Colegiado valida estudos de alteração do CVaR para 2027 e sinaliza novas reduções de vazão na Bacia do Paraná a partir de março; armazenamento do SIN encerra janeiro em 50%.
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) deliberou, nesta quarta-feira (11), sobre as diretrizes operativas e estruturais que nortearão o Sistema Interligado Nacional (SIN) ao longo de 2026. Em reunião liderada pelo Ministério de Minas e Energia (MME), o colegiado aprovou a Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, documento que consolida as ações preventivas para garantir a confiabilidade do suprimento, e deu sinal verde para a consulta pública que revisará os modelos computacionais de formação de preço e aversão ao risco.
Mesmo com a ocorrência de episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) em janeiro, que favoreceram bacias do Norte, Sudeste e Centro-Oeste, o cenário hídrico ainda exige cautela. A Energia Natural Afluente (ENA) do SIN fechou o mês em apenas 63% da Média de Longo Termo (MLT), o que mantém o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em alerta, especialmente quanto à preservação de estoques na Bacia do Rio Paraná.
Governança e Modelos: Revisão do CVaR para 2027
Um dos pontos de maior impacto para os agentes de mercado foi a aprovação dos estudos sobre o nível de aversão ao risco nos modelos computacionais. O CMSE acatou os trabalhos realizados pelo Comitê Técnico (CT) PMO/PLD, que testou cinco pares de parâmetros de CVaR (Conditional Value at Risk), tendo o atual (15,40) como base intermediária.
Os estudos agora seguem para consulta pública ainda em fevereiro, visando a aplicação dos novos parâmetros a partir da primeira semana operativa de 2027. Para detalhar a análise multicritério e a Curva Referencial de Armazenamento (CRef 2026), será realizado um workshop técnico no dia 25 de fevereiro.
Gestão Hídrica e Inflexibilidade Hidráulica
Apesar do armazenamento do subsistema Sudeste/Centro-Oeste ter atingido 47% ao final de janeiro, o ONS reforçou que a estratégia operativa priorizará a redução da inflexibilidade hidráulica. O objetivo é recuperar os reservatórios das hidrelétricas diante de uma previsão meteorológica que aponta chuvas abaixo da média para as próximas quatro semanas.
O plano de ação para a Bacia do Paraná ganha contornos decisivos. O comitê avalia consolidar novas reduções de vazão mínima na região a partir de março, logo após o período de piracema. A medida, que será reavaliada na reunião de 4 de março, é fundamental para garantir a governança hídrica do principal eixo gerador do país.
Expansão, Exportação e Sistemas Isolados
No campo da expansão, o SIN registrou o acréscimo de 924 MW de capacidade instalada em janeiro, com destaque para a entrada em operação de complexos eólicos e solares na Bahia e Minas Gerais. No âmbito internacional, a exportação termelétrica para a Argentina saltou de 39 MWmédios em dezembro para 151 MWmédios em janeiro.
Outro marco importante foi o avanço na desativação de termelétricas em Roraima, possibilitado pela interligação do estado ao SIN. O processo, dividido em três etapas, já cumpriu o cronograma da fase inicial com o consumo do combustível das UTEs Floresta e Distrito I e II.



