Qair acelera complexo solar no Ceará com novo aporte da Sudene e mira suprimento de H2V

Com liberação de R$ 17 milhões do FDNE, projeto em Icó (188 MWp) ultrapassa os R$ 105 milhões em financiamento público; planta usará tecnologia bifacial e conexão com o Porto do Pecém.

O avanço da geração fotovoltaica no semiárido cearense atingiu um novo marco financeiro nesta quinta-feira (12). A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) autorizou a liberação de R$ 17 milhões, provenientes do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), para o grupo francês Qair. O recurso é destinado às centrais Bom Jardim Energia Solar 1 e 3, localizadas em Icó (CE), e garante a manutenção do cronograma de montagem eletromecânica das plantas.

Com este aporte, o volume acumulado de recursos do FDNE injetados no complexo alcança R$ 105,7 milhões. O financiamento total contratado via Banco do Nordeste é de R$ 123,9 milhões, cobrindo cerca de 32% do CAPEX total das unidades, orçado em R$ 383,3 milhões.

Tecnologia Bifacial e Eficiência Energética

As unidades Bom Jardim 1 e 3 somam uma capacidade instalada de aproximadamente 120 MWp. O projeto aposta em tecnologia de ponta para maximizar o rendimento no Nordeste: o uso de módulos bifaciais de vidro duplo (Jinko Solar). Essa configuração permite captar não apenas a incidência direta do sol, mas também a radiação refletida pelo solo (albedo), otimizando a geração em regiões de alta irradiância.

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O complexo como um todo, composto por 10 SPEs, terá uma capacidade total de 188,95 MW. O amadurecimento operacional já é visível: em janeiro de 2026, a Aneel autorizou o início da operação em teste da UFV Bom Jardim V (44,6 MW), sinalizando que o empreendimento está próximo da entrada plena no Sistema Interligado Nacional (SIN).

Sinergia Estratégica com o Hub de Hidrogênio Verde

Além de abastecer o SIN com energia capaz de atender 250 mil residências, o Complexo Bom Jardim possui uma função logística vital para a Qair. A energia gerada será interligada ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP).

O objetivo é que a planta atue como uma das fontes de energia renovável para os projetos de Hidrogênio Verde (H2V) da companhia no Ceará. A Qair, que já produz a molécula em escala piloto no estado, busca verticalizar sua operação para garantir o suprimento de energia “limpa e barata” necessária para os eletrolisadores em larga escala.

Desenvolvimento Regional e Governança

A construção do complexo gerou quase 2 mil empregos diretos, com 45% de mão de obra local. O diretor de Gestão de Fundos da Sudene, Heitor Freire, ressaltou que a liberação dos recursos é rigorosamente atrelada à comprovação do avanço físico das obras.

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Com a integração desta parcela, restam aproximadamente R$ 18,2 milhões para a conclusão dos desembolsos contratuais, que ocorrerão conforme o comissionamento das etapas finais. O projeto consolida o Ceará não apenas como exportador de energia, mas como um polo de atração de capital intensivo para a transição energética global.

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