuras operações.
Governança, previsibilidade e ambiente de negócios
Do ponto de vista institucional, a abertura do edital reforça o papel da CCEE na organização de instrumentos de mercado vinculados à energia renovável e atributos ambientais. A iniciativa também fortalece o ambiente de negócios ao oferecer previsibilidade regulatória e padronização operacional.
Para Itaipu, a operação consolida sua posição como referência global em geração limpa e amplia a captura de valor associada aos atributos ambientais de sua produção.
As condições completas de participação, o cronograma detalhado e as orientações operacionais estão disponíveis nos canais oficiais da CCEE, permitindo que agentes interessados avaliem requisitos técnicos e estratégicos antes de ingressarem no processo competitivo.
Em um cenário de transição energética acelerada e crescente sofisticação das exigências de sustentabilidade corporativa, a venda estruturada de I-RECs lastreados na geração de 2025 de Itaipu representa um marco na consolidação do mercado voluntário brasileiro, combinando governança, rastreabilidade e alinhamento às melhores práticas internacionais.



